Milho: Frente ao aumento nos estoques dos EUA, mercado fecha sessão no menor patamar dos últimos 5 meses

Publicado em 30/06/2014 17:04 503 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta segunda-feira (30) com forte queda. As principais posições da commodity encerraram o dia com perdas entre 18,75 e 23,50 pontos. O vencimento julho/14 terminou a sessão cotado a US$ 4,24 por bushel, já o contrato setembro/14 perdeu 5,3% e fechou a US$ 4,18 por bushel. 

Segundo o analista de mercado da Agrinvest, Marcos Araújo, as cotações do cereal foram pressionadas pelos números dos estoques trimestrais dos EUA, reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O órgão apontou os estoques norte-americanos em 97,87 milhões de toneladas, número acima das expectativas do mercado, de 94,5 milhões de toneladas.

Até o momento, o volume estocado também é cerca de 39% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, de 70,26 milhões de toneladas. Em março, o número projetado era de 117,96 milhões de toneladas, conforme dados do USDA.

Já o boletim de área plantada, apontou que em torno de 37,07 milhões de hectares foram cultivados com o cereal na safra 2014/15. A estimativa está bem próxima com as perspectivas dos participantes do mercado, de 37,1 milhões de hectares. No último relatório de oferta e demanda o USDA já tinha projetado a área semeada com o grão em 37,1 milhões de hectares.

"Com essa estimativa acima do que o mercado esperava, as cotações do milho recuaram em Chicago. Além disso, as expectativas para a produtividade das lavouras são boas e o clima permanece contribuindo para o desenvolvimento da cultura, consequentemente temos expectativa de uma grande safra e manutenção dos estoques. Mas o cereal também recuou, refletindo o movimento negativo da soja", explica Araújo.

Safra dos EUA

Frente às condições climáticas favoráveis nos EUA para o crescimento das plantas, a expectativa é cada dia maior de que o país deverá colher uma safra recorde. De acordo com dados do USDA, a produção norte-americana de milho deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas nesta safra, já a produtividade é projetada em 174,95 sacas por hectare.

Na última segunda-feira, o órgão reportou que em torno de 74% das lavouras do cereal apresentavam boas ou excelentes condições no país. O departamento irá atualizar as informações no final da tarde desta segunda-feira. Ainda assim, analistas afirmam que em julho as lavouras entram em fase de polinização e é preciso acompanhar as informações de clima no país.

Embarques semanais 

O departamento reportou os embarques semanais de milho dos EUA em 872.960 mil toneladas, na semana encerrada no dia 26 de junho. O volume está abaixo do reportado na semana anterior, de 988.080 mil toneladas. Já no mesmo período do ano passado, os embarques somaram cerca de 379.237 toneladas.

Até o momento, no acumulado no ano safra, iniciado em 1º de setembro, os embarques totalizam 37.842.772 milhões de toneladas, contra 14.774.469 milhões de toneladas acumuladas no ano safra anterior.

BMF&Bovespa

As cotações do milho negociadas na BMF&Bovespa trabalham em queda nesta segunda-feira. Os preços acompanham a movimentação no mercado interno e exibem leves quedas. O vencimento julho/14 era cotado a R$ 24,30 a saca, desvalorização de 0,04%. 

Por outro lado, as exportações de milho do Brasil permanecem em ritmo lento e até a terceira semana de julho totalizaram 32,7 mil toneladas, queda de 61,2% em relação ao exportado no mês anterior. Já em comparação com o mesmo período do ano anterior, o número representa um recuo de 83,1%. A expectativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), é que o país consiga embarcar em torno de 21 milhões de toneladas. 

“No entanto, a demanda internacional está fraca para o milho, precisamos que o Governo, principalmente para o MT viabilize o escoamento de milho através de leilões de Pep e Pepro. A situação pode ser um comprometedor do mercado, a exemplo do que houve na safra passada, com o alongamento dos embarques do cereal até o início do próximo ano, o produto irá concorrer espaço com a soja e pode comprometer o escoamento da oleaginosa em 2015”, explica o analista de mercado. 

Do mesmo modo, as cotações praticadas no mercado interno brasileiro permanecem pressionadas com a evolução da colheita do milho safrinha. Nos últimos dias, os produtores têm tentado segurar o produto e os compradores, que estão bem posicionados, aguardam melhores oportunidades para adquirir o produto. Segundo analistas, a expectativa é que os preços apresentem uma modificação após a pressão da colheita e com as exportações mais aquecidas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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