Consumo de arroz cresce 6,9% na Itália após virada de marketing
Enquanto o consumo de arroz no Brasil cai, na Itália, ele volta a crescer devido à diversidade de suas formas de cocção e variedades distintas. Esta foi uma das informações apresentadas durante a programação do Auditório Frederico Costa, pelo pesquisador italiano Massimo Biloni. O especialista palestrou no segundo dia da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, que encerra nesta quinta-feira, na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado.
Biloni diz que o arroz é sua paixão e fala do grão com muita propriedade. Compõe a Estação Experimental Italiana do Arroz e preside a Rota do Arroz de Qualidade do Piemonte. Aos arrozeiros gaúchos, ele apresentou a história da chegada do grão à Itália, passando pela África até ingressar na Europa. Aliás, o arroz entrou no país em diferentes momentos e Biloni mostrou que a política anterior a unificação do país também afetou a forma como era preparado. Não é à toa que a Unesco fez uma homenagem à gastronomia italiana, e inclui as diversas receitas com o arroz, em razão da relevância que tem na cultura do país e na forma como faz parte da tradição das famílias.
E foi justamente este olhar diferenciado e a origem dos grãos que promoveram a diversificação do arroz na Itália, como Arbóreo, Carnaroli e Vialone Nano e suas variedades. No país, encontra-se arroz preto, vermelho, redondo, curto e largo, longo e largo, longo e fino, perolados…”Em 2025, 189 variedades de arroz foram cultivadas na Itália”, pontuou o pesquisador, sem deixar de destacar que o país trabalha muito fortemente com melhoramento genético. Lá, conforme Biloni, a cultura não é apenas um tipo de arroz. O orizicultor cultiva duas ou três variedades. Isto se dá pelo receio de perder mercado, caso ocorra uma oscilação de mercado. A diferença entre o produto no mercado é tão grande que algumas variedades podem valer o dobro de outras.
Com relação à retomada do consumo do produto, Biloni mostrou dados que indicam um crescimento decorrente de uma mudança de visão. “Mudaram a ideia de que o arroz não é só o mesmo prato da minha mãe ou meu avô. É diferente e jovem”, disse. O crescimento apontado é de 6,9%. Ele explicou que o consumo de arroz na Itália é diferente do Brasil, onde está presente na mesa, diariamente, acompanhado do feijão, sendo de 8,5 quilos por pessoa por ano, contra 5 quilos, no passado. “Está subindo e tudo isso é marketing, experiência, informação através de nutricionista na escola, educação para explicar que arroz é bom. É saudável”, detalhou.
O palestrante ressaltou que é muito importante a diversificação para estimular o consumo. Saber que arroz pode ser comido de maneiras diferentes, “não é difícil, complicado, 20 minutos no fogo para um risotto”. Aos jovens italianos foi demonstrado que ele pode ser consumido como sushi, arancini (bolinhos de arroz fritos), torta, salada, doce e antipasto. “A grande variedade de grãos existentes na Itália é uma complicação, mas uma riqueza. Hoje como um e amanhã como outro diferente”, disse, complementando que essa diversificação é um prazer em comer todo dia o arroz.
A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas ocorre na Estação Experimental Terras Baixas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Capão do Leão (RS). O evento é promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), com correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e patrocínio do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A programação está disponível em www.colheitadoarroz.com.br.
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