Produtores de Campo Verde relatam ataques de lagartas nas lavouras de milho BT

Publicado em 20/03/2013 16:39
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Produtores da região de Campo Verde estão preocupados com a incidência de lagartas nas lavouras de milho BT (Bacillus thuringiensis). O milho Bt é uma designação genérica para os materiais geneticamente modificados que são tóxicos para algumas espécies de lagartas e outros insetos. Os agricultores procuraram a comissão de Gestão da Produção da Aprosoja, que organizou uma visita técnica a algumas lavouras na quinta (14) acompanhada do pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, doutor Rafael Pitta.

Pitta coletou amostras de lagartas para ensaios de resistência. Assim, ele poderá quantificar a taxa de sobrevivência destes indivíduos. No local, o pesquisador já verificou a presença da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e não da lagarta-da-espiga de milho (Helicoverpa zea), como os produtores rurais do município suspeitavam.

Segundo Pitta, as lagartas estão em diferentes níveis de infestações em cultivares de milho com tecnologias Cry 1F e/ou Cry 1Ab. No entanto, ainda é cedo para afirmar tecnicamente que está ocorrendo quebra de resistência da tecnologia Bt, pois materiais de milho que expressam apenas uma proteína inseticida, como nas áreas visitadas, podem sofrer ataques de lagartas em situações de alta pressão populacional, explicou.

De acordo com a gerente da comissão de Gestão da Produção, Franciele DalMaso, nestas condições de pressão populacional, a aplicação de inseticidas torna-se necessária, principalmente em cultivares que expressam a proteína Cry 1Ab. No entanto, em 2010 foi comprovada a resistência de populações de Spodoptera frugiperda à proteína Cry 1F em Porto Rico, com apenas quatro anos de utilização da tecnologia, informou.

Recomendações Entre os motivos que levam à ocorrência de problemas com a lagarta estão: a redução gradual da vida útil das tecnologias disponíveis no mercado, a influência do clima, a ineficiência nas aplicações ou dos inseticidas e, principalmente, o descuido no manejo, sobretudo com relação à implantação das áreas de refúgio.

A comissão de Gestão da Produção recomenda aos produtores que utilizem cultivares com duas ou mais proteínas inseticidas em regiões com alta pressão populacional ou com histórico de falhas no controle. Além disso, que utilizem o controle químico, de preferência com inseticidas fisiológicos, para diminuir a frequência de indivíduos naturalmente resistentes às proteínas expressas em cultivares que apresentem ataque significativo de lagartas.

Outro ponto destacado é a necessidade de fazer o refúgio, que é uma área destinada às mariposas para a reprodução de insetos suscetíveis às toxinas Bt que, ao se acasalarem com indivíduos originários da área transgênica (eventualmente já resistentes às toxinas), possam gerar descendentes não-resistentes, reduzindo a velocidade de seleção da espécie. E, para finalizar, a Aprosoja recomenda que os produtores voltem a aplicar o Manejo Integrado de Pragas (MIP), que visa acompanhar as lavouras e monitorar o nível de infestação, com a finalidade de minimizar os danos causados por pragas em lavouras de milho.
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Fonte Aprosoja

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