Milho: Comercialização permanece lenta no Brasil e perspectiva é de pressão sobre os preços

Publicado em 09/09/2014 17:37 551 exibições

A comercialização do milho no mercado interno brasileiro ainda permanece lenta. Diante da recente queda nos preços no mercado internacional, as cotações no mercado doméstico ficaram pressionadas, situação que também refletiu em cotações em patamares mais baixos nos Portos do país.

O consultor de mercado da FCStone, Étore Baroni, explica que em Cascavel (PR), os preços da saca do grão recuaram e trabalham próximas de R$ 19,00 a R$ 20,00, já no Porto de Paranaguá, o preço da saca R$ 22,00. “E temos o frete da cidade até o Porto, valor próximo de R$ 4,00 a R$ 5,00, esse cenário trava o mercado e faz com que as exportações caminhem de forma lenta”, afirma.

Até o momento, o Brasil, exportou em torno de 5 milhões de toneladas de milho, contra 8 milhões de toneladas, registradas no mesmo período do ano passado. Nos cinco primeiros dias de setembro, as exportações brasileiras de milho totalizaram 340,5 mil toneladas, com média diária de 68,1 mil toneladas. A receita total foi de US$ 63,1 milhões, com média diária de US$ 12,6 milhões. Em comparação com o mês anterior, o volume embarcado representa uma queda de 41,8% e uma diminuição de 4,1% no preço médio.

Além disso, o consultor destaca que, o line-up de navios para o embarque do cereal é baixo e que talvez o país não consiga embarcar o volume projetado, de 21 milhões de toneladas, previstas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Também é preciso ressaltar que em 2013, o Brasil se aproveitou de uma janela de exportação devido à quebra na safra norte-americana, cenário oposto do observado esse ano. 

“E mesmo com a intervenção do Governo no mercado, através de leilões de Pepro, ainda precisaremos exportar cerca de 15 milhões de toneladas nos próximos 4 a 5 meses. E coma velocidade que estamos vendo nos Portos e o line-up, acho difícil chegar a 21 milhões de toneladas. Embarcaremos entre 15 a 17 milhões de toneladas, o que deve pressionar os estoques para o próximo ano”, destaca Baroni.

Frente a esse quadro, o consultor sinaliza que a pressão negativa sobre os preços deve continuar. Com isso, a orientação é que os produtores rurais, que puderem, segurem o produto à espera de melhores oportunidades. “No próximo ano, teremos outro cenário, com uma redução na área cultivada na safra de verão e também uma possível redução na safrinha. Quem puder deve carregar e vender a conta gotas”, ratifica o consultor.

Nesta terça-feira (9), o dia foi de estabilidade, na grande maioria das praças, pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Ubiratã (PR), a queda foi de 1,10%, com a saca cotada a R$ 18,00, em Jataí (GO), a cotação também caiu 3,62%, e a saca do milho terminou o dia negociado a R$ 14,65. Em contrapartida, no Porto de Paranaguá, a saca subiu 3,21%, com preço de R$ 22,50. 

Safra brasileira

Enquanto isso, a colheita da segunda safra tem caminhado para o final. No Mato Grosso, os produtores já finalizaram os trabalhos nos campos e a produtividade média foi de 91,6 sacas por hectare, conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). E o escoamento da safra acontece de forma lenta, cenário que já tem refletido nos valores dos fretes.

Há muitos caminhões parados no estado à espera do aumento da demanda para frete de milho até o os portos. De Sorriso até o Porto de Santos, o valor do frete apresenta uma redução de 16,4%, em comparação com o mesmo período do ano passado. Diante dos preços mais baixos, grande parte dos produtores realizam as vendas juntamente com os leilões de Pepro, que ainda de acordo com o instituto tem contribuído para impulsionar a comercialização que é de 51,2%.

Já no Paraná, em torno de 28% da segunda safra foi comercializada, na semana anterior o volume era de 27%. A colheita da safrinha alcança 97% da área cultivada nesta safra, segundo informações reportadas pelo Deral (Departamento de Economia Rural). 

Bolsa de Chicago 

Pelo segundo dia consecutivo, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta terça-feira (9) em queda. As principais posições da commodity terminaram o dia com perdas entre 3,00 e 4,25 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,44 por bushel, com recuo de 4,00 pontos. 

Ainda na visão do consultor, não só a expectativa de grande safra nos EUA na safra 2014/15, mas também ao redor do mundo tem pressionado o mercado. “Isso vem adicionando produção na tabela de oferta e demanda o que faz com que os estoques sejam os maiores dos últimos 15 anos”, diz. 

À medida que aumentam as expectativas de uma safra recorde norte-americana os preços da commodity recuam em Chicago. Na próxima quinta-feira (11), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá reportar novo boletim de oferta e demanda e a expectativa dos participantes do mercado é que o órgão revise para cima a projeção da safra norte-americana de milho.

No caso da produção dos EUA, os investidores acreditam em um número próximo de 363,5 milhões de toneladas, número bem acima do último reporte do USDA, de 356,43 milhões de toneladas. A produtividade é estimada em 180,67 sacas por hectare, contra 177,17 sacas por hectare projetadas pelo departamento norte-americano.

“Nos EUA, os produtores plantaram o milho com bom índice de umidade e as chuvas foram regulares durante o período de polinização. E, apesar da redução na área, a expectativa é de aumento na produção, que poderá chegar a 370 milhões de toneladas e isso pesa sobre os preços na Bolsa”, ressalta Baroni.

Consequentemente, o consultor relata que os preços do milho podem recuar para US$ 3,20 a US$ 3,40 por bushel, no vencimento dezembro. Entretanto, nesses patamares, os produtores reduzem as vendas, já que os custos de produção em algumas localidades nos EUA podem chegar a US$ 4,20 ou US$ 4,30, conforme acredita Baroni. 

“Vamos ter pouco interesse de venda, o que pode fazer com o mercado se segure perto do patamar de US$ 3,20 por bushel. Mas, no momento, o mercado não tem motivos para subir e com essa produção, teremos um aumento nos estoques que poderão totalizar entre 55 a 60 milhões de toneladas para próximo ano. E o estoque confortável para os EUA é de 25 a 30 milhões de toneladas, isso faz com que deprecie ainda mais o preço e é suficiente para atender não só o país como o mundo”, finaliza o consultor.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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