Preços do arroz oscilam na semana, mas se mantêm estáveis

Publicado em 21/01/2013 13:33 368 exibições
No mês, porém, o produto em casca desvalorizou 2,52%. Negociação continua fraca em todo o Brasil.
Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul oscilaram bastante na semana que passou, chegando a acumular 3,18% de baixa, mas voltaram na sexta-feira (18/1), ao patamar da segunda-feira (14/1) R$ 34,37, que acumula baixa de 2,52% no mês. Em dólar, no entanto, a cotação da saca de arroz em casca no Rio Grande do Sul, baixou onze centavos, considerando a referência de câmbio da sexta-feira, para US$ 16,81, diante dos US$ 16,92 da segunda-feira. Os dados são do Indicador de Preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&F Bovespa para o Rio Grande do Sul (à vista, em sacas de 50 quilos e padrão 58x10).

A estabilidade se deve, basicamente, à baixa oferta de produto no mercado e à condição de espera das indústrias, em sua maioria abastecidas até a safra. O fim dos leilões de oferta de arroz em casca pela Conab, comemorado pelo setor produtivo, ajudou a reduzir pressão do mercado. Em contrapartida, o anúncio de uma 4% maior, pela própria Conab, e a pressão dos varejistas por arroz beneficiado com menores valores do que os praticados em dezembro vêm gerando esta oscilação no mercado.

No mercado livre os preços desvalorizaram um pouco mais. A média de preços no Rio Grande do Sul está entre 33,50 e 34,50, na maioria das praças, para o referencial da saca de arroz em casca de 50 quilos, com 58% de grãos inteiros. As variedades nobres são cotadas entre R$ 38,00 e 41,00 no Litoral Norte, acima de 62% de inteiros, e entre R$ 35,00 e R$ 36,00 na Fronteira Oeste. Em Santa Catarina, os preços variam entre R$ 32,00 e R$ 34,00, dependendo da praça.

Em Jaraguá do Sul a referência está entre R$ 31,00 e R$ 33,00 e em Turvo e no Sul Catarinense, na faixa de R$ 33,50 a 34,00. No Mato Grosso, a expectativa do aumento produtivo e a condição de empresas estocadas até a safra, obtidas com benefícios fiscais para a importação do grão (do Sul e dos países vizinhos), segue forçando baixa nos preços.

EXPORTAÇÕES

Segundo o analista Tiago Sarmento Barata, diretor da Agrotendências Consultoria em Agronegócios, o Brasil deverá encerrar o ano comercial 2012/13, no próximo dia 28 de fevereiro, tendo exportado entre 1,35 e 1,4 milhão de toneladas de arroz (base casca). A projeção está baseada no volume acumulado até dezembro, segundo relatório divulgado na semana passada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Entre março e dezembro (10 meses) o Brasil exportou 1.288 mil toneladas de arroz (base casca). “Nos próximos dois meses, mesmo se houver uma redução dos volumes, é muito possível que as exportações brasileiras aproximem-se de 1,4 milhão de toneladas”, reconhece. 

O desempenho de dezembro, no entanto, frustrou as expectativas do setor de manutenção do ritmo de embarques para o estrangeiro. A exportação de 39,7 mil toneladas (base casca) de arroz no mês de dezembro representou uma redução de 61,7% em relação ao volume escoado para o mercado externo no mês anterior. “Cerca de 64% do volume exportado corresponderam a produto quebrado, sendo o Senegal o destino de 24,5 mil toneladas. Aproximadamente 35% foi de arroz beneficiado, sendo 10 mil toneladas de arroz branco e o restante de produto parboilizado”, relata o analista.

Ainda segundo ele, a Conab projeta a venda externa de 1,3 milhão de toneladas até 28 de fevereiro, mas se o Brasil mantiver a média mensal de 128,8 mil toneladas, poderá alcançar até 1,5 milhão de toneladas no ano. “É improvável, mas não é impossível”, considera.

As importações brasileiras também caíram, mas em dezembro foram superiores às vendas para o exterior. A importação de 63,1 mil toneladas (base casca) de arroz, a intensidade do ritmo de ingresso do cereal em dezembro foi 51% menor do que em novembro. Do Uruguai vieram 49,7% do arroz importado, enquanto Argentina e Paraguai representaram respectivamente 27,8% e 20,7%, segundo relatório da Agrotendências. Aproximadamente dois terços do volume de arroz importado foram de produto beneficiado.

As importações acumulam 887,6 mil toneladas neste ano comercial, com média de 88,6 mil toneladas. Se mantida essa média, o Brasil importará 1.065 mil toneladas, volume 165 mil toneladas a maior do que as 900 mil toneladas previstas pela Conab.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), apresenta preços referenciais mantidos esta semana para o arroz e seus subprodutos, exceto o canjicão. O cereal em casca (50kg – 58x1) se manteve cotado a R$ 34,15, enquanto o arroz beneficiado, em sacos de 60 quilos, foi referenciado a R$ 70,00 60kg). O canjicão (60kg/FOB) apresenta uma curiosa desvalorização de 2,63% esta semana, para R$ 37,00, ficando com preço abaixo da quirera, com maior procura, que se manteve em R$ 38,00 os 60kg/FOB. O farelo de arroz (FOB – Arroio do Meio/RS) manteve a cotação de R$ 380,00 por tonelada. 

A expectativa para a segunda quinzena de janeiro é de que os preços se mantenham oscilando, mas sem fôlego para recuperar a baixa do início do mês. Os analistas consultados por PLANETA ARROZ consideram que tanto os preços podem recuperar parcialmente as perdas do mês, a depender da conjuntura, como podem evoluir para uma perda entre 3% a 3,5%. O argumento para isso é a “instabilidade do mercado”, que busca se acomodar à retirada dos leilões da Conab, ao movimento da balança comercial e, mais decisivamente, à dimensão da safra que se aproxima. Lembrando que uma parte das indústrias já deve receber arroz a depósito na segunda quinzena de fevereiro, o que movimentará o mercado.
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Fonte:
Planeta Arroz

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