Produtor pede ajuda para enfrentar feijão da China

Publicado em 25/02/2011 08:17 605 exibições
Os produtores de feijão da região Sul do país pediram socorro ao governo federal nesta semana. Uma inédita avalanche de produto importado da China e a tímida ajuda do governo aprofundaram a depressão nas cotações do feijão brasileiro.

Em resposta aos produtores, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, avalia colocar travas à importação de feijão comprado abaixo do preço mínimo de garantia, hoje em R$ 80 por saca. Em três meses, o Brasil trouxe 28 mil toneladas de feijão preto do exterior - o equivalente a 8% da produção total do país.

O governo também cogita aumentar a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul, hoje em 10%, para proteger a produção local. O feijão chinês tem boa qualidade e tem sido vendido no mercado entre R$ 65 e R$ 70 por saca. "É um contrassenso o que está acontecendo. Os produtores estão tendo que vender aqui a R$ 55 ou R$ 60", diz o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR).

No Paraná, estima-se uma colheita de 893 mil toneladas de feijão, um volume 12% superior às 794 mil toneladas produzidas na safra passada. Diante do excesso de oferta do produto, o preço recuou. E alimentou as fortes oscilações. Em 2010, a saca de fejião chegou a valer até R$ 200, mas hoje não passa R$ 60. O problema é estar abaixo do preço mínimo de R$ 80.

O governo tenta ajudar com aquisições diretas (AGF) e leilões de subsídio ao frete (PEP). Até março, o governo deve adquirir 60 mil toneladas de feijão. Para as operações de PEP, serão mais R$ 50 milhões. "Esses recursos devem trazer um certo alívio. Há expectativa de que 300 mil toneladas sejam retiradas do mercado. Com isso, os preços devem reagir", prevê Micheletto.

Mesmo com a intervenção positiva do governo federal, há quem reclame. Os produtores familiares afirmam que uma mudança nas regras das AGFs podem prejudicar quem realmente demanda liquidez. O governo autorizou a ampliação, de 100 para 500 sacas, do limite de AGF por beneficiário. Uma medida aparentemente mais abrangente pode deixar de fora algumas centenas de produtores.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula que, dentro do limite de 100 sacas de feijão por produtor, atenderia até 5 mil produtores nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com o "teto" ampliado para 500 sacas, o público beneficiado deve ficar limitado a 1 mil produtores.

O deputado Moacir Micheletto discorda dessa avaliação: "Trata-se de uma outra boa notícia para a cadeia produtiva do feijão. Os produtores terão garantidos mais recursos para quitar suas dívidas de custeio e investimentos contraídas durante os plantios", afirma. O governo pretende, segundo o deputado, adquirir até 12 mil toneladas de feijão no Paraná.

Deputados discutem apoio a comercialização de feijão

O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR) discutiu nesta quarta-feira (23) com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, mecanismos de apoio à comercialização do feijão no Paraná, onde os produtores estão vendendo a preços abaixo do valor garantido pelo governo federal. O deputado reclamou das importações de feijão procedentes da China e do Peru, o que contribuiu para deprimir ainda mais os preços recebidos pelos agricultores paranaenses. A situação do trigo, do milho, do seguro agrícola e o Código Florestal também foi debatida no encontro.

Ficou combinado que o Ministério da Agricultura analisará com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a implementação de mecanismos que possam dificultar essas importações quando o preço do produto importado for abaixo do preço mínimo. Na audiência com o ministro Rossi, não se descartou a fixação de TEC (Tarifa Externa Comum) para onerar o produto quando aqui desembarcar. Foi sugerido ainda maior rigor na fiscalização quanto aos aspectos fitossanitários quando os grãos forem procedentes de países não tradicionais no comércio com o Brasil.

Importações - “É um contrassenso o que está acontecendo com a cadeia produtiva do feijão, pois enquanto os produtores estão vendendo a saca de 60 quilos entre R$ 55 e R$ 60 – para um preço mínimo de R$ 80,00 - os intermediários importam o cereal da China e do Peru”, protestou. Micheletto revelou que em janeiro passado as importações pelos portos de Paranaguá, Santos e Itajaí alcançaram o volume de 13,1 mil toneladas de feijão a cotações bem inferiores ao preço mínimo garantido pelo governo federal.

O deputado reconheceu que a liberação anunciada pelo Ministério da Agricultura de R$ 50 milhões para o Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) deve amenizar essa situação vivida pelo setor. “Eu acredito que esses recursos venham trazer um certo alívio, pois há uma expectativa de que 300 mil toneladas podem ser retiradas das mãos dos produtores da região Sul e com isso os preços devem reagir”, explicou.

Micheletto comemorou a decisão do Ministério da Agricultura de aumentar de 100 para 500 sacos o limite por produtor que pode ser negociado nas aquisições do governo federal. Nessas operações, o governo pretende adquirir até 12 mil toneladas no Paraná. “Trata-se de uma outra boa notícia para a cadeia produtiva do feijão porque os produtores terão garantidos mais recursos para quitar suas dívidas de custeio e investimentos contraídas durante os plantios”.

É tão preocupante a situação dos produtores de feijão do Paraná que mais de dez parlamentares paranaenses de diferentes partidos estiveram na audiência com o ministro da Agricultura ao meio dia desta quarta (23), no Centro de Treinamento da Conab, em Brasília. Articulado pela senadora Gleisi Hoffman (PT), o encontro contou também com presença do presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, e Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), além de representantes de outras entidades.

Safra - A expectativa é de que sejam colhidas 893 mil toneladas de feijão no estado, um volume 12% superior ao que foi colhido na última safra, de 794 mil t. Com isso, o preço caiu e a saca de 60 quilos, que no ano passado chegou a ser vendida entre R$ 180,00 e R$ 200, 00 no estado, vale agora entre R$ 55,00 e R$ 60,00 - um valor bem inferior ao preço mínimo estabelecido pelo governo, que é de R$ 80,00 no Paraná. A produção brasileira está estimada para este ciclo em 3,8 milhões de toneladas.

Fonte: Site Oficial Deputado Moacir Micheletto

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Valor Econômico

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