Arroz: Junho com melhores preços na primeira quinzena

Publicado em 13/06/2011 14:52 288 exibições
Mecanismos do governo, fim da safra e comentários de redução de área por falta de água no Rio Grande do Sul valorizam o arroz.
A segunda semana de junho indica uma alta de 1,09% nos preços do arroz, segundo o Indicador de Preços do Arroz em Casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias (BVMF). A média referencial de preços de fechamento desta sexta-feira (10) foi de R$ 19,44 para a saca de arroz em casca de 50 quilos (58x10) colocada na indústria gaúcha, recuperando um início de semana de desvalorização de 0,78%, quando a cotação média era de R$ 19,08. Em dólar, a sexta-feira indicou valor de US$ 12,17, pelo câmbio do dia. Na semana, a média de preços foi de R$ 19,29, segundo a mesma fonte.

No mercado livre as negociações esfriaram, acompanhando o clima no Sul do Brasil. Com o fim da safra, os produtores estão mais preocupados em assegurar a negociação dos compromissos, focando mecanismos de comercialização e renegociação de dívidas. Alguns destes fatores estão garantindo esta reação dos preços. O primeiro deles é o crescimento das negociações via leilões de PEP, os contratos de opções públicas e AGFs, que retiram do mercado o arroz dos produtores mais capitalizados e com acesso ao crédito. Consolida esta posição, o anúncio dos bancos de que haverá prorrogação dos vencimentos dos financiamentos de custeio e comercialização. E para ajudar, que os produtores poderão pagar com os créditos dos contratos de opções (de R$ 29,00 em novembro), os financiamentos assumidos.

Com isso, fica a mercê das oscilações do mercado o arroz dos produtores menos capitalizados, sem acesso ao crédito oficial e que, portanto, pagam juros mais altos. À medida que o arroz dos produtores em melhores condições financeiras se retira do mercado, o produto dos demais é um pouco mais valorizado. E o produtor, vendo esta reação, segura um pouco mais a oferta.

PEP

O leilão de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) para 130 mil toneladas de arroz realizado nesta quinta-feira pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) negociou 84,62% da oferta. Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram negociação total da oferta, 10 mil toneladas e 100 mil toneladas, respectivamente.

O leilão também ofertou negócios para 10 mil toneladas de arroz destinadas ao Mato Grosso do Sul e 10 mil toneladas para o Paraná, cujos mercados não apresentaram interesse, apesar do prêmio. O valor total da operação atingiu R$ 16,28 milhões. O prêmio de abertura era de R$ 7,40 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em 15 dias, novo leilão deve ser realizado.

OPÇÕES

O governo federal também anunciou a imediata compra de mais 1,2 milhão de toneladas de arroz do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Por meio dos contratos de opção pública haverá cotações de até R$ 29 por saca de 50 quilos, para recebimento em 30 de outubro. Ainda que artificial e assegurado apenas a produtores capitalizados, o mecanismo cria um referencial que ajuda a sustentar uma recuperação dos preços, muito aviltados em razão do excesso de oferta da safra recorde no Brasil e no Mercosul. Também serão comprados 2 milhões de toneladas através do Prêmio de Escoamento de Produto, e foi aprovada a Medida Provisória 519, que permite a doação de alimentos para assistência humanitária internacional e pode retirar dos estoques até 500 mil toneladas de arroz, e os contratos de opções público-privados. Somadas todas as medidas, os incentivos ultrapassam R$ 1 bilhão.

Além disso, há dois fatores que podem interferir na comercialização nos próximos meses: a inegável possibilidade de redução de área no Sul do Brasil em razão do baixo valor de vendas do produto ao longo de 2011 e também o clima, até o momento, que mantém baixas as barragens na Campanha e na Fronteira-Oeste gaúchas. A falta de chuvas vem castigando a zona arrozeira, principalmente a Campanha, que precisam da recomposição dos mananciais para assegurar a irrigação da próxima safra.

Todavia, o período de maior intensidade de chuvas na região é justamente entre julho e outubro. O problema é que há muitos produtores que preferem cultivar a área já dimensionada de acordo com o volume de água disponível nos açudes. Pela baixa rentabilidade do arroz em 2011, o volume de tecnologia empregado na safra, principalmente insumos, deve ser menor. Ou seja, há uma previsão inicial de redução de área e de produtividade, o que deverá afetar a produção. E o mercado já faz essa leitura.
Os próximos dois meses e meio serão determinantes para a tomada de decisão dos arrozeiros e a formação do cenário da nova safra, que refletirá em muito as condições da colheita recém concluída e da comercialização ao longo de 2011.

A expectativa é de que os preços sigam em recuperação com a prática dos mecanismos do governo até um patamar entre R$ 20,50 e R$ 22,00, referenciados pelos preços de paridade de importação.

SAFRA

Na última quarta-feira a Conab divulgou o 9º Levantamento da Safra de Grãos 2010/11.
Indicou a produção de 13,812 milhões de toneladas, acréscimo de 18,4% sobre as 11,660
milhões de toneladas de 2009/10. No oitavo levantamento, era projetada uma
produção de 13,902 milhões de toneladas para 2010/11, o que indica uma redução de quase 100 mil toneladas sobre a projeção de maio.

A área plantada em 2010/11 é estimada em 2,863 milhões de hectares, contra 2,764 milhões semeados na safra 2009/10. A produtividade média das lavouras alcançou expressivos 4,824 mil quilos por hectare, aumento de 14,4% sobre os 4,218 mil kg/ha na temporada anterior.

O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, colheu 8,832 milhões de toneladas, 20,5% a mais do que no ano passado, em 1,162 milhão de hectares, área 7,3% superior. A produtividade média foi de 7,6 toneladas por hectare, ante 6,781 t.

Em Santa Catarina, a Conab indica recuo de 5,7%, totalizando de 996,4 mil toneladas, seguido pelo Mato Grosso, onde é realizado o plantio de sequeiro, com safra estimada de 786 mil toneladas, 40 mil toneladas acima da colheita de 2010.
 
INTERNACIONAL

O relatório de junho de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), projeta a produção mundial de arroz beneficiado em 456,39 milhões de toneladas para 2011/12. Para 2010/11, é estimada safra de 450,01 milhões de toneladas.
As exportações mundiais de arroz beneficiado devem alcançar 32,34 milhões de toneladas para 2011/12 e o consumo 458,73 milhões de toneladas.

MERCADO

Segundo a Corretora Mercado, de Porto Alegre, os preços médios do arroz e seus derivados mantiveram relativa estabilidade esta semana no mercado gaúcho. A saca de arroz de 50 quilos, em casca, é comercializada, em média, a R$ 19,00, enquanto o saco de 60 quilos, beneficiado e sem ICMS, é cotado a R$ 40,50. Entre os derivados, apenas a tonelada do farelo de arroz valorizou, em razão da sua relatividade com o milho. A tonelada (FOB) passou de R$ 220,00 para R$ 230,00. O canjicão se manteve em R$ 29,00 para a saca de 60 quilos e a quirera, no mesmo volume, cotada a R$ 25,00.

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Planeta Arroz

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