Milho: Mercado reflete relatórios do USDA e amplia perdas em Chicago

Publicado em 01/07/2014 13:05 355 exibições

Durante o pregão desta terça-feira (1), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago dão continuidade ao movimento de baixa iniciado no dia anterior. As cotações ampliam as perdas e, por volta das 12h14 (horário de Brasília), os contratos registravam quedas entre 6,50 e 7,25 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,17 por bushel.

Em relação à última sessão, os futuros do cereal recuaram 6%. De acordo com a analista de mercado da FCStone, Ana Luiza Lodi, o mercado ainda reflete os números de área plantada, estoques trimestrais e acompanhamento de safra reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira.

Os estoques trimestrais dos EUA, até 1º de junho, foram reportados em 97,87 milhões de toneladas. Número bem acima da expectativa dos participantes do mercado, de 94,5 milhões de toneladas. Já a área destinada ao cereal na temporada 2014/15, foi de 37,07 milhões de hectares, pouco abaixo do esperado pelos investidores, de 37,1 milhões de toneladas.

Inclusive, no último boletim de oferta e demanda o departamento norte-americano já tinha divulgado a área de milho para a safra nova em 37,1 milhões de toneladas. No ciclo anterior, os produtores norte-americanos cultivaram em torno 38,6 milhões de hectares com o cereal, conforme dados do USDA.

Diante desse cenário e da expectativa de uma safra recorde no país, o analista de mercado da Smartquant Fundos Investimentos, Antônio Domiciano, afirma que o mercado perdeu importantes patamares e o novo suporte para o vencimento julho/14 é US$ 4,00 por bushel. No curto prazo, a tendência é negativa para os preços, entretanto, não estão descartadas oscilações positivas, uma vez que, preços mais baixos atraem os compradores.

Safra norte-americana

Outro fator que também está pressionando os preços do cereal em Chicago são os números das condições das lavouras norte-americanas. Nesta segunda-feira, o USDA apontou que cerca de 75% das plantas estão em boas ou excelentes condições, percentual maior do que a semana anterior, de 74%. Cerca de 20% das plantações registram situação regular e 5% estão em condições ruins ou muito ruins.

Com isso, é cada vez maior o sentimento de que o país irá colher uma safra recorde nesta temporada, de 353,97 milhões de toneladas. Ainda assim, a analista de mercado relata que é preciso acompanhar o clima para as próximas semanas, quando as lavouras entram em fase de polinização.

“Em grande parte da região produtora de milho nos EUA, as plantas estrarão em fase de polinização a partir da segunda quinzena de julho. E temos que considerar, que em algumas localidades, como é o caso de Iowa, o excesso de chuvas ainda é uma preocupação aos produtores”, explica Ana Luiza.

BMF&Bovespa

A sessão desta terça-feira também é negativa para os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa. Mais uma vez, o mercado brasileiro acompanha a movimentação na CBOT e o vencimento julho/14 era negociado a R$ 24,42 por bushel, com desvalorização de 0,73%.

Do mesmo modo, o preço praticado no Porto de Paranaguá também recuou e terminou a segunda-feira a R$ 25,00 a saca. No dia 2 de junho, a saca é coatada a R$ 27,00 no porto. Consequentemente, os preços ficam menos atrativos aos produtores rurais no interior do país. Além disso, as exportações de milho do país permanecem lentas, a expectativa é que os negócios ganhem ritmo agora no segundo semestre.

Já no mercado interno, as cotações também estão em patamares mais baixos, pressionadas pela evolução da colheita da segunda safra em importantes regiões produtoras. E frente a essa situação, os produtores que estão capitalizados tentam segurar o produto à espera de preços melhores, enquanto isso, os compradores estão bem posicionados e aguardam as melhores oportunidades para adquirir o produto.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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