Trigo da Argentina tem W fraco: e agora?

Publicado em 01/03/2011 09:26 1026 exibições
A colheita de trigo na Argentina terminou em dezembro e as primeiras cargas da safra nova estão chegando com mais intensidade agora aos moinhos brasileiros, que estão constatando o mesmo problema encontrado no ano passado na safra de trigo pão do Paraná: W muito fraco (em relação à qualidade média do trigo argentino). Segundo informações nesta quinta-feira da chefe de um grande moinho importador no Brasil que preferiu o anonimato, o W do trigo argentino, que costuma ser 320, nesta safra, está vindo entre 270 e 280 e baixa proteína, cerca de 9%/9,5% contra a média de 11%/12% dos anos anteriores. “Isto não chega a perturbar a qualidade da nossa farinha, afirmou ela, mas confirma a queda da qualidade do trigo argentino desta safra”.
Qual o problema que isto pode trazer?

Uma das maiores necessidades dos moinhos é a regularidade da matéria prima, uma vez que também tem que apresentar qualidade regular da farinha produzida, que, por sua vez, será matéria prima para a produção de produtos finais nas padarias e confeitarias, que precisam “manter a qualidade” como exige o consumidor. Ora, se a qualidade da matéria prima vinda da Argentina caiu, ou está sendo mantida à base de enzimas artificiais, é possível que alguns moinhos decidam importar matéria prima de melhor qualidade, como a que se produz nos Estados Unidos ou no Canadá. Se assim, for, aconselhamos os compradores a colocar suas ordens ou fazer seus hedges antes que os preços internacionais voltem a subir novamente. A diferença entre o preço do trigo brasileiro e o trigo canadense atingiu -32,40% nesta segunda-feira; em relação ao trigo duro americano a diferença foi de -23,58% e em relação ao trigo argentino foi de -10,39%.

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Trigo & Farinhas

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1 comentário

  • FREDERICO DAVILA Buri - SP

    Agora garanto que os moinhos não vão botar nenhum defeito no trigo nacional.

    Tudo serve e tudo sempre foi bom!

    É uma vergonha a maneira que certos moinhos se relacionam com o triticultor brasileiro e o governo federal fica amuado e nada faz.

    Recebem em Brasília o sr. Lawrence Pih e outros figurões da indústria moageira nacional com honras e pompas e só se preocupam com o preço do pãozinho e com o desabastecimento dos estoques de trigo, nem que isso sacrifique a renda de milhares de triticultores brasileiros.

    São reuniões corporativas e unilaterais, regadas à champagne francês e desfile de carrões importados dos moageiros, enquanto o triticultor padece no campo. Uma vergonha, uma esculhambação!

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