Milho: Em sessão volátil, mercado busca direcionamento na CBOT

Publicado em 24/07/2014 13:09 290 exibições

Em sessão volátil, as cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) voltaram a operar em queda. Ao longo das negociações, os preços da commodity devolveram os ganhos e, por volta das 12h25 (horário de Brasília) exibiam perdas entre 2,25 e 3,00 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,60 por bushel, mais cedo, a posição chegou a ser negociada a US$ 3,66 por bushel.

Com o foco nos fundamentos, o mercado voltou a recuar, após esboçar uma reação impulsionada pelas notícias vindas do lado da demanda. Frente ao bom desenvolvimento da safra de milho dos EUA, as cotações do cereal caíram 24% recentemente. Até o momento, as boas condições climáticas no país, aumentando a expectativa de uma safra cheia nesta temporada tem sido o principal fator de pressão sobre os preços do cereal.

Segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 76% das lavouras apresentam boas ou excelentes condições. Classificação considerada a melhor dos últimos 10 anos, conforme informações dos especialistas. As plantações norte-americanas estão em fase de polinização, estágio mais importante de desenvolvimento. Os analistas destacam a safra deve apresentar uma definição até a segunda quinzena de agosto, entretanto, o mercado já tem precificado a perspectiva de uma grande produção.

A incerteza está em relação à produtividade das lavouras, uma vez que, com o clima favorável, as especulações é que o número fique acima do projetado inicialmente. De acordo com informações divulgadas por sites internacionais essa semana, em algumas regiões produtoras dos EUA, o rendimento médio das plantações pode alcançar até 204,5 sacas por hectare, número superior à última estimativa do USDA, de 174,95 sacas por hectare.

Exportações semanais dos EUA

Nesta quinta-feira, o departamento norte-americano reportou novo boletim de vendas para a exportação. Para a safra 2013/14, as vendas ficaram em 291,5 mil toneladas até o dia 17 de julho. O percentual representa uma queda de 49% em relação ao número da última semana, na qual, foram vendidas 573,7 mil toneladas, e de 21% sobre a média das últimas quatro semanas. 

No mesmo período, as vendas da safra 2014/15 somaram 1.143,4 milhão de toneladas, contra 494,9 mil toneladas divulgadas anteriormente. Já no acumulado no ano safra, com início em 1º de setembro, as vendas de milho totalizam 48.441,2 milhões de toneladas. A estimativa do departamento é de 48.260,0 milhões de toneladas.

Mercado interno

Enquanto isso, no mercado interno brasileiro, as cotações também seguem em patamares mais baixos. Além do cenário internacional, que também influência as cotações, os preços também têm sido pressionados pelo avanço da segunda safra no país, estimada em 46,19 milhões de toneladas, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Com isso, em muitas regiões produtoras do país, os preços estão abaixo dos valores mínimos fixados pelo Governo, situação que aumenta a solicitação, por parte dos representantes do setor, de intervenção no mercado. E até a divulgação de uma medida efetiva, tem feito parte da estratégia do produtor rural segurar o produto à espera de melhores oportunidades.

Por outro lado, os compradores adquirem o produto da mão-pra-boca, já esperando a maior disponibilidade de produto com a evolução dos trabalhos nos campos. Segundo o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, o número de vendas antecipadas foi menor nesta safra.

“Temos a segunda maior safrinha da história e os compromissos de embarques nos portos estão baixos. O milho está encalhando no interior do país, pressionando o mercado interno. Nesse momento, o produtor deve avaliar a sua situação, já que uma retenção exagerada do produto deve complicar a situação do mercado até o final do ano”, alerta o analista.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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