Laranja tahiti: Com pico de safra, preço médio do tahiti cai 45% em fevereiro

Publicado em 04/03/2013 11:11
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A safra de lima ácida tahiti no estado de São Paulo entrou em pico de colheita em fevereiro. Com isso, as cotações da fruta têm recuado expressivamente. No mês passado, a média da caixa de 27 kg (colhida, sem frete) destinada ao mercado in natura foi de R$ 4,42, quase 45% abaixo do verificado em janeiro/13 e pouco acima dos R$ 4,22/cx de fevereiro do ano passado, segundo levantamentos do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

A oferta da lima ácida aumentou efetivamente na segunda quinzena de fevereiro e deve começar a se reduzir apenas no final de março. Com isso, os preços se enfraquecem e produtores buscam canais alternativos para o escoamento.

Pesquisadores do Cepea explicam que, paralelamente ao mercado de consumo in natura, produtores podem optar pela venda à indústria, que iniciou o processamento de tahiti no começo de fevereiro. Por enquanto, contudo, apenas uma empresa tem comprado a fruta. Essa fábrica tradicionalmente aproveita o período de maior oferta para produzir suco e outros derivados da lima ácida e está estrategicamente localizada em Matão próximo ao polo produtor de Itajobi. 

No início de fevereiro, essa indústria pagava R$ 5,50 pela caixa de 40,8 kg, já entregue (frete pago pelo produtor). Desde a semana do carnaval, no entanto, com o objetivo de estimular as entregas, essa indústria tem adquirido a tahiti por R$ 6,00/cx. Pesquisadores do Cepea relatam que, com esse ligeiro aumento no preço e também levando-se em consideração que o mercado de mesa não consegue absorver todo o volume colhido, o interesse por escoar as frutas para esta indústria cresceu. Chega a haver filas para o descarregamento no portão da processadora há relatos de permanência de até dois dias. 

No entanto, comparativamente aos valores recebidos na venda ao mercado de mesa, os preços pagos pela indústria são considerados pouco atrativos por produtores. Isso porque a média de R$ 6,00 se refere à caixa de 40,8 kg, e não de 27 kg, como negociado no mercado in natura. Além disso, no mercado de mesa, os cerca de R$ 4,00/cx. 27 kg ora oferecidos correspondem à fruta colhida, no barracão, enquanto que, para a indústria, o produtor ainda precisa arcar com o frete até a unidade de processamento dados do Cepea. 

Alguns produtores consultados pelo Cepea tentam recorrer à indústria também para entregar frutas de baixa qualidade. No entanto, o comentário é que a processadora tem aumentado as exigências quanto ao padrão da lima ácida e, em caso de qualidade e calibre não satisfatórios, rejeita a carga. 

Mercado Externo

Segundo pesquisadores do Cepea, outro mercado que atrai produtores paulistas nesta época do ano é o externo. Alguns barracões especializados no mercado internacional, além de terem produção própria, também adquirem a fruta de produtores que conseguem manter o padrão de qualidade exigido. De acordo com levantamentos do Cepea, o produtor que vendia para esses exportadores recebeu R$ 10,00/cx de 27 kg na última semana. 

Com relação à produção mundial de limas e limões para consumo in natura, deve haver queda de 4% na safra 2012/13 frente à anterior, segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O México, principal concorrente do Brasil no cenário internacional, deve ofertar um bom volume de lima ácida apenas entre maio e julho, período de pico de safra no país. Com isso, já tem sido observado aquecimento na demanda pela fruta brasileira.

Em janeiro, as exportações de limões e limas totalizaram 8,6 mil toneladas, volume 27,4% superior ao do mesmo mês de 2012, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em receita, os envios de janeiro somaram US$ 7,6 milhões, 29% a mais que em janeiro/12. Para os próximos meses, exportadores também se mantêm otimistas. A União Europeia é o principal destino da fruta brasileira, absorvendo cerca de 90% do total vendido pelo Brasil.
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Fonte: Cepea

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