Milho: Especulações sobre o clima nos EUA pressiona preços em Chicago

Publicado em 16/04/2014 12:57 426 exibições

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho operam do lado negativo da tabela nesta quarta-feira (16). As cotações do cereal têm oscilado bastante durante o pregão e, por volta das 11h50 (horário de Brasília), as principais posições da commodity registravam perdas entre 3,25 e 4,00 pontos. O vencimento maio/14 era negociado a US$ 4,99 por bushel.

Apesar dos fundamentos positivos no mercado de milho, as notícias de clima para os Estados Unidos têm ganhado força desde a semana anterior e trazido volatilidade aos preços do cereal. Para essa semana, os sites internacionais de meteorologia indicaram clima frio e até mesmo a ocorrência de neve, para algumas regiões do Meio-Oeste norte-americano. A previsão impulsionou os preços em Chicago, no início da semana.

Contudo, parte dos investidores do mercado acredita que apesar do frio, a evolução do plantio da safra 2014/15 dos EUA não deve ser afetada. Até o dia 13 de abril, a área semeada no país já alcançava 3%, segundo informações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

O percentual é maior do que o obtido no mesmo período do ano passado, de 2%. A média dos últimos cinco anos é de 6%, porém, os analistas destacam que os produtores norte-americanos conseguem plantar a safra em ritmo acelerado, em função da tecnologia empregada. 

Por outro lado, além do cenário fundamental, as análises gráficas também apontam para tendência positiva aos preços do cereal. No médio e longo prazo, a perspectiva é altista para as cotações do cereal. A expectativa é que o milho ultrapasse a barreira de US$ 5,20 por bushel, para buscar o patamar de US$ 5,60 por bushel.

Mercado interno

As cotações do milho no mercado interno brasileiro permanecem estáveis e os negócios são lentos. Nesta quarta-feira, a saca do grão é negociada a R$ 23,00 em Ubiratã (PR), conforme informações da Coagru e em R$ 25,00 em Não-me-toque (RS), segundo dados da Cotrijal. Já em Campinas (SP) CIF, o valor da saca é de R$ 32,00, enquanto que em Mineiros (GO), a saca é negociada a R$ 24,00. No MT, em Lucas do Rio Verde, o preço é de R$ 20,00.  

A colheita da safra de verão está quase no final e as expectativas iniciais indicam para um número menor do que o estimado pela Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), de 31.515,3 toneladas. A redução na produção, que deve ser mais acentuada em SP e MG, é decorrente do recuo na área cultivada, já que, os produtores optaram por cultivar culturas mais rentáveis, como é o caso da soja, mas também pelas altas temperaturas registradas e ausência de chuvas. 

A mesma situação aconteceu com a safrinha brasileira. Frente aos baixos preços observados na safra anterior, especialmente no Centro-Oeste, os produtores já sinalizavam uma redução n área destinada ao cereal. Além disso, em importantes regiões produtoras, houve uma diminuição nos investimentos em tecnologia. Sem contar, que boa parte da segunda safra foi cultivada fora da janela ideal de plantio devido ao clima irregular.

No Paraná, cerca de 93% das lavouras estão em boas condições, segundo informações do Deral (Departamento de Economia Rural). No entanto, a comercialização da safrinha segue bem lenta, em torno de 2%, na primeira safra o percentual negociado é de 33%. Já no MT, a safrinha deverá apresentar uma redução de 32% frente ao colhido no ano passado e somar 15,34 milhões de toneladas nessa safra. O volume negociado também continua abaixo do registrado no ano anterior, visto que o preço de venda está elevado, conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Diante dessa situação, os agricultores já esperam uma redução no rendimento das plantações. E com essas incertezas, o produtor que ainda tem o milho disponível para comercialização segura o produto à espera de preços mais altos. 

Segundo analistas, a tendência para os preços do milho no mercado interno é positiva e a tendência é que as cotações permaneçam em patamares mais altos do que os registrados no ciclo anterior. Paralelo a esse quadro, os estoques da Conab são de 1,8 milhão de toneladas e há uma previsão de elevação na demanda do setor de ração, entre 5% a 10%. 

Já na BMF&Bovespa, os futuros do milho trabalham com volatilidade nesta quara-feira, a exemplo da Bolsa de Chicago. Assim como no mercado interno, as negociações também estão lentas. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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