Milho: Mercado tenta consolidar quinta alta consecutiva e registra leves ganhos

Publicado em 15/08/2014 08:32 554 exibições

As cotações do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) trabalham com ligeiras altas, próximos da estabilidade. Por volta das 8h23 (horário de Brasília), as principais posições da commodity registravam leves ganhos entre 0,25 e 0,50 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,62 por bushel. 

O mercado tenta consolidar a quinta alta consecutiva. Nos últimos dias, as notícias vindas do lado da demanda impulsionaram as cotações, que apesar dos ganhos não conseguem exibir um movimento mais expressivo devido ao quadro fundamental negativo. 

Enquanto isso, o clima nos EUA permanece favorável ao desenvolvimento da cultura. Há previsões de chuvas nos próximos dias para o estado de Iowa, que se confirmadas, deverão beneficiar a cultura do milho e também da soja. Nesta sexta-feira, a agência internacional de notícias Bloomberg reportou que o tempo mais seco no Delta irá favorecer a maturação e a colheita do milho precoce.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Preços mais baixos estimulam a demanda e mercado termina sessão em campo positivo na CBOT

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as principais posições do milho terminaram o pregão desta quinta-feira (14) em campo positivo. Ao longo das negociações, os vencimentos ampliaram os ganhos e fecharam o dia com altas entre 3,75 e 4,00 pontos. O contrato setembro/14 era cotado a US$ 3,62 por bushel, alta de 1,12% em relação ao fechamento da sessão anterior, de US$ 3,58 por bushel.

De acordo com informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o vencimento dezembro/14 subiu 1,1%, para US$ 3,73 por bushel. Mais cedo, o vencimento chegou ao patamar de US$ 3,74 por bushel, o maior para um contrato ativo desde 6 de agosto. Os preços se dirigiram para o quarto aumento em linha reta, rally mais longo desde 20 de fevereiro.

Frente aos preços mais baixos, os investidores voltaram à ponta compradora do mercado. Nesta quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou novo boletim de vendas para exportação. Até a semana encerrada no dia 07 de agosto, as vendas referentes à safra 2013/14 ficaram negativas em 117,2 mil toneladas. Na semana anterior, o volume reportado pelo departamento foi de 120,9 mil toneladas. 

Já em relação à safra nova, as vendas somaram no mesmo período 787,9 mil toneladas, contra 758,7 mil toneladas registradas na última semana. No acumulado do ano safra, os produtores norte-americanos já venderam 48.618,7 milhões de toneladas, frente as 48.770,0 milhões de toneladas estimadas pelo órgão.

Apesar dos cancelamentos da safra 2013/14, os números ficaram acima das projeções do mercado, de 750 mil toneladas de milho, entre safra velha e nova.

De acordo com o analista de mercado da Jefferies Corretora, Stefan Tomkiw, após o relatório da oferta e demanda reportado pelo USDA na última terça-feira, os preços tentam se manter próximos de US$ 3,60 por bushel, mas não tem forças para romper esse patamar para baixo. "Os rendimentos abaixo das expectativas do mercado frustraram os investidores. E as cotações buscam uma consolidação, mas acredito que ainda tenham força para algum repique, porém nada muito expressivo", destaca.

A perspectiva é que as cotações possam voltar ao patamar de US$ 4,00 por bushel, conforme destaca Tomkiw. "Além disso, o milho está bem barato em comparação com os preços históricos. E nos outros países como Brasil, Ucrânia não há problemas em relação à oferta", completa. 

Safra norte-americana

Até o momento, o clima permanece contribuindo para o desenvolvimento da safra nos EUA. Ainda segundo dados da Bloomberg, as temperaturas deverão ficar abaixo do normal em toda a região produtora de milho e soja nos próximos seis dias. Também há probabilidade de chuvas, principalmente no estado de Iowa, que se confirmadas, deverão beneficiar ambas as culturas. 

Mercado interno

A comercialização do milho no mercado brasileiro permanece lenta, já que os produtores seguram as vendas à espera dos leilões de Pepro. A primeira operação deverá ser realizada no dia 20 de agosto pela Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), no entanto, os valores dos prêmios ainda não foram definidos e deverão ser divulgados 48 horas antes do leilão.

Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, as cotações permaneceram estáveis nas principais praças pesquisadas. Em Não-me-toque (RS) e Ubiratã (PR), as cotações ficaram em R$ 21,00 e R$ 18,50, respectivamente. Em Campo Novo do Parecis (MT), o preço permaneceu em R$ 12,00 e em Luís Eduardo Magalhães (BA) em R$ 19,00. No Porto de Paranaguá, a cotação estável em R$ 24,50 e em São Gabriel do Oeste (MS), única praça com variação, leve queda de 3,03%, e a saca é cotada a R$ 16,00.

"Temos uma melhora no câmbio e as origens brasileiras não vendem o milho à espera dos leilões de Pepro. Precisamos escoar um número próximo de 20 milhões de toneladas para ter preços com alguma margem ao produtor, especialmente no Centro-Oeste”, afirma o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes.

Mas, por enquanto, as exportações seguem um pouco mais lentas e a expectativa é que ganhem ritmo a partir do mês de agosto. Ainda na visão do consultor, o país precisa embarcar em média, 2,5 milhões de toneladas a partir desse mês para chegar próximo do estimado pela Conab, de 20 milhões de toneladas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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