Hortaliças sofrem com prolongamento da quarentena no cenário dos hortifrutis

Publicado em 20/04/2020 14:03 1008 exibições
De acordo com balanço do Cepea/Esalq, entre 13 a 17 de abril, a alface crespa em Ibiúna teve queda de mais de 18%; perecibilidade e fechamento de escolas e redes de food service faz a demanda seguir baixa

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Em meio ao período de isolamento social por conta da pandemia de coronavírus, os horticultores estão vendo preços despencarem e até  fazendo descarte de produtos. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em março a oferta de alface aumentou, mas a demanda retraiu devido ao fechamento de escolas, cadeias de food service e com a população indo menos aos supermercados, buscando produtor menos perecíveis. 

De acordo com a divisão de Hortifruti do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), A disponibilidade de frutas e hortaliças será maior a partir de meados de abril e maio - período que ainda deve ter restrição de mobilidade das pessoas porconta da covid-19. A maior oferta e a demanda mais limitada podem resultar em desvalorização e perdas

Conforme análise do Cepea/Esalq, entre os dias 13 e 17 de abril, os valores das alfaces continuaram a diminuir nas roças paulistas, como Mogi das Cruzes e Ibiúna. No caso deste último município, a alface crespa teve queda de 18,66%, com preço médio de R$ 7,70/cx com 20 unidades.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, divulgada no último sábado (18), produtores do Cinturão Verde da região metropolitana de São Paulo estimam queda de até 80% nas vendas, e relatam também o descarte de produtos ou até uso da produção para adubo. 

De acordo com o produtor rural e permissionário da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Henrique Losqui, a situação é verdadeira, já que até as poucas feiras livres que estão funcionando tiveram queda na frequência de clientes. 

A Conab informou em boletim emitido no último dia 16 que muitos produtores estão colhendo quantidades menores pelo risco de não conseguirem mercado ou dos preços estarem muito baixos. Há ainda produtores que já estão substituindo suas áreas por novos plantios ou por outras hortaliças na expectativa de uma normalização do mercado em curto prazo.

Conforme informações da Conab, a primeira semana de abril houve aquecimento da demanda nas Centrais de Abastecimento, em razão da Semana Santa, mas não foi suficiente para representar aumentos consideráveis nos níveis de comercialização, já que o fluxo de usuários ainda é abaixo da média. Este aquecimento no consumo ocasionou a elevação dos preços de algumas culturas, como tomate, batata e cenoura, além de
ovos.

Os dados da Conab apontam que nos primeiros dez dias de abril na Ceagesp – São Paulo, o tomate aumentou 20%, a batata 12% e a cenoura 13%. Já na Ceasa/PE – Recife, os percentuais foram maiores, alcançando 58% para o tomate e 38% para a batata, em relação à semana anterior.

"Isso também está afetando as frutas de época que precisam de maior escoamento, como o caqui, por exemplo, que está começando a safra. Muito produtor vai perder no pé, porque não tem como escoar nas feiras, ou com os marreteiros, aquelas pessoas que vendem na rua, em beira de estrada".

Losqui relata que muitos produtos de época estão travados, poruque tem volume de venda, mas não há preço, como no caso do caqui, em que ele estima queda em torno de 50% no valor. 

Para fazer doações destes alimentos que não são vendidos, o produtor aponta que a situação é inviável, uma vez que o produtor não consegue arcar com os custos do transporte. 

De acordo com Losqui, em relação ao movimento de vendas observado por ele no Ceagesp, o consumo de citros segue normal, e o Cepea/Esalq apontam principalmente elevação nos preços do limão tahiti. 

Entretanto, alguns produtos mais perecíveis ou de época, estão ficando encalhados, e segundo Losqui, muitos permissionários da Ceagesp continuam adotando o sistema de compra em consignação, sem garantia de preço ao produtor. 

FUNCIONAMENTO NA CEAGESP

De acordo com nota da Ceagesp, na última sexta-feira (17), a estimativa era de comercialização de cerca de 12.000 a 16.000 toneladas de hortifrutícolas no maior entreposto da América Latina, movimento considerado pela Companhia como semelhante às médias históricas. 

"Nesta semana, os compradores estão repondo os estoques e percebe-se um movimento ligeiramente inferior ao da semana santa, ou seja, comercialização cronológica habitual", informa o comunicado.

A Ceagesp comunicou ainda que desde a entrada da Covid-19 e das restrições impostas no estado de São Paulo, a concentração da movimentação de mercadorias ficou mais acentuada às segundas, quartas e sextas-feiras. 

"Mesmo com este novo cenário, os permissionários da Ceagesp continuam mantendo a oferta de hortifrútis constante, assegurando o abastecimento regular no entreposto".

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Por:
Letícia Guimarães dos Santos
Fonte:
Notícias Agrícolas

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