Milho: No mercado interno, preços reagem frente ao anúncio de leilão de Pepro

Publicado em 05/08/2014 17:52 890 exibições

A comercialização da safrinha de milho está travada no mercado interno brasileiro. Frente ao anúncio do Governo, que destinar em torno de R$ 500 milhões para a realização de leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural). A medida é destinada aos estados de MT, MS, GO e BA, deverão ser suficientes para o escoamento de 7 entre 10 milhões de toneladas de milho.

O Ministro da Agricultura, Neri Geller, em entrevista à Reuters Brasil, destacou que o primeiro leilão deverá ser realizado até o dia 15 de agosto. Até o momento, não há definição a respeito dos prêmios que serão pagos aos produtores que participarem das operações.

Na visão do analista de mercado da Agrogt Corretora de Cereais, Gilberto Toniolo, como reflexo da notícia, os produtores rurais estão segurando as vendas. "Temos uma nova situação no mercado brasileiro, essa informação travou as negociações. E já temos uma reação nos preços do cereal na BMF&Bovespa, no físico e na sequência deveremos ter uma modificação no indicador Esalq", diz o analista.

Na BMF&Bovespa, apesar da queda registrada no pregão desta terça-feira, resultado do recuo no mercado internacional, as cotações exibiram ganhos em boa parte da semana anterior. Somente na sexta-feira (1), o setembro/14 encerrou a sessão cotado a R$ 24,26 por saca, com alta de 3,23%.

De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas diariamente, os preços praticados em São Gabriel do Oeste (MS) apresentaram elevação de 6,25%, para R$ 17,00 a saca na última sexta-feira (1). Em Tangará da Serra (MT) também houve uma elevação nas cotações em torno de 4,00%, para R$ 13,00. Já em Jataí (GO), as cotações subiram para R$ 16,00, 0,63% de alta. 

A recente alta no dólar, com fechamento de R$ 2,28, com valorização de 0,93%, nesta terça-feira (5), também tem ajudado a alavancar os preços praticados no Porto de Paranaguá. Hoje, o preço de encerramento no Porto foi de R$ 24,50 a saca, mesmo valor obtido na segunda-feira. Porém, o valor está acima do registrado no último dia da semana anterior, de R$ 24,00 a saca.

Em contrapartida, os compradores que estavam adquirindo o produto da mão-pra-boca deverão retornar ao mercado. "Os compradores que estavam em uma zona de conforto, em função da oferta e preços mais baixos, estão com estoques mais curtos. Com isso, quem comprou o milho a R$ 23,50, já pagou R$ 24,50 hoje. Mas ainda temos que esperar o edital do leilão", explica.

E diante dos preços mais baixos praticados no mercado interno, devido ao avanço da colheita da segunda safra estimada em 46,19 milhões de toneladas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), vários representantes do setor já tinham solicitado a atuação do Governo por meio de políticas de apoio a comercialização. Após as altas registradas no início do ano, as cotações do milho recuaram expressivamente e, em muitas regiões, principalmente no Centro-Oeste do país estão abaixo dos valores mínimos fixados pelo Governo.

Bolsa de Chicago 

Ao longo das negociações desta terça-feira, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) reduziram as perdas e encerraram o dia com quedas entre 2,00 e 2,50 pontos. O contrato setembro/14 era negociado a US$ 3,56 por bushel.

Após os ganhos da sessão anterior, os investidores optaram por realizar lucros. Frente à expectativa de safra cheia nos EUA, as cotações do milho recuaram em torno de 13% desde o início do ano, conforme informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que cerca de 73% das plantações apresentavam boas ou excelentes condições até o dia 3 de agosto.

O percentual é um pouco menor do que o registrado na semana anterior, de 75%. Em torno de 20% das lavouras de milho apresentam condição regular e 7% registram condições ruins ou muito ruins. Até o momento, 90% das plantações estão em fase de espigamento e 36% em estágio de enchimento de grãos. 

E, nesse momento, as previsões climáticas apontam para o retorno das chuvas para o Meio-Oeste dos EUA. De acordo com o site internacional de notícias Dtn Progressive Farmer, a expectativa é que haja leves precipitações na Dakota do Sul e leste de Iowa. 

Com isso, na semana anterior, a FCStone projetou a safra norte-americana próxima de 367 milhões de toneladas, o número está acima da última previsão do USDA, de 353,97 milhões de toneladas. “Se no próximo relatório do departamento tivermos um número parecido com essa projeção da consultoria, o preço deve recuar. Porém, é difícil relatar o quanto as cotações ainda podem cair. Por enquanto, a perspectiva é de volatilidade, com tendência de baixa para os preços”, destaca Toniolo.

Estimativa de safra

Nesta terça-feira, a consultoria Informa Economics reportou que a safra norte-americana de milho deverá totalizar 355,31 milhões de toneladas na safra 2014/15. O número está acima da última projeção da consultoria, de 348,79 milhões de toneladas.

A previsão atual está acima do projetado pelo USDA de 352,06 milhões de toneladas. Já a produtividade das lavouras foi estimada em 177,8 sacas por hectare, também acima da expectativa do departamento, de 174,95 sacas por hectare.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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