Milho: No mercado interno, preços estão estáveis e comercialização segue lenta

Publicado em 29/08/2014 17:56 658 exibições

Durante a semana, os preços do milho permaneceram, em sua maioria, estáveis no mercado interno brasileiro. No Porto de Paranaguá, a cotação da saca do cereal registrou queda de 2,92% e terminou a sexta-feira (29), cotada a R$ 23,30. E os analistas relatam que as negociações permanecem bem lentas.

Enquanto os compradores estão em situação confortável e adquirem o produto da mão pra boca, os produtores seguram o produto à espera de melhores oportunidades, conforme relatam os analistas. Nos últimos dias, os agricultores ficaram mais atentos, já que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) realizou o segundo leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) nesta quinta-feira (28).

Ao todo, foi negociada cerca de 93,63% do volume total ofertado, de 1,75 milhão de toneladas. A primeira operação foi realizada na quarta-feira (20) e negociou 85,52% da quantidade ofertada, de 1,050 milhão de toneladas de milho. Ao todo, o Governo irá destinar em torno de R$ 500 milhões para a realização dos leilões.

Outra medida confirmada pelo Secretario de Política Agrícola do Mapa, Seneri Paludo, durante essa semana, é o leilão de AGF (Aquisição do Governo Federal) de 1,2 milhão de toneladas. “Por enquanto, não há regiões definidas, porém, as contempladas deverão ser aquelas, nas quais, o valor da saca do produto está abaixo do preço mínimo fixado pelo Governo e as que não estão sendo beneficiadas pelos leilões de Pepro”, diz Paludo. A informação oficial deve ser reportada na próxima semana.

A expectativa é que aos poucos essas informações possam exercer oscilações positivas nos preços praticados. Mas, ainda assim, o país precisará das exportações para equalizar a relação entre oferta e demanda. Até a quarta semana de agosto, os embarques do milho brasileiro totalizaram 2,079 milhões de toneladas e, a perspectiva é que esse número termine o mês próximo de 3 milhões de toneladas. A projeção da Conab é que o país exporte ao redor de 20 milhões de toneladas de milho.

“A exportação será crucial para definir o rumo dos preços neste final de ano. Precisamos manter o ritmo acelerado, para que o mercado comece a apresentar alguma recuperação”, diz o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

Nesta safra, entre primeira e segunda, o país deverá colher em torno de 78.554,0 milhões de toneladas de milho, segundo projeção da Conab. Enquanto isso, o consumo é estimado próximo de 54 milhões de toneladas. 

Bolsa de Chicago

A semana foi negativa para os futuros do cereal negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). Ao longo dos últimos cinco dias, as cotações acumularam perdas entre 1,03% e 1,36%. A desvalorização nos preços da commodity é decorrente da perspectiva de safra recorde nos EUA na temporada 2014/15.
As lavouras permanecem, em sua maioria, com condições boas a excelentes, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). E, de acordo, com informações de agências internacionais, há previsões de chuvas em grande parte do Centro-Oeste durante o final de semana. 

A precipitação deverá manter adequado o índice de umidade do solo para o preenchimento das culturas. E não há previsões de clima frio significativo para a região nos próximos 10 dias. Em contrapartida, no Sul da Rússia, o clima ainda permanece seco até a próxima semana, segundo informações do site Farm Futures.

Na Ucrânia, o clima deverá permanecer mais frio e há previsões de chuvas leves. Já as áreas de produção da China poderão receber precipitações na próxima semana, após a tempestade registrada essa semana e as temperaturas mais baixas.

Ainda nesta sexta-feira, o IGC (Conselho Internacional de Grãos, na sigla em inglês), reportou que a safra mundial de milho da safra 2014/15 deverá totalizar 973 milhões de toneladas. Em relação à última projeção, o número representa um crescimento de 4 milhões de toneladas.

Além disso, é preciso ressaltar que na próxima segunda-feira (1) é feriado nos EUA, em comemoração ao Dia do Trabalho. Com isso, os produtores preferem adotar uma postura mais cautelosa, segundo reportam os analistas.

 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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