Perguntas importantes para tomar a decisão sobre plantar ou não trigo em 2011

Publicado em 11/02/2011 09:25 e atualizado em 01/03/2020 14:39 837 exibições
Todo empreendimento tem três lados: produção, administração e comercialização. Se uma destas três partes falhar, destrói todo o esforço das outras duas. Com o trigo é a mesma coisa.  Não adianta plantar bem e colher bastante, se não se leva em consideração os custos ou as vendas. Então, no momento em que os triticultores estão tomando suas decisões sobre se plantam ou não a sua área de trigo para a safra 2011/12, seria importante levar em consideração alguns aspectos:

1.      Na área de produção:

a)      Vou ter as sementes de trigo pão ou trigo melhorador exigidas pelo governo para garantia do financiamento, seguro e Preço Mínimo, além dos insumos necessários?

b)      Eu sei quais os tratos culturais necessários para estas (novas) variedades?

c)      Quais as condições que o solo apresenta neste momento e que pode apresentar nos próximos 4 meses?

2.      Na área de administração:

a)      Quais os meus custos de produção do trigo para esta nova temporada?

b)      Quais as perspectivas de receita com que posso contar?

c)      Qual a minha estimativa de lucro com trigo com este plantio?

3.      Na área de comercialização:

a)      Quais as perspectivas que os preços do trigo oferecem para 2010/11?

b)      Quais os mecanismos de comercialização de que posso dispor?

Evidentemente que o questionário completo é muito mais extenso que isto, mas estas seriam as diretrizes mestras a grosso modo que o produtor deveria fazer para tomar uma decisão sobre plantio ou não de trigo, ou de qualquer outra cultura. A mais importante de todas é a pergunta sobre custos de produção, comparado com os preços de venda do produto.

O ideal seria que o triticultor pudesse semear, já sabendo perfeitamente qual o seu custo de produção e qual o preço que iria receber pelo trigo quando colhesse. Mas, isto é possível? Sim, perfeitamente possível para os triticultores dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália e Europa, que já dispõe de mercados futuros, as famosas Bolsas de Chicago, Kansas, Paris, Buenos Aires, ASX, etc, onde o triticultor sabe hoje exatamente qual o preço firme para setembro/11, março/12, até julho/13 e pode calcular se sua operação terá lucro ou prejuízo e quanto, antes mesmo de plantar. Como não temos ainda, no Brasil, o tal mercado futuro de trigo, o triticultor tem que se valer das perspectivas que as Bolsas Internacionais apontam para os meses futuros, embora não haja uma correspondência exata entre os preços externos e internos. O primeiro passo para termos mercados futuros no país é definirmos os padrões de qualidade, o que começará a ser feito nesta próxima safra, com as novas regras sobre padrões de trigo estabelecidos pelo governo.

Com relação às respostas sobre as perspectivas dos preços do trigo para a próxima temporada, o que se pode ver no horizonte é que os preços deste primeiro semestre de 2011 devem se manter altos, diante do aperto da oferta e do aumento considerável da demanda, fato não registrado ainda pelo USDA no relatório de ontem para não causar pânico, mas  que todos os analistas concordam neste momento. Aliás, para os executivos de empresas multinacionais como Kraft, Sara Lee e Campbell, que utilizam largamente trigo e milho como matérias primas, os danos causados no quadro de oferta e demanda destes produtos devem se estender sobre as safras 2011/12 e 2012/13, de modo que é possível sonhar com preços compensadores para os próximos dois anos. Como não temos mercado futuro no Brasil, é provável que os preços internos não acompanhem os preços externos, mas, pelo menos, pode-se acreditar que os níveis se manterão elevados, próximos do Mínimo, um pouco mais, um pouco menos, algo ao redor de R$ 440,00 no RS e R$ 480 no Paraná.

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Fonte:
Trigo & Farinhas

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