Abril mantém preços melhor do que o esperado para o arroz

Publicado em 19/04/2010 13:27 755 exibições
Elevação de preços tem razão muito pontual: baixo estoque de passagem em poder da indústria e redução no volume de safra, mas trajetória de alta está descolada das tendências internacionais, o que já faz surgirem sondagens de importação de arroz do Vietnã para o Nordeste

Os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul são “melhor do que o esperado” para este período de safra, quando tradicionalmente ocorre uma desvalorização pelo excesso de oferta e a própria pressão dos volumes colhidos com fartura no Rio Grande do Sul. O enxugamento de cerca de um milhão de toneladas no estado, associado ao desinteresse inicial de venda dos agricultores – esperando por mecanismos do governo federal e por uma alta nos preços internos – bem como os baixos estoques privados, principalmente de médias e pequenas indústrias, geraram essa inversão da tendência e uma alta que chega a 4,07% nos preços em pleno abril.

Os preços do arroz chegaram a R$ 28,08 na última sexta-feira (16-04), acumulando alta de 4,07%, segundo o indicador Cepea/Esalq – Bolsa de Mercadorias. A saca de 50 quilos, em casca (58x10), foi cotada a US$ 15,96, na equivalência cambial. A média semanal, segundo o mesmo indicador, foi de R$ 27,92, com alta de 1,9%. Em dólar, a média alcançou US$ 15,91. No mercado livre gaúcho, os preços variam de R$ 28,00 a R$ 29,00 na maior parte das praças, com demanda superior à oferta.

A safra gaúcha encontra-se com cerca de 70% da área colhida, produtividade decrescente e um atraso evidente. O tempo seco das últimas semanas permitiu a aceleração desse processo, mas que não se está traduzindo em entrada de grão nos armazéns da indústria na forma de concretização de negócios. Por sua vez, a indústria gaúcha tem ido com mais avidez ao mercado, mas buscando não acelerar demais o ritmo para evitar ter de criar uma cotação muito acima do que pretende pagar. Isso não só porque acredita em preços menores num período futuro, seja no mercado interno ou via importação do Mercosul ou terceiros países, mas também pelo motivo de não conseguir repassar esses valores para o varejo, bastante reticente e não aceitando uma alta em plena época de oferta de matéria prima.

Numa análise bastante razoável, o mercado entende que há um descolamento entre as cotações internas e externas – estas em baixa – em razão de temas muito pontuais, já citados, como queda produtiva, baixa oferta do produtor, baixo estoque privado de passagem e, uma demanda da indústria que apressou-se em comprar o produto da primeira metade da safra gaúcha para assegurar grãos de melhor qualidade, o que refletirá no padrão dos produtores que irão às gôndolas dos supermercados (e nos custos) ao longo do ano.

Mas, observando que o Brasil até o momento exportou um volume irrisório de grão, dentro do ano-safra – em março foram 9 mil toneladas -, que o Mercosul está micando boa parte de suas vendas do primeiro quadrimestre (principalmente do Uruguai para o Irã) e que já tem arroz vietnamita oferecido pelas trades – as mesmas que exportavam muito nos últimos anos – na faixa de US$ 480/490 dólares nos portos do Nordeste, é possível prever que a alta baterá, no máximo, no teto de paridade de importação. Hoje, segundo analistas, há arroz beneficiado do Uruguai chegando a R$ 28,00 no Nordeste (equivalência casca) e produto paraguaio abaixo dessas cotações chegando a São Paulo, via Foz do Iguaçu.

Uma forma de conter a entrada imediata de arroz asiático – e mais tarde norte-americano – no Brasil, o que afetaria significativamente o mercado (psicológica e economicamente), seria a alteração da TEC para terceiros países, hoje em 10%, medida que já é estudada pelos segmentos setoriais. Todavia, essa medida depende de anuência dos demais integrantes do Bloco do Mercosul, o que levaria tempo num processo altamente burocrático. O Brasil poderia baixar uma norma emergencial, alterando a tarifa incidente sobre produtos de terceiros países, mas de curto prazo. Certamente Uruguai, Argentina e Paraguai, que têm o Brasil como principal mercado, seriam favoráveis pelos seus interesses diretos. Todavia, dependeria da vontade do governo federal em ano eleitoral, quando comida barata é uma excelente plataforma.

MERCADO

Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS) indica no mercado livre gaúcho a saca de arroz em casca de 50 quilos cotada a R$ 28,30. O beneficiado, em sacas de 60 quilos (tipo 1) alcançou R$ 56,00. Entre os derivados, preços mantidos: o canjicão é cotado a R$ 26,00, a quirera a R$ 20,00 e a tonelada de farelo de arroz vale R$ 240,00.
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Fonte:
Planeta Arroz

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