Federarroz considera Levantamento da Conab fator altista aos preços

Publicado em 12/01/2012 16:14 649 exibições
Indicador Esalq/BVM&F- Bovespa já disparou acima dos preços mínimos após o anúncio.
Os números revelados nesta terça-feira no 4º Levantamento da Safra 2011/12 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trouxeram aos produtores de arroz do Rio Grande do Sul a expectativa da retomada da trajetória de recuperação nos preços de mercado. Em 2011, por apenas uma semana o valor de mercado superou os R$ 25,80 por saca de arroz no Sul do Brasil, que é o preço mínimo de garantia do governo federal, apesar dos volumosos investimentos em mecanismos de comercialização. Após a divulgação dos números da Conab, nesta terça-feira, os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, segundo o indicador Esalq/BVM&F-Bovespa, chegaram a R$ 25,81 e na quarta-feira (11/1) a R$ 25,88.

“O levantamento da Conab ratifica tudo aquilo que a Federarroz já informava em outubro passado, na Abertura do Plantio, sobre uma redução da safra por conta dos baixos preços de comercialização, das importações exageradas, migração para outras culturas, aumento dos custos de produção e o clima adverso. E indica a clara tendência de recuperação imediata nos preços por redução da oferta, da safra e dos estoques”, afirma o presidente da Federarroz, Renato Rocha. Segundo ele, há ainda o agravante da estiagem que castiga as produções do Uruguai e da Argentina, bem como os danos no Rio Grande do Sul, que poderão reduzir mais as projeções da Conab.

Ele destaca que o abastecimento nacional está garantido pela soma da safra 2011/12 e estoques de passagem, sem contar as importações do Mercosul que fazem parte do suprimento anual. “O Mercosul tem excedentes e a Conab tem estoques das safras 2010 e 2011”, avisa.

Pelo levantamento da Conab, é prevista a queda de 15,8% na produção brasileira de arroz na próxima safra, que deve alcançar 11,46 milhões de toneladas, contra 13,6 milhões/t da safra 2010/11. A região Centro-Sul, principal produtora, reduzirá a colheita em 17,1% e o Norte/Nordeste mais 9,1%. O Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, reduzirá 17,2% pelo menor uso de tecnologias, em razão dos baixos preços praticados nas últimas safras, a falta de renda ao produtor, o aumento dos custos de produção e o clima. No Mato Grosso, principal produtor do cereal de sequeiro, a queda será drástica: de 47,3%. As áreas de arroz foram ocupadas com soja e milho, de maior rentabilidade e liquidez no mercado.

A área nacional cairá 9,5%. As lavouras do Centro-Sul diminuirão 14,4%, enquanto as do Norte/Nordeste 1,1% menores. A superfície semeada no Brasil reduzirá de 2,82 milhões de hectares para 2,55 milhões/ha. A produtividade será afetada e cairá 7% no Brasil, de 4.827 quilos por hectare para 4.490 kg/ha (somando irrigado e sequeiro).

Com o recorde de exportações, atualmente estimadas pela Conab em 1,85 milhão de toneladas de arroz (base casca), mas que deve chegar a 2 milhões de toneladas, o estoque de passagem brasileiro é estimados em 1,79 milhão de toneladas. Ou seja, pode baixar para 1,650 milhão ou menos, o menor care over dos últimos cinco anos. “Consolidadas as exportações nestes patamares e com as perdas se avolumando no Mercosul, os preços de mercado do arroz tendem a encontrar fôlego para uma recuperação mais significativa até a safra, em março, e ao longo de 2012”, afirma Renato Rocha, presidente da Federarroz.

A expectativa da Conab para o estoque de passagem 2012/13, é de 1,2 milhões de toneladas, o menor em sete safras, o que indica um quadro de oferta e demanda bastante ajustado no Brasil ao longo do ano, o que gera preços ao produtor mais remuneradores. “Nossa expectativa é para que o governo garanta os mecanismos de comercialização já na safra, como forma de evitar o excesso de oferta que é nocivo e avilta os preços”, alerta Renato Rocha.

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Federarroz

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