Produção chinesa de milho pode cair pela primeira vez em 4 anos

Publicado em 07/11/2013 14:24 e atualizado em 07/11/2013 15:20 712 exibições

A produção de milho da China poderá cair pela primeira vez em quatro anos, depois da ocorrência de enchentes e de estiagem em suas principais províncias produtivas causaram uma queda na produtividade dos grãos. Segundo o site Bloomberg, a queda pode amenizar as previsões de excesso de oferta global, já que os Estados Unidos devem colher uma safra recorde.

A China, que é o segundo maior produtor de milho mundial, teve sua previsão de produção reduzida pela consultoria SGS SA, baseada em Geneva, Suíça, em 3,2%, para 199,1 milhões de toneladas. Já o Centro Nacional de Informações de Grãos e Óleos da China espera a produção de 215 milhões de toneladas, enquanto as previsões do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) projetam uma safra de 210 milhões de toneladas.       

A diminuição da produtividade e dos preços de referência, que já tiveram uma queda de 50% em relação ao recorde atingido em 2012, sinalizam que os compradores chineses irão alcançar a cota anual de importações permitida pelo governo chinês, que é de 7,2 milhões de toneladas.     

Luke Mathews, analista do Commonwealth Bank of Australia, afirma que é preciso ter cautela, "Há, obviamente, especulações a respeito das projeções para a produção chinesa... Se o mercado estiver superestimando o tamanho da safra chinesa de milho, e as importações forem maiores que o esperado, então teremos um momento de bons preços". 

As processadoras chinesas já compraram pelo menos 1,3 milhões de toneladas de milho dos Estados Unidos em outubro, e já começaram a fazer pedidos para o ano que vem, de acordo com a consultoria Shanghai JC. 

Os produtores chineses plantaram 35,3 milhões de hectares de milho, uma área 0,7% maior que no ano anterior, de acordo com a SGS SA. A margem de erro é de 5,7%. 

Enchentes 
A produção em Heilongjiang, maior pronvíncia produtora, ao nordeste da China, já teria sido reduzida em 5.7%, devido aos danos causados pelas enchentes. Já em Shandong, a produção pode ter queda de até 22%, segundo a SGS SA. 

Já na província de Henan, o problema foi causado pelas secas, que reduziram a produtividade em quase 15%. 

Mas há previsões de aumento de 13% na produção em Jilin e de 9,2% em Liaoning. "Este foi um ano de extremos", afirmou Mark Oulton, diretor de pesquisas de mercado da SGS SA. "Quando você tem duas áreas produtivas sofrendo com problemas climáticos, há possibilidades de grandes quedas". 

Produtividade mais baixa
A produtividade média nas áreas da China pesquisadas pela SGS SA foi de 5,65 toneladas por hectare, volume 3,8% menor que o verificado no ano passado.  A produtividade média para o milho nos Estados Unidos, prevista pelo o USDA em setembro, foi de 9,57%.  

Mais da metade dos produtores chineses de milho têm 1 hectare ou menos, de acordo com a SGS SA. 
 

Informações: Bloomberg.com
 

China quer comprar mais alimentos da Ucrânia para atender sua demanda interna 
 

Com grandes áreas de terra preta e produtiva, mas com infraestrutura inadequada, a Ucrânia está atraindo o interesse de empresas chinesas que esperam atender a crescente demanda o país por grãos e carne. De acordo com o site do FT (Financial Times), as bandeiras chinesa e ucraniana lado a lado em uma conferência no centro de Keiv, capital da Ucrânia, são um sinal de que há uma nova aliança mundial entre as duas nações. 

"Todo mundo na China provavelmente já ouviu falar sobre mim", disse o milionário ucraniano Oleg Bakhamatyuk, fundador da UkrLandFarming, a oitava maior empresa de cultivo de alimentos do mundo, e da Avangardco, a segunda maior produtora de ovos. Bakhamatyuk afirma que passou pelo menos metade dos últimos 18 meses viajando pela Ásia. 

O ucraniano esteve fechando negócios de exportações e investimentos com grandes empresas agrícolas como a estatal chinesa COFCO, a New Hope, conglomerado de produção de carne e a Temasek, empresa de investimentos de Singapura.

O interesse da China pode tanto impulsionar a economia da Ucrânia e aumentar sua influência internacional, afirma o FT. Os investimentos chineses no país estão em linha com as intenções do país de desenvolver sua agricultura de alto rendimento. 

A Ucrância deve colher uma safra recorde de 60 milhões de toneladas de grãos este ano. O país fez sua primeira exportação de milho para a China em outubro. Apenas a empresa UkrLandFarming, do ucraniano Bakhamatyuk, pretende vender 700 mil toneladas de milho para a China este ano. 

A expectativa é de que, em cinco anos, as exportações ucranianas de milho alcancem 6 milhões de toneladas / ano, dos quais 1/3 iriam para a Ásia. 

Alguns bilhões de dólares de investimentos e técnicas agrícolas modernas poderiam dobrar a produção agrícola da Ucrânia, segundo Bakhamatyuk. O país já é um dos principais exportadores mundiais de milho, óleo de girassol e trigo. 

Burocratas chineses entenderam o potencial do país. O governo da Ucrânia anunciou este mês que irá finalizar as negociações com o Banco de Importações- Exportações da China, para um empréstimo de US$ 3 bilhões - metade em dinheiro, metade em equipamentos - para reconstruir os sistemas de irrigação e apoiar outros esforços de modernização da agricultura. Esta e outras ofertas podem ser firmados durante uma visita que Viktor Yanukovich, presidente da Ucrânia fará a Pequim em dezembro.

Fonte: Financialtimes.com 

Tradução: Fernanda Bellei

 

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Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    A importação de milho e trigo obedecem o sistema de quotas liberadas pelo governo que mantem rígida observância sobre sua gestão. Entretanto, sorgo e DDG (farelo de milho) não estão sujeito à quotas e, foi nesses produtos que as importações chinesas avançaram para completar a demanda por ração. Independente de problemas com a safra de milho que está sendo colhida, já existia e necessidade de aumento das importações.

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