Milho: Na CBOT, demanda impulsiona mercado e preços acumulam ganhos de até 2,53% na semana, já no Brasil preços estáveis

Publicado em 15/08/2014 17:56 439 exibições

Mais uma semana volátil para os preços do cereal negociados na Bolsa de Chicago (CBOT), que terminaram o pregão desta sexta-feira (15) em campo positivo. As principais posições da commodity exibiram altas entre 3,50 e 3,75 pontos. O vencimento setembro/14 era cotado a US$ 3,65 por bushel. Ao longo dos últimos cinco dias, as cotações do cereal acumulam ganhos entre 2,31% e 2,53%. 

Em meio aos preços em patamares mais baixos dos últimos quatro anos, frente às expectativas em relação à safra norte-americana, os investidores aproveitam e retornam à ponta compradora do mercado, conforme explica o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza. O cenário tem pressionado os preços do cereal nos últimos meses e, se compararmos o valor do vencimento setembro/14 de hoje com o do dia 15 de janeiro, de US$ 4,45 por bushel, temos uma desvalorização de 17,98%.

Para comprovar a força da demanda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), anunciou a venda de 130 mil toneladas do produto para destinos não revelados e 107.600 mil toneladas para o México nesta semana. Os embarques semanais reportados no início da semana exibiram leve recuo e totalizaram 905.137 mil toneladas até o dia 7 de agosto, mas ainda estão bem acima do registrado no mesmo período do ano anterior, de 397.101 mil toneladas.

E à medida que o clima foi se confirmando favorável para a cultura, ao longo do seu desenvolvimento, as especulações em relação à safra norte-americana aumentaram. Agora, as agências internacionais reportam que o estado de Iowa deverá receber chuvas e, contrariamente, a região do Delta terá o tempo mais seco, que se confirmado, irá favorecer a maturação e a colheita do milho precoce.

Com isso, na última terça-feira (12), o USDA divulgou mais um boletim de oferta e demanda, no qual, revisou para cima a projeção de produção de milho e produtividade das lavouras do país, para 356,43 milhões de toneladas e 177,17 sacas por hectare. Fatores que também trouxeram volatilidade ao mercado durante essa semana, uma vez que os investidores aguardavam números maiores do que os reportados devido ao clima favorável.

Ainda nesta sexta-feira, um departamento do USDA divulgou que os produtores norte-americanos que participaram de programas de subsídios no país registraram "plantio evitado" em 2014 de 620 mil hectares. Segundo analistas, a situação é decorrente de clima, preços ou de produtores que optaram em receber o seguro devido ao risco de plantio fora da janela ideal.

No último relatório, o departamento indicou a área cultivada na safra 2014/15 em 37,07 milhões de hectares, mesmo índice registrado no mês anterior.

Mercado interno

Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, os preços se mantiveram estáveis durante essa semana. Em Não-me-toque (RS), cotação estável em R$ 21,00, já em Cascavel (PR), preço inalterado de R$ 18,50 pela saca do cereal. Já em Campo Novo do Parecis (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA), os preços se mantiveram em R$ 12,00 e R$ 19,00, respectivamente. 

O valor praticado em São Gabriel do Oeste (MS) registrou leve valorização de 3,13% e a saca terminou a sexta-feira cotada a R$ 16,50, mesmo cenário no Porto de Paranaguá, que fechou negociado a R$ 24,50, com valorização de 2,08%. Em contrapartida, Jataí (GO) apresentou ligeira queda de 1,66% e terminou a sexta-feira negociada a R$ 15,95 a saca.

O mercado brasileiro registrou mais uma semana de negociação travada para o milho. Isso porque, os produtores rurais ainda aguardam a realização dos leilões de Pepro, para contribuir com o escoamento da produção. Segundo informações do Governo, a primeira operação acontece no dia 20 de agosto. Mas, por enquanto, os valores dos prêmios não foram divulgados e a perspectiva é que sejam reportados 48 horas antes da operação. 

Na visão do consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, os preços praticados no mercado doméstico já chegaram ao fundo do poço. “E as notícias que surgirem a partir de agora serão de demanda, leilões e exportações. Como vimos na semana passada e essa semana, tivemos navios fechados, situação que não estava acontecendo. Então, vamos começar a ver alguma reação no mercado”, afirma.

Além disso, o consultor também destaca que o final da colheita da safrinha é um fator importante, pois termina o processo da entrada de produto direto para os consumidores. “Isso vai obrigar os consumidores irem para o mercado de lote, o que normalmente tende a pressionar os preços para cima. Nos próximos meses iremos ter uma evolução nos preços do milho, em torno de 10% a 20% de alta”, acredita Brandalizze.

Veja o fechamento dos preços do milho nesta sexta-feira:

>> MILHO

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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