Arroz: Reação em maio e expectativa para junho

Publicado em 03/06/2011 09:47 406 exibições
Depois de desvalorizar quase 2% em maio, cotações fecharam o mês praticamente como terminaram abril, com variação positiva de ínfimos 0,05%. Mecanismos de comercialização, final da safra, boatos de valorização do grão no mercado internacional, tornam junho um mês de grande expectativa

Diante do cenário de queda contínua e falta de perspectiva de reação dos preços do arroz ao produtor até o dia 24 de maio, a última semana do mês que recém encerrou foi positiva. As cotações reagiram e inverteram a queda de 2% dos preços sobre o mês de abril. Terminaram estabilizadas, com ínfima variação de 0,05%, com a saca de arroz de 50 quilos (58x10), colocada na indústria, cotada a R$ 19,23, segundo o Indicador de Preço do Arroz em Casca no Rio Grande do Sul Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias (BVMF). Em dólar, no dia 31 de maio, a saca de arroz em casca valia o equivalente a US$ 12,17. Nesta quinta-feira, 2 de junho, o indicador fechou com queda acumulada de 0,52%, com cotação média em R$ 19,13 para a saca de arroz gaúcho. Em dólar, pela cotação do dia, a equivalência alcançou R$ 12,12. Na semana, segundo o indicador, a média de preços foi de R$ 19,19.

A expectativa em torno do primeiro leilão de contratos de opção pública de venda de arroz, reforçando o PEP e os AGFs, foi a principal causa desta elevação dos preços. Ainda assim, o final da safra no Sul e notícias provenientes da Europa sobre uma possível valorização dos preços internacionais do arroz, pelo aumento do consumo em detrimento da alta de preços do milho e do trigo, principalmente na Ásia, somam-se a este cenário.

No mercado livre gaúcho os preços médios tiveram uma ligeira recuperação, principalmente em razão dos mecanismos de comercialização, superando em várias praças a média de R$ 19,00 como referência. Ainda assim, conforme pode ser visto no Fórum do Leitor de Planeta Arroz, é grande a queixa dos produtores da Zona Sul e da Fronteira Oeste, pelo “aperto” na classificação dos grãos pela indústria, forçando uma baixa ainda maior e preços médios entre R$ 15,00 e R$ 17,00, livres ao produtor, por saca. As variedades nobres (BR Irga 409 e Irga 417) encostaram nos R$ 24,00 a saca para produto 64x6 no Litoral Norte, com o Irga 422CL chegando a ser cotado em R$ 22,00 para 62% de inteiros, acima.

Há também, apesar do incontestável efeito positivo, principalmente psicológico, dos leilões de contratos de opção, a queixa de que o mecanismo só vai atender produtores que estão capitalizados, têm armazéns próprios, ou acesso facilitado, e baixo custo de produção. Quem está descapitalizado, e esse volume deve superar a metade dos arrozeiros gaúchos e catarinenses, não terá acesso a mais este mecanismo. Em Santa Catarina as cotações se mantiveram nas diferentes praças, com cotação média de R$ 19,00 no Sul do Estado e R$ 21,00 em Turvo. No Mato Grosso foi mantida a tendência de desvalorização, com cotações médias entre R$ 24,00 e R$ 24,50 para saca de 60 quilos do grão (55% acima) em Sinop e Sorriso.

Esta semana outras duas notícias deixaram a cadeia produtiva em alerta: uma decisão do STF contrária a Guerra Fiscal entre os estados, que pode ter desdobramentos na área do arroz, considerando que a tributação diferenciada é um dos maiores problemas do cereal gaúcho, e a decisão da Justiça da ilegalidade do pagamento do Funrural, inicialmente prevista apenas para empresas do Mato Grosso do Sul, mas que também pode refletir na cadeia produtiva do arroz futuramente. Em contrapartida, a Justiça considerou que a União não é obrigada a determinar os preços mínimos do arroz sob o argumento do custo de produção da cadeia produtiva, outro tópico de intensa discussão no site de Planeta Arroz esta semana.

Diante deste cenário, os produtores de arroz seguem agindo em duas frentes. A primeira, politicamente, busca ampliar prazos de vencimentos dos financiamentos de custeio e comercialização, reparcelar dívidas, bloquear o ingresso de arroz importado e ampliar as exportações. Parte deste esforço até foi alcançado com a aprovação da norma de qutoriza a doação humanitária de até 500 mil toneladas de arroz, o que dificilmente se confirmará, considerando o custo do frete. Em outra frente, os arrozeiros gaúchos e catarinenses protestaram publicamente, em diversos municípios, e levaram cartas pedindo a prorrogação dos financiamentos às agências bancárias.

EXPECTATIVA

Diante do cenário exposto, junho é mês de expectativa para os produtores. Um ligeiro aumento da oferta já refletiu no mercado a partir da última terça-feira, com as indústrias voltando a adotar mais cautela nas negociações e apertando a classificação. A dependência de armazéns credenciados – boa parte na mão da indústria – para acessar os mecanismos de comercialização, faz com que o produtor acredite que o segmento empresarial não abrirá mão de formar estoques pagando, liquido, entre R$ 15,00 e R$ 17,00 pelo arroz, para ocupar seus armazéns com arroz que terá que desembolsar o preço mínimo.

Os analistas ainda insistem com a busca da paridade de preços nacionais com os de importação, algo entre R$ 21,00 e R$ 22,00 atualmente nos próximos meses, mas agora já jogam esse referencial para as proximidades de agosto. Nesta época, em tese, reduz a oferta. Todavia, é o momento em que entra no comércio internacional a safra dos Estados Unidos, apesar de severas perdas em 2011, que pode baixar preços no mercado ocidental. E também há uma pressão de oferta interna para a formação das lavouras – principalmente de quem precisa negociar diretamente com os fornecedores de insumos – e das importações do Mercosul. O câmbio será decisivo. Por hora, o importante, segundo os especialistas, é que o Brasil exporte o maior volume possível do grão, aproveitando preços competitivos no mercado externo e, também, os incentivos do PEP.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica manutenção dos preços médios de R$ 40,50 para a saca de arroz de 60 quilos, beneficiado, sem ICMS, na capital gaúcha. A média do produto em casca no estado é de R$ 19,00. Já para os derivados, a situação é idêntica. Seguem com preços estáveis devido à demanda para exportação. Caso do canjicão a R$ 29,00 (Fob/60kg) e da quirera a R$ 25,00 (Fob/60kg). O farelo vem demandado como sucedâneo no milho, na formulação de rações animais, mantido em R$ 220,00 a tonelada (FOB/RS).

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Planeta Arroz

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