Sinal verde para as vendas de carne suína de SC aos EUA leva oitimismo aos produtores

Publicado em 17/11/2010 09:02 e atualizado em 17/11/2010 10:21 236 exibições
O sinal verde para as vendas de carne suína catarinense aos Estados Unidos foi recebido com otimismo pelos produtores em Santa Catarina. Agora, eles aguardam a inspeção dos frigoríficos e das propriedades de criação de animais pelas autoridades americanas.

"A notícia é muito boa porque reconhece a qualidade do mercado catarinense em um país com padrão de exigência sanitária elevado", avalia o diretor-executivo do Sindicato da Indústria da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarne-SC), Ricardo Gouvêa. Ele prevê que a comercialização só deve começar em meados de 2011.

Mario Lanznaster, presidente da Coopercentral Aurora, diz que a liberação é o reconhecimento de um trabalho de vários anos. "A aprovação é positiva, mas temos de conter o nosso otimismo com o processo que vem pela frente".

Ele espera que a comitiva dos EUA vistorie a planta FACH 1 da Aurora, em Chapecó. A unidade foi vistoriada no processo de certificação das vendas de carne suína à União Europeia, há cerca de um ano. Lanznaster diz que é difícil esperar compra em grandes quantidades do mercado americano. "Os Estados Unidos são um grande mercado exportador. O que pode acontecer é eles virem comprar aqui para distribuir para outros países da América Latina", avalia.

A principal expectativa é que a liberação nos EUA abra caminho para mercados como Japão , Coreia e México. "Eles se espelham muito nos EUA e são grandes compradores de carne suína", afirma. A cooperativa exporta hoje cerca de 15% do volume de vendas. Entre os principais mercados estão Rússia, Hong Kong, Ucrânia e Argentina.

Apesar da recuperação da demanda internacional, o câmbio preocupa o setor. "Daqui a pouco, estamos importando carne suína dos Estados Unidos e ela chegará aqui mais barata do que a nossa por conta do dólar desvalorizado", reclama Lanznaster.

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivânio Luiz de Lorenzi, vê com mais otimismo a abertura do mercado dos EUA. "É uma notícia que pode gerar algum impacto já no começo do ano que vem, um período do ano que sempre é de demanda menor para o criador", diz.

Segundo Lorenzi, o plantel de 2011 já está no campo e deve ficar estagnado em relação a 2010. As perdas do setor nos últimos anos afastaram criadores do negócio. Apesar de a estatística oficial de 2006 dar conta de 12 mil produtores no Estado, Lorenzi acredita que apenas oito mil tenham propriedades ativas hoje.

Os custos do milho dificultaram os resultados. De acordo com o presidente da ACCS, em janeiro e fevereiro houve prejuízo de R$ 0,26 por quilo do suíno. Nos onze meses do ano, o valor acumulado pago pelo quilo do suíno subiu cerca de 30%. O preço médio hoje é de R$ 2,55 ao produtor integrado à agroindústria mais 10% pela carcaça. O preço pago aos independentes é de cerca de R$ 3,10 o quilo.

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Fonte:
Valor Econômico

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