Presidente da ACCS avalia atual momento da suinocultura

Publicado em 08/06/2011 11:29 413 exibições

O atual momento vivido pela suinocultura tem gerado dúvidas e insegurança para os produtores catarinenses. Esta semana mais uma alteração no valor, passando de R$ 2,00 para 1,90, enquanto o custo de produção está em média R$ 2,70. O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi, acredita que não há motivos reais para queda no valor, em entrevista com a Assessoria de Comunicação da ACCS, Lorenzi faz uma avaliação do atual momento da suinocultura.
 ASSESSORIA DE COMUNICAçãO - Presidente, como o senhor avalia o atual momento da suinocultura?

 LOSIVANIO LUIZ DE LORENZI - Estamos num momento muito difícil da atividade, acredito ser a pior crise do setor para os suinocultores brasileiros. Esta não é apenas uma crise de mercado da carne, mas sim de vários fatores como: dólar baixo frente ao real, inviabilizando a exportação, excedente de carne de frango no mercado, deixando a carne suína em forte desvantagem em relação ao comparativo de preços. A desaceleração do crescimento tem tirado o consumidor das gôndolas dos supermercados, o alto endividamento, causado por incentivos governamentais para a aquisição da linha branca e IPI nos veículos, quando aquela "marolinha" atingiu o País, e o maior vilão que é o preço alto do milho.


 A.C – Presidente e que dizer do valor pago ao produtor, esta semana mais uma queda, existe uma resposta para tantas oscilações?

 LORENZI - Realmente é de lamentar ao chegarmos numa situação como esta, em uma atividade que é a primeira em arrecadação do PIB Estadual, onde trouxe esperanças pela certificação da OIE em maio de 2007, a abertura do mercado americano em novembro de 2010 e recentemente aprovados a exportar também para a China. Se analisarmos todas estas situações, não haveria motivos que justificassem estas constantes baixas.


 A.C – E a questão dos insumos, existe alguma alternativa para o produtor?

 LORENZI - Alternativas sempre existem, o problema sempre é que às vezes estão nas mãos de muitos que não conhecem nada do setor.
Solicitamos ao Deputado Valdir Colatto, que interfira para que seja feito um PEP - Prêmio de Escoamento da Produção, para atender nossos produtores, com um preço mais acessível a todos e na quantidade necessária para atender a demanda mensal da propriedade.


 A.C – E a questão da Rússia, o senhor acredita que irá influenciar no mercado catarinense?

 LORENZI - Infelizmente já influenciou. Apesar de SC não ter nenhum frigorífico cancelado, o mercado hoje é global, ele não diferencia o produtor para receber um preço melhor, por ter uma certificação diferenciada, como é o nosso Estado. Outra questão é que as agroindústrias são as mesmas, com unidades em todos estes estados, elas não pagarão com um diferencial ao produtor catarinense como não pagaram ao produtor gaúcho, quando somente eles exportavam para a Rússia depois do embargo feito a SC em 2005.


 A.C – Pode-se dizer que esta é a pior crise da suinocultura nos últimos anos?

 LORENZI - Acredito que sim, pois, desde 2004 estamos vivendo em crises que se arrastam e não existe um programa de governo que possa ter um controle de produção para poder equalizar a oferta e procura.
As indústrias acreditam na abertura de novos mercados e investem, mas sem dar uma garantia ao produtor que na sua eficiência, aumenta seu plantel e o aumento da exportação não acontece.


 A.C – O que está sendo realizado em nível de governo para amenizar esta situação?

 LORENZI - Estamos desde janeiro buscando alternativas junto ao governo Estadual e Federal. Quando o preço baixou de R$ 2,40 para R$
2,35 o kg, entregamos ao Governador do Estado, uma pauta de reivindicações que fariam o diferencial para o setor, desde que fosse trabalhada. No início de março estive em Brasília visitando todos os Deputados Federais de SC, entregando a mesma pauta de reivindicações, mostrando que o setor precisa de vontade política para resolver os problemas. 


 A.C - Qual a sua sugestão ou conselho aos suinocultores catarinenses?

 LORENZI - Independente do modelo de produção que ele tenha, nesse momento é importante estar centrado em um único ponto, ter a certeza de que temos que diminuir a produção e isso só se faz com redução de plantel. Que tenha a consciência que excedente de produção é preço baixo. Que todos que tenham contato com políticos, cobrem ações para defender esta importante atividade, a qual parece que só serve para poluir devido ao descaso que está por parte deles. 

 A.C – Como o Senhor vê a atividade suinícola para os próximos meses?

 LORENZI - E difícil prever a atividade da forma como esta, sofrendo pressão de oferta, de câmbio, de concorrência, enfim, mas sempre acreditei nesta atividade do qual tinha na propriedade como a maior fonte de renda. Vejo que se não tivermos um apoio político para reverter rapidamente, esta situação deverá se prolongar por um período de 60 a 90 dias, mas tudo irá sofrer influência sobre a
decisão da Rússia.    

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ACCS

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