Seca prejudica a pecuária leiteira

Publicado em 29/09/2010 07:45
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Volume de leite captado pela Calu caiu 35%; chuva precisa se estender para reverter a situação.
A estiagem prolongada, que foi interrompida na segunda-feira (27) por uma chuva leve na região, trouxe prejuízos para os pequenos produtores rurais, especialmente para os criadores de gado leiteiro. Em 175 dias sem chuvas, as dificuldades para alimentar os animais e a queda na produção do leite geraram preocupação.

De acordo com Gilberto Carlos de Freitas, engenheiro agrônomo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater), a chuva que chegou ontem não é suficiente para mudar a situação. Depende da quantidade de dias que vai chover ou de quantos milímetros serão acumulados. Só esta chuva vai servir para diminuir a poeira e dar uma esperança a mais para os produtores, disse Gilberto Freitas, no fim da tarde de ontem.

Segundo ele, cerca de 30% das pequenas propriedades da região estão em situação crítica. Além das pastagens estarem secas, a maioria dos produtores sofre pela falta de planejamento da alimentação para esse período. Em muitos lugares, a forragem já acabou e o produtor acaba tendo que comprar resíduos, encontrando dificuldades pelo preço, disse.

Em Uberlândia, dos 1.913 pequenos produtores rurais, 1.181 atuam no setor leiteiro, segundo a Emater. Anualmente, eles produzem 21 milhões de litros.

Cerca de 80% da produção é captada pela Cooperativa Agropecuária Limitada de Uberlândia (Calu). Com a seca, dos 210 mil litros de leite recebidos diariamente, o volume caiu para 155 mil por dia, segundo o Departamento de Assistência Técnica da Calu.

Produtor vê alimentação do gado no fim

O produtor Vivaldo Batista Faria tinha 40 cabeças de gado e agora está apenas com 27. Devido à falta de pastagem, ele resolveu vender os animais para não deixá-los morrer de fome. O que a gente tinha e pensava que dava para alimentar as vacas acabou. Não temos mais cana nem capim. A média de produção de leite, que era de 70 litros por dia, caiu para 15.

A situação não é diferente na propriedade de Sebastião Mendes Vieira. O produtor já vendeu 45 vacas e passa praticamente o dia todo cortando cana para tentar alimentar as 60 cabeças que restam. Estou tratando os animais com cana e com ração para substituir o pasto. Não sei mais o que fazer.

Em outra propriedade rural, das 16 cabeças de gado uma morreu e outra teve que ser vendida. A preocupação do produtor é com a cana que dá somente para mais 20 dias. O ano passado, nessa mesma época, usei 200 quilos por dia para auxiliar na alimentação do gado. Agora, já são cerca de 500 quilos. A cana já está no fim, afirmou Remi Alves da Silva.

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater, Gilberto Carlos de Freitas, é importante que o proprietário rural se planeje para uma possível seca. Ele tem que saber quanto de resíduos ele precisa para alimentar a quantidade de gado que ele possui. Ele tem que planejar quantos meses de seca e a quanto que cada cabeça come por dia. É melhor ter um número menor de animais com comida suficiente, do que não ter como alimentá-los ou ter que vender, disse.

Ração já está em falta

Com o longo período sem chuva, a procura por ração, cana, silagem, capim prensado, resíduos de milho e de soja para alimentação de bovinos cresceu e já começa a faltar no mercado.

Segundo Paulo Florentino, proprietário de uma loja de produtos agropecuários de Uberlândia, a demanda por esses produtos aumentou em 50%. Todo tanto que compro é pouco e acaba logo. Tivemos que pedir uma cota extra ao fornecedor para tentar atender a demanda. Com isso, o preço, para compra e venda, aumentou em torno de 30%. Caso não chova nos próximos 15 dias, teremos sérios problemas com o fornecimento, disse Florentino, na sexta-feira (24).

A situação mostra que nem mesmo os fabricantes estavam preparados para a estiagem desde ano, depois de um 2009 de chuvas fartas e praticamente sem estiagem.
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Fonte: Correio de Uberlândia

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