Milho: Na CBOT, preços recuam após atingir o nível mais alto em sete meses

Publicado em 02/04/2014 16:30 466 exibições

Após alcançar os patamares mais altos nos últimos sete meses, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram a sessão desta quarta-feira (2) em baixa. As posições mais negociadas da commodity fecharam o pregão com perdas entre 8,50 e 11,75 pontos. O vencimento maio/14 perdeu o suporte de US$ 5,00 e encerrou o dia cotado a US$ 4,95 por bushel, desvalorização de 2,31%.

De acordo com o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, os investidores optaram por realizar lucros depois dos fortes ganhos registrados no pregão anterior. As cotações futuras apresentaram uma valorização expressiva após os números de estoques trimestrais e intenção de plantio divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na última segunda-feira (31).

O órgão indicou os estoques trimestrais de milho nos EUA, até 1º de março, em 177,96 milhões de toneladas, já a área de plantio para a safra 2014/15 foi reportada em 37,11 milhões de hectares. Ambas as projeções vieram abaixo das expectativas do mercado, situação que desencadeou o movimento de alta exibida nas duas últimas sessões.

Apesar do recuo nas cotações futuras, o analista destaca que os fundamentos ainda são positivos aos preços e que a demanda pelo milho norte-americano segue aquecida. “Já no Brasil e na Ucrânia, as vendas estão travadas. E o milho da Argentina deve começar a entrar no mercado daqui a duas semanas. Então, ainda podemos ver o contrato maio/14 superar o patamar de resistência de US$ 5,12 por bushel”, explica Molinari.

Ainda para compor o cenário, os investidores observam as previsões climáticas para os Estados Unidos, que podem afetar o plantio da safra 2014/15. Por enquanto, as previsões indicam temperaturas mais baixas e chuvas para algumas regiões do Corn Belt. “Agora, cada semana será diferentes e teremos que olhar para as previsões e a evolução do plantio da safra norte-americana”, relata o analista.

BMF&Bovespa

Em contrapartida, os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa trabalham em alta nesta quarta-feira (2). O contrato maio/14 é negociado a R$ 31,26, com ganho de 1,17%. Ainda de acordo com Molinari, a valorização nos contratos é decorrente da alta do dólar.

“A alta da moeda norte-americana contribuiu para a valorização nos vencimentos na BMF&Bovespa, assim como, a quebra na safra de verão e o atraso na semeadura da safrinha brasileira. Os preços futuros buscam um equilíbrio com o valor do mercado interno,uma vez que, os valores estavam descompensados”, afirma o analista. 

No mercado interno, os preços estão firmes depois das altas na Bolsa de Chicago e São Paulo. Nesta quarta-feira, a saca foi negociada a R$ 32,00 em Campinas (SP) CIF, já em Campo Mourão (PR), o valor do produto ficou em R$ 27, 00, em Campo Novo do Parecis (MT), em R$ 20,50. 

Em relação à safrinha, os produtores brasileiros ainda estão cautelosos, já que em importantes regiões produtoras o plantio terminou fora da janela ideal. Além disso, agricultores relatam à redução nos investimentos em tecnologia devido aos baixos preços obtidos no ano anterior. E as preocupações com o ataque de pragas, como o percevejo barriga verde, que aumentam os custos de produção. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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