Preços do arroz caem 2,78% em outubro

Publicado em 09/11/2010 08:40
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Tendência é mantida na primeira semana de novembro. Mas, há esperanças.
O preço médio do arroz em casca no Rio Grande do Sul caiu 2,78% em outubro, segundo o Indicador do Arroz Cepea-Bolsa Brasileira de Mercadorias (BVM&F). A saca de arroz em casca de 50 quilos (58x10), colocada na indústria, registrou preço médio de R$ 25,33 no último dia 29/10, acumulando mais um mês de perdas nas cotações. Em dólar, com a cotação do último dia 29/10, a saca de arroz equivalia a US$ 14,88, fechando o mês de outubro depreciada em 3,35%. O ritmo de queda em outubro foi similar a setembro, quando os preços recuaram 2,87%.

Na primeira semana de novembro, as cotações perderam 0,1% do valor, com a saca de 50 quilos do arroz em casca cotada a R$ 25,31 na indústria na sexta-feira passada (5/11). O feriado de Finados na terça-feira, que para muitos foi feriadão, ajudou a esfriar a comercialização, bem como as negociações da cadeia produtiva em Brasília.

A cadeia produtiva, porém, tem esperanças de que os preços evoluam nesse pico de entressafra com ações do governo federal para fomentar a comercialização (como PEP Exportação) e pela recuperação dos preços internacionais. Além disso, há uma ação do governo brasileiro para evitar a desvalorização exagerada do dólar, reagindo à demanda das cadeias do agronegócio que começam a amargar perdas. Com a guerra cambial, o Brasil começou a perder divisas importantes e irá reagir.

O fluxo de comercialização segue lento, arrastado, em compasso de espera para as medidas que o governo federal poderá anunciar ainda esta semana, segundo expectativa dos arrozeiros. A maior parte dos produtores de retiveram o cereal armazenado está mais capitalizada. Ainda assim, à medida que os mecanismos do governo atrasam, aumenta a pressão de venda em razão da necessidade de liberar armazéns para uma nova safra. E a expectativa é de uma safra cheia, o que demandará armazéns privados e públicos.

Uma das razões pela qual o setor arrozeiro se mobiliza também para manter a infra-estrutura de armazenamento e exportação da CESA em Rio Grande, que no apagar das luzes do atual governo gaúcho, pode voltar a ser um armazém geral. O que é preocupante, pois com uma safra maior, em 2011 o Rio Grande do Sul precisará mais do que nunca de um ponto de escoamento da safra. Reuniões na semana que passou não trouxeram boas notícias aos produtores. Além do governo federal se manter alheio ao fato dos preços de mercado estarem abaixo do mínimo de garantia, está confirmada a aplicação da IN6 para a classificação do arroz a partir de março de 2011, bem como a IN54 entrará em fase final de elaboração, prevendo mais custos de rastreabilidade ao arroz.

No mercado internacional, se mantém a alta de valores nos Estados Unidos. O Vietnã alcançou, em alguns tipos de arroz, a cotação da Tailândia, que historicamente se mantém de 5% a 20% acima. A Tailândia, em função de sua política interna e medidas que geram um câmbio artificial, busca sustentar os preços. No Mercosul, a ampliação da demanda em terceiros mercados, principalmente gerados pela alta do produto estadunidense, também forçou elevação entre 20 e 30 dólares a tonelada na última quinzena.

O Irga divulgou que o Rio Grande do Sul plantou 86% da área estimada para a próxima safra até o dia 4/11, o que indica a conclusão total no máximo em 15 dias. É um recorde de velocidade de plantio, o que deve assegurar uma colheita farta. Por hora, além da falta de renda e de capital para muitos produtores, o problema maior é a escassez de água muito pontual em algumas propriedades da Zona Sul, cujas barragens baixaram pela falta de chuvas nas últimas semanas.

Santa Catarina sente o reflexo de preços em baixa no Rio Grande do Sul, mas com produção muito ajustada à demanda industrial, o impacto tem sido menor do que no Rio Grande do Sul. Preços médios entre R$ 26,50 e R$ 27,00 naquele estado.

MATO GROSSO

No Mato Grosso, a redução da alíquota do ICMS da matéria-prima importada de outros estados e as parcerias firmadas com indústrias do Sul do Brasil, estão garantindo o abastecimento das pequenas e médias empresas. As cotações, no entanto, se mantiveram altas, com médias entre R$ 39,00 e R$ 40,00 em algumas regiões, pela absoluta falta de cereal em casca na mão do produtor. Para o próximo ano a situação deverá ser ainda mais complicada, pois a produção deste estado deverá reduzir, segundo a Conab.

PREÇOS

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 25,00 para a saca de arroz de 50 quilos, em casca, no Rio Grande do Sul. A saca de arroz beneficiado em 60 quilos alcança 52,50. O farelo de arroz é mantido na faixa de R$ 250,00 a tonelada (CIF), enquanto a quirera é comercializada a R$ 22,00 (60kg) e o canjicão em R$ 30,00 (60kg/FOB Porto Alegre/RS).
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Fonte: Planeta Arroz

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