Emater revisa safra de inverno do RS com menor produção de trigo, canola e aveia, mas melhora na cevada

Nova estimativa mostra redução de produtividade da canola apesar da ampliação da área; trigo perde hectares, enquanto cevada apresenta revisão positiva
Publicado em 22/10/2026 15:39

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A segunda estimativa da safra de inverno de 2026 do Rio Grande do Sul trouxe uma redução nas perspectivas de produção de trigo, canola e aveia-branca, enquanto a cevada apresentou melhora. Os dados divulgados nesta quinta-feira (22) pela Emater/RS-Ascar mostram mudanças nas projeções de área e produtividade em relação aos parâmetros publicados no informativo anterior, de 15 de outubro, em uma temporada marcada por dificuldades climáticas e preocupações com a qualidade dos grãos.

Levantamento do Notícias Agrícolas, comparando os parâmetros apresentados nos dois documentos da Emater, indica redução aproximada de 11% na produção estimada de canola, de 7,5% na de aveia-branca e de 1,7% na de trigo. Para a cevada, a combinação entre área e produtividade aponta aumento de aproximadamente 9,6%.

Esses percentuais foram calculados a partir das estimativas de área e rendimento de cada boletim, não representando perdas efetivamente confirmadas na colheita. Também não devem ser confundidos com as variações anuais da produção, que utilizam a safra de 2025 como referência.

No novo balanço, a Emater estima uma produção de 2,16 milhões de toneladas de trigo, 832,8 mil toneladas de aveia-branca, 508,9 mil toneladas de canola, 67,2 mil toneladas de cevada e 22,9 mil toneladas de carinata.

Safra de Inverno do RS 2026

A comparação anual revela um cenário distinto das revisões mais recentes. Embora tenha perdido potencial produtivo entre as estimativas, a canola ainda apresenta expansão expressiva em relação a 2025. Já a cevada, mesmo com a melhora na nova estimativa, permanece com produção projetada 42% inferior à do ano passado.

Trigo perde área, enquanto canola tem forte revisão de produtividade

No trigo, a Emater reduziu a área estimada de 814.220 para 763.121 hectares, uma diminuição de aproximadamente 51,1 mil hectares. Ao mesmo tempo, a produtividade média projetada aumentou de 2.701 para 2.833 quilos por hectare.

A melhora do rendimento esperado não foi suficiente para compensar a redução da área. Considerando os parâmetros dos dois levantamentos, a produção estimada passou de aproximadamente 2,20 milhões para 2,16 milhões de toneladas, recuo de 1,7%.

Na comparação com a safra de 2025, a produção projetada é 37,48% menor. A colheita, por sua vez, avançou de 9% para 19% da área entre os dois informativos, permanecendo abaixo da média histórica de 22% para a data.

Além do volume disponível, o setor acompanha os efeitos da umidade excessiva e de problemas fitossanitários sobre a classificação do cereal. A Emater relata lotes com redução do peso hectolitro (PH), grãos avariados e chochos, além de dificuldades relacionadas à giberela e à brusone.

Na região administrativa de Ijuí, em Tenente Portela, as primeiras áreas colhidas apresentam produtividade média inferior a 1.800 quilos por hectare e PH abaixo de 74. Já na região administrativa de Santa Rosa, os rendimentos observados geralmente variam entre 1.500 e 1.800 quilos por hectare, com diferenças importantes de qualidade entre as lavouras.

Essas condições podem comprometer a remuneração dos agricultores quando os lotes não atendem às exigências da indústria de moagem.

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Na canola, a revisão foi mais expressiva. A área projetada passou de 353.397 para 379.887 hectares, crescimento de aproximadamente 26,5 mil hectares. Entretanto, a produtividade média caiu de 1.619 para 1.340 quilos por hectare, redução de 17,2%.

A queda no rendimento esperado superou o efeito positivo da ampliação da área. Pelos parâmetros publicados anteriormente, a produção projetada era de aproximadamente 572,1 mil toneladas. Na nova estimativa oficial, recuou para 508.863 toneladas, redução próxima de 63 mil toneladas.

Apesar da revisão negativa, a produção prevista para 2026 ainda supera em 78,25% a registrada em 2025. Isso significa que a expansão da área continua sustentando o crescimento anual da cultura, mesmo diante da deterioração das expectativas de produtividade.

Os efeitos das condições climáticas aparecem nos relatos regionais da Emater. Na região administrativa de Santa Rosa, lavouras severamente atingidas por granizo e vendavais apresentaram produtividades inferiores a 120 quilos por hectare, tornando a colheita mecanizada praticamente inviável do ponto de vista econômico nesses casos. Em outras áreas, especialmente onde os danos foram menores, os rendimentos permanecem significativamente superiores.

A situação reforça os desafios relatados anteriormente por agricultores, que passaram a avaliar os custos de colheita diante da produtividade esperada.

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A aveia-branca também apresentou revisão negativa nos dois componentes da produção. A área estimada diminuiu de 387.697 para 382.637 hectares, enquanto a produtividade caiu de 2.322 para 2.177 quilos por hectare.

Com isso, a produção estimada recuou aproximadamente 7,5% entre os levantamentos, chegando a 832,8 mil toneladas. Na comparação anual, a queda projetada é de 10,99%.

Além dos efeitos das condições meteorológicas sobre o rendimento, a qualidade dos grãos permanece no radar. Na região administrativa de Ijuí, a Emater registra aveia colhida com PH inferior a 48, restringindo a comercialização para a indústria. Há também lavouras com baixo potencial produtivo sendo destinadas à cobertura do solo.

Cevada melhora estimativa, mas segue abaixo da safra anterior

A cevada foi a principal exceção entre as revisões de produção. A Emater elevou a estimativa de área de 20.320 para 21.591 hectares, enquanto a produtividade média passou de 3.020 para 3.114 quilos por hectare.

A combinação indica crescimento de aproximadamente 9,6% na produção projetada em relação aos parâmetros da semana anterior, chegando a 67.242 toneladas.

Essa melhora, entretanto, não significa recuperação em relação à safra passada. O novo volume estimado permanece 42% abaixo da produção de 2025, principalmente em razão da redução da área cultivada.

Além disso, o novo informativo mostra que a qualidade industrial continua sendo um desafio. Segundo a Emater, parte dos lotes destinados à produção de malte vem sendo desclassificada em testes preliminares nas lavouras. Mesmo entre as cargas recebidas pela indústria cervejeira, os índices de germinação e o tamanho dos grãos têm ficado ligeiramente abaixo dos padrões desejados, enquanto os teores da micotoxina DON aparecem acima dos níveis considerados adequados.

Assim, a revisão positiva de produtividade não elimina o risco comercial para agricultores que dependem da classificação do cereal para maltagem.

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A carinata completa o balanço das culturas de inverno. A Emater elevou a estimativa de área de 12.365 para 14.564 hectares, alta de 17,78% em relação à projeção inicial. Com produtividade média estimada em 1.572 quilos por hectare, a produção deverá alcançar aproximadamente 22,9 mil toneladas.

O boletim esclarece que a produtividade da carinata não havia sido estimada inicialmente devido à ausência de histórico de levantamentos da cultura. Por isso, não é possível calcular uma revisão de produção equivalente à apresentada para os demais grãos.

O conjunto das estimativas mostra que a safra de inverno gaúcha ainda apresenta mudanças relevantes nas expectativas de produção. Enquanto algumas culturas perderam área ou potencial de rendimento, outras tiveram estimativas elevadas.

Para os produtores, o resultado econômico dependerá não apenas dos volumes efetivamente colhidos, mas também da qualidade obtida, das condições de comercialização e dos custos envolvidos nas operações de colheita.

A continuidade dos trabalhos de campo será importante para verificar em que medida as estimativas atuais se confirmarão e quais volumes poderão atender aos padrões exigidos pelos diferentes mercados.

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