Rússia pode bloquear exportações de trigo diante do agravamento de sua crise econômica

Publicado em 17/12/2014 12:37 e atualizado em 17/12/2014 16:20 479 exibições

O mercado internacional de grãos já vem recebendo boatos de que a Rússia poderia bloquear suas exportações de trigo para alguns países compradores diante da instalada crise econômica no país que tem se agravado severamente nos últimos dias. Segundo o comunicado oficial do governo russo, as vendas para Egito, Turquia e Armênia seguem inalteradas. 

Para analistas, essa é uma medida inevitável e acredita que a nação ainda tenha estoques na casa das 30 milhões de toneladas do grão disponíveis para exportações, antes dos estoques domésticos serem afetados. "E esse é um sinal de que a contração econômica não deve passar logo", acredita o editor do site norte-americano Agriculture.com, Jeff Caldwell. 

Já para o editor da revista Agribusiness-Ukraine, da Ucrânia, Iurii Mykhailov, essa restrição de demanda poderia ter implicações de longo prazo para os produtores russos. "Eu acredito que esse bloqueio das exportações de grãos será introduzido por conta da acentuada taxa de refinanciamento no banco central russo. E isso significa que poderemos ver um aumento nas taxas de juros do país também", diz. 

Nesta terça, as autoridades monetárias da Rússia elevaram a taxa de juros do país de 10,5 para impressionantes 17% na tentativa de amenizar os impactos da crise e conter a severa desvalorização da moeda local. A tentativa foi frustrada e, para o jornalista ucraniano, essa taxa poderia chegar a níveis entre 25 e 30% ao ano, o que inviabilizaria ainda mais a cultura para os agricultores russos na próxima primavera. A saúde econômica do país é intensamente ligada ao mercado do petróleo, que vem passando por uma queda vertiginosa na últimas semanas e, os impactos já podem ser sentidos no andamento de sua moeda frente ao dólar, por exemplo.

"Isso será mais um problema para os produtores, que terão dificuldades na compra de seus insumos como sementes, combustíveis, fertilizantes, pesticidas, etc nos volumes necessários. Assim, a área de plantio deverá passar por uma redução ou terão de adotar uma redução no uso desses insumos por hectare, medidas que, de qualquer forma, significam uma redução da colheita", explica Iurii Mykhailov. 

Enquanto a maioria das commodities têm sido afetada pela queda nos preços do petróleo e pela crise financeira que vem se instalando na Rússia, os preços do trigo no mercado internacional poderiam ser beneficiados, já que o país é peça importante na produção e exportação do grão. Nesta quarta-feira (17), as cotações dos principais vencimentos chegaram a subir mais de 14 pontos na Bolsa de Chicago.

Com informações do site Agriculture.com

 

 

BC DA RÚSSIA ANUNCIA MORATÓRIA PARA SALVAR ECONOMIA

 

BC RUSSO DIZ QUE MORATÓRIA É PARA TOMADORES DE CRÉDITO COM DIFICULDADES

Publicado: 17 de dezembro de 2014 às 15:50 -  por DIÁRIO DO PODER

 

 

Foto: Ria Novosti

Moratória foi ampliada de um para dois anos. Foto: Ria Novosti

O Banco Central da Rússia anunciou na quarta-feira medidas para flexibilizar a regulamentação para bancos na tentativa de estabilizar o sistema financeiro nacional, em meio a uma das maiores quedas do rublo na história do país.

O banco central disse que está aumentando para dois anos, de um ano anteriormente, a moratória sobre provisões adicionais para empréstimos a tomadores de crédito com dificuldades, em caso de força maior. A entidade vai permitir que os bancos não façam provisão adicional para empréstimos reestruturados, devido ao movimento das taxas de câmbio.

Para fortalecer os balanços dos bancos, o Banco da Rússia aplicou uma moratória temporária ao reconhecer reavaliações negativas de carteiras de ativos.

A entidade também está permitindo que os bancos utilizem a taxa de câmbio do último trimestre ao liquidar “reivindicações prudenciais de operações de câmbio”, disse o Banco da Rússia.

Para aumentar a liquidez de moeda estrangeira no sistema, o Banco da Rússia também vai começar a fornecer empréstimos garantidos por ativos “de fora do mercado” e garantidos por empréstimos em moeda estrangeira.

O regulador disse que, junto com o governo, que vai ajudar os bancos a aumentarem o seu capital em 2015. (Fonte: Dow Jones Newswires/DIÁRIO DO PODER)

 

Na Folha: Após desvalorização, Rússia diz que venderá reservas para apoiar rublo

O ministério russo de Finanças anunciou nesta quarta-feira (17) que venderá reservas de divisas estrangeiras para apoiar o rublo que, nas palavras do ministério, está "extremamente desvalorizado".

Apenas na última segunda-feira a moeda russaperdeu 9,58% sobre o dólar. Na terça, perdeu mais 8,62%.

Procurado pela agência France Press, um porta-voz do ministério não informou os montantes dessas operações.

Após o anúncio, na manhã desta quarta-feira a cotação da moeda estava em 65,15 rublos por um dólar, ante 67,88 na terça-feira (16).

INTERVENÇÕES

A medida recém-anunciada se soma às intervenções do banco central russo, que a cada dia vende bilhões de dólares em divisas estrangeiras para defender o valor do rublo, não tendo muito êxito até o momento.

Em uma reunião de emergência feita na terça-feira, o governo russo definiu uma série de ações para garantir a estabilidade do setor financeiro. O governo deve apoiar aos bancos, afetados por uma desvalorização do rublo sem precedentes desde a crise da Rússia em 1998. Nesse ano, o rublo desabou e o governo decretou moratória nos pagamentos da dívida pública.

Na terça-feira, a instituição elevou a taxa de juros em 6,5 ponto percentual, para 17% ao ano.

FUGA

Os investidores fugiram da Rússia neste ano, por conta das sanções ocidentais e de uma perspectiva cada vez mais sombria para a economia do país, causando um recorde de baixa para a cotação do rublo.

Na previsão oficial mais sombria que Moscou divulgou até agora, o banco central russo alertou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode se contrair em 4,5% a 4,7% se os preços do petróleo continuarem em US$ 60 por barril.

Este ano, o rublo perdeu 60% de seu valor diante do dólar, o que faz dele a grande moeda de pior desempenho no planeta, desbancando a hryvnia ucraniana.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas/DP/Folha

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