Liderados pelas altas de mais de 5% no trigo, mercado dos grãos em Chicago tem 5ª de avanço após USDA

Publicado em 12/05/2022 18:10 2884 exibições

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O mercado parece ter recebido bem os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e os futuros da soja e dos grãos fecharam o pregão desta quinta-feira (12) com boas altas na Bolsa de Chicago. 

As cotações subiram entre 6,50 e 10 pontos nos principais contratos, levando o julho a US$ 16,13 e o agosto a US$ 15,69 por bushel. Já no milho, os ganhos variaram entre 3 e 11,75 pontos, com o julho encerrando os negócios com US$ 7,91 e o setemrbro com US$ 7,63 por bushel. 

No entanto, quem liderou as altas nesta quinta-feira foram os preços do trigo, já que superaram 5%  - ficando entre 62,50 e 65,75 pontos - entre os contratos mais negociados na CBOT. Dessa forma, o julho fechou o pregão valendo US$ 11,78 e o setembro com US$ 11,81 por bushel. 

"Os preços dos grãos subiram depois que o USDA divulgou seu último relatório mensal de oferta e demanda. Os preços do trigo tiveram um grande salto vendo que o departamento trouxe estimativas de produção abaixo do esperado, enquanto a baixa qualidade da safra continua dando bastante apoio aos preços do grão", explicaram os analistas de mercado do portal Farm Futures.

O relatório deste dia 12 de maio foi o primeiro que trouxe as projeções iniciais para a safra 2022/23 e alguns números mexeram bastante com o mercado e os que mais impactaram foram os do trigo. O USDA revisou para baixo os estoques, relações de estoque x consumo, oferta e foi combustível forte para o movimento de avanço. 

Além dos estoques finais da safra 2021/22 dos EUA terem sido reduzidos, a estimativa para a nova safra americana do cereal - de 47,05 milhões de toneladas veio abaixo das expectativas do mercado de 48,74 milhões. Do mesmo modo, o USDA ainda projetou uma safra global de trigo na temporada nova em 774,83 milhões de toneladas, menor do que a anterior, de 779,29 milhões.

Para a especialista em commodities agrícolas Karen Braun, caso essas estimativas se confirmem, a tendência é de que os preços do trigo permaneçam firmes até 2023. A relação de estoque x consumo para a próxima temporada de trigo no mundo foi revisada para 14,9% pelo USDA nesta quinta, sendo a quarta menos desde a safra 2007/08. 

Trigo estoque x consumo
Trigo Mundo - Relação Estoque x Consumo - Fontes: USDA + Karen Braun

As exportações de trigo da Ucrânia foram estimadas em 21,5 milhões de toneladas, contra 33 milhões da safra anterior. Assim, o USDA projeta exportações nesta nova temporada em 10 milhões de toneladas, frente a as 19 milhões estimadas para 2021/22. 

Do mesmo modo, os números do trigo também trouxeram sinais importantes, principalmente diante dos problemas de clima que a nova safra dos Estados Unidos ainda enfrenta em regiões importantes do Corn Belt e da redução de área que já havia sido estimada pelo USDA para o plantio 2022/23 do grão no país.

Assim, o reporte indicou a a produção global do cereal em 1.180,72 bilhão de toneladas, contra 1.215,62 bilhão da safra anterior. COm isso, os estoques finais da nova safra são esperados em 305,13 milhões de toneladas, contra pouco mais de 309 milhões de 2021/22.  

A safra norte-americana foi estimada em 367,30 milhões de toneladas, contra 383,94 milhões de 2021/22. Na Ucrânia, a safra passa a 9 milhões de toneladas, contra 23 milhões colhidas na temporada anterior. 

Em contrapartida, a produção de milho do Brasil é esperada pelo USDA em 126 milhões de toneladas, contra 116 milhões da safra anterior, enquanto a colheita da Argentina poderia chegar a 55 milhões, contra 53 milhões de toneladas 2021/22. 

Com essa estimativa para as safras, o USDA também estima maiores exportações de milho pelo Brasil e pela Argentina, bem como menores para Ucrânia e Estados Unidos. 

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Com as boas altas registradas em Chicago - e mais a preocupação com o clima para a segunda safra no Brasil - os futuros do milho também subiram na B3 nesta quinta-feira. As altas chegaram a 1,41%, como foi o caso do vencimento novembro, que fechou o dia com R$ 101,41 por saca. 

Como o clima nos Estados Unidos é fundamental para a soja neste momento, para a soja também. A janela de plantio da oleaginosa é um pouco mais alongada do que a do milho, porém, já tem seus trabalhos de campo atrasados depois de condições adversas das últimas semanas. Assim, os números trazidos pelo USDA nesta quinta também foram acompanhados de perto. 

A redução nos estoques finais globais de soja da safra velha, a revisão para cima das exportações norte-americanas e as projeções dentro das expectativas para a temporada 2022/23 contribuíram para os ganhos. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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