Conab colocará à venda mais de 50 mil t de arroz na próxima semana

Publicado em 31/07/2013 09:53 e atualizado em 31/07/2013 12:28
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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou esta semana os avisos 122 e 123 de leilões de venda de arroz em casca. A quantidade total ofertada é de 50,1 mil toneladas do produto, somando-se os dois editais. Os leilões estão marcados para o próximo dia 6 de agosto. Os estoques da Conab estão no Rio Grande do Sul (RS). O leilão é destinado a comerciantes de todo o país.

Com essa oferta o governo espera reduzir o impacto de uma alta mais significativa nos preços de base até o ponto final da cadeia produtiva, que é o consumidor. Aproveitando, também, para reduzir os estoques mais antigos do produto.

Conab anuncia leilões de arroz para a próxima semana

Com algum atraso, mas como já era previsto há algumas semanas por Planeta Arroz, o governo federal decidiu intervir no mercado e publicou nesta segunda-feira, via Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os avisos 122 e 123/13 dos leilões de oferta de arroz em casca. A soma total é de 50,1 mil toneladas (base casca), divididos em um edital para 43,7 e outro de 6,4 mil toneladas. Os leilões estão marcados para o próximo dia seis de agosto.

Nos últimos 15 dias cresceram na cadeia produtiva os rumores – agora confirmados - de que a Conab interviria no mercado, que mantém patamares médios acima de R$ 34,50 (à vista, 58x10) para o arroz em casca (50kg), segundo o indicador Cepea/Esalq. O secretário nacional de Política Agrícola, Neri Geller, havia confirmado em maio passado que se os preços ao produtor superassem a casa de R$ 34,00 o governo agiria. Portanto, a oferta de estoques públicos levou mais de 60 dias para ser colocada em prática.

Fontes no governo confirmam que os editais estavam rascunhados, tecnicamente, há mais de 30 dias, aguardando apenas a decisão política. A Federarroz empenhou-se em solicitar ao MAPA que segurasse os leilões, sob o argumento de que o produtor precisa de renda para fazer frente ao endividamento – renegociado pela União – o custeio e financiamento da comercialização da safra passada, cujas parcelas recém começaram a vencer.

Na cadeia produtiva, o primeiro impacto da notícia foi uma leitura negativa, com muitos produtores protestando contra a atitude do governo, que consideram prejudicial à lavoura. A medida governamental, obviamente, está focada em reduzir o impacto de uma alta mais significativa nos preços de base até o ponto final da cadeia produtiva, o consumidor, pressionando para cima a inflação.

Positivo

Todavia, os analistas de Planeta Arroz consideram que apesar do impacto “psicológico” inicial, que deve gerar uma retração no valor de mercado do cereal, já que se prevê uma sequência de pelo menos quatro leilões, pode haver um viés positivo de médio prazo com a medida do governo. E a cadeia produtiva pode transformar este “limão em limonada”.

Momento

Em primeiro lugar, consideram que, em havendo uma medida do governo neste sentido, este é o momento mais oportuno, pois é quando há tomada de decisão do plantio 2013/14 pelos rizicultores, e uma eventual retração nos preços ao produtor, provocada pela oferta dos estoques da Conab, deverá reduzir o ímpeto de aumento de área pelos arrozeiros gaúchos, que poderão manter área similar à temporada passada na próxima safra.

Estoques

Outro fator considerado importante é a redução dos estoques de qualidade da Conab, cuja soma total armazenada fica em torno de 1,05 milhão de toneladas. Parte dos analistas considera que pelo menos um quinto desse arroz é de safras mais antigas e apresenta perda considerável de qualidade. Lembram, inclusive, que há lotes que foram ofertados em 2012, sem negociação, e que permanecem nos silos.

Exportação

Por fim, uma eventual queda de preços entre R$ 2,50 e R$ 3,50 é considerada “administrável”, pois refletiria na retomada da competitividade do cereal brasileiro no mercado externo. Ainda antes do ingresso da safra estadunidense, que acontece a partir de 10 de agosto. As cotações do dólar estão ajudando e o mercado é receptivo.

O problema é que os preços internos estão um pouco altos para os padrões internacionais, retraindo a demanda por grão brasileiro. A medida que o preço spot seja equalizado, e em patamares médios em torno de R$ 31,00 a R$ 32,00, agentes de mercado consideram que o Brasil retoma os embarques em maior volume. E isso, ao longo de 60 a 90 dias, movimentará o mercado e deverá refletir em recuperação das cotações domésticas. Com uma baixa do preço interno, as importações também podem cair. Portanto, se por um lado ingressará arroz do governo no mercado, por outro poderá haver o escoamento pela exportações e reduzir o volume das entradas de arroz do Mercosul, o que compensaria, ao menos parcialmente, a oferta da Conab.

Se a medida que o preço cair pelos leilões de estoques, as exportações gerarem um equilíbrio e derem sustentação ao escoamento de excedentes, a previsão é de estoques públicos baixíssimos em fevereiro de 2014, o que pode dar suporte a melhores preços no pico da entressafra e no próximo ano.

Para os analistas, se um percentual de 20% do arroz estocado pela Conab tem uma perda significativa de qualidade e forem ofertadas e negociadas 200 mil toneladas, os estoques governamentais podem chegar a fevereiro de 2014 com algo em torno de 600 mil toneladas, o menor volume da década. Um volume tão baixo assim, daria um importante suporte aos preços na próxima temporada comercial.

Atualmente, o arroz tem cotações variáveis no Rio Grande do Sul porque as indústrias estão formando preços de acordo com suas necessidades de estocagem e beneficiamento. Com o produtor administrando a liberação gradativa do cereal em casca, as indústrias – principalmente pequenas e médias – se obrigam a valorizar a matéria-prima para determinados lotes, criando realidades distintas. Uma movimentação maior de cargas para exportação em junho/julho, também determinou a valorização do arroz em casca nas regiões próximas ao porto de Rio Grande.

Indicador

O indicador Cepea/Esalq, aponta nesta segunda-feira (29/7) o preço médio de R$ 34,71 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca (58x10) no Rio Grande do Sul. Em dólar, pela cotação do dia, a saca foi cotada a US$ 15,30. A tendência é de que o mercado entre em compasso de espera, até os resultados do leilão, em uma semana, para apontar uma direção mais segura. A expectativa do setor é de que a Conab proceda outros leilões. Agentes de mercado esperam pelo menos quatro leilões, um por quinzena, de 50 mil toneladas, volume que pode regular o mercado de maneira equilibrada, segundo leitura dos analistas, principalmente se houver resposta com embarques para outros países.

O que os analistas também concordam é que a Conab poderia ter centralizado a oferta de grão nas regiões próximas ao Porto de Rio Grande, o que regularia o mercado nas zonas de maior valorização, sem prejuízos ao setor produtivo na Fronteira Oeste, a Campanha e a Depressão Central, onde os preços praticados são menores.

Comportamento

O comportamento do arrozeiro com relação ao mercado, a partir de agora, será determinante também para o equilíbrio do mercado. Se seguir a tendência histórica de vender na baixa, pressionará o mercado e será difícil recuperá-lo a curto e médio prazo. Mas, se mantiver a tranquilidade, administrar a oferta, estabilizar a área cultivada, investir em culturas de rotação e vislumbrar este cenário de estoques de passagem menores, safra equilibrada, redução das importação e aumento das vendas externas no segundo semestre do ano comercial, é possível que assegure preços tão remuneradores quanto agora, em dois ou três meses. Ou até melhor.

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Fonte: Planeta Arroz + Conab

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