Milho: Em sessão volátil, mercado busca recuperação após perdas expressivas

Publicado em 14/07/2014 13:01 267 exibições

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com volatilidade na sessão desta segunda-feira (14). Durante as negociações, as principais posições da commodity até exibiram leves ganhos, mas voltaram a cair e, por volta das 12h15 (horário de Brasília), os vencimentos registravam perdas entre 0,25 e 1,25 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,78 por bushel.

Os preços tentam buscar uma recuperação após as perdas expressivas registradas na última semana, na qual, o mercado perdeu o suporte dos US$ 4,00 por bushel. De acordo com o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, o movimento de reação tende a ser limitado, uma vez que a relação entre a oferta e a demanda global é confortável.

Na última sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou novo boletim de oferta e demanda. A safra norte-americana foi estimada em 352,06 milhões de toneladas, projeção abaixo da estimativa do último relatório, de 353,97 milhões de toneladas. Porém, ainda assim, se confirmada, será a segunda maior safra já registrada no país.

Já os estoques da safra 2014/15 dos EUA foi projetado em 45,75 milhões de toneladas, volume superior ao reportado anteriormente, de 43,85 milhões de toneladas. A produtividade das lavouras norte-americana foi mantida em 174,95 sacas de milho por hectare.

O departamento também reportou a safra mundial de milho referente à safra nova em 980,96 milhões de toneladas, número pouco menor do que divulgado em junho, de 981,12 milhões de toneladas. Por outro lado, os estoques globais passaram de 182,65 para 188,05 milhões de toneladas. 

Com isso, a perspectiva é que os preços futuros do cereal voltem a trabalhar próximos de US$ 3,00 por bushel, conforme acredita Ribeiro. Segundo o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, os fundos de investimentos venderam em torno de 20 milhões de toneladas de milho nas duas últimas semanas. 

Safra norte-americana 

Enquanto isso, as previsões climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da safra dos EUA. De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o clima deve ficar um pouco mais frio essa semana e também há previsões de chuvas em algumas áreas do Centro-Oeste do país.

Até a última semana, cerca de 75% das plantações do cereal apresentavam boas ou excelentes condições, a melhor classificação desde 1999. O departamento deve reportar os novos números no final da tarde desta segunda-feira.

Demanda

Nos EUA, os embarques semanais de milho totalizaram 926.329 mil toneladas até a semana encerrada no dia 10 de julho, segundo dados do USDA. O número está abaixo do volume reportado na semana anterior, de 1.263.667 milhão de toneladas, mas é maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, de 414.912 mil toneladas.

No acumulado no ano safra, com início em 1º de setembro, os embarques do cereal somam 40.051.018 milhões de toneladas, contra as 15.398.274 milhões de toneladas acumuladas no ano safra anterior. Ainda assim, na visão do analista da Cerrado Corretora, as notícias do lado da demanda ainda não são suficientes para estimular uma alta expressiva nas cotações. “Situação decorrente da relação tranquila entre os números de oferta e demanda nos EUA e mundial”, explica o analista de mercado.

Mercado interno

As cotações praticadas no mercado interno brasileiro permanecem pressionadas devido ao avanço da colheita da segunda safra. Em algumas regiões, como é o caso de Goiânia (GO), a saca é negociada a R$ 17,00, valor abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo, de R$ 17,46 a saca.

E a tendência é que as cotações recuem ainda mais nas próximas semanas frente à evolução dos trabalhos nos campos. “Nesse momento, o mercado está bem parado, os produtores que estão colhendo o milho seguram o produto à espera de melhores oportunidades de negociação, já os compradores sabem da maior disponibilidade do produto nesta safra e estão adquirindo o produto da mão pra boca. Então, temos essa queda de braços”, afirma Ribeiro. 

Consequentemente, os representantes do setor já solicitam ao Governo uma intervenção no mercado, para contribuir com o escoamento do produto. Porém, a preocupação, por parte dos produtores rurais, é que os que participaram dos leilões no ano passado ainda receberam os prêmios, conforme explica o presidente do Sindicato Rural de Sorriso (MT), Laércio Pedro Lenz.

Em contrapartida, as exportações brasileiras, que poderiam dar equilíbrio ao mercado, seguem mais lentas e também preocupa o setor. O analista de mercado da Faeg (Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás), Cristiano Palavro, diz que o câmbio em patamar mais baixo não é atrativo aos produtores rurais. Nesta segunda-feira, o dólar é cotado a R$ 2,21, queda de 0,27%. 

A expectativa é que o país exporte ao redor de 21 milhões de toneladas de milho neste ano, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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