Milho: Após duas sessões de queda consecutiva, mercado esboça reação nesta 4ª feira

Publicado em 24/09/2014 08:10 363 exibições

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiros ganhos na manhã desta quarta-feira (24). Por volta das 8h00 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam ganhos entre 1,25 e 1,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,27 por bushel.

Após dois dias consecutivos de queda, o mercado esboça uma recuperação nesta quarta-feira. Na última semana, os preços recuaram fortemente devido ao avanço da colheita do grão nos Estados Unidos. Por enquanto, os trabalhos nos campos alcançam 7%, contra 4% divulgado na semana anterior, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

"O tempo permanece ideal para as culturas de maturação tardia e para aqueles que estão colhendo", disse Matt Ammermann, gerente de risco de commodities do INTL FCStone, em entrevista à agência internacional de notícias Bloomberg. "O mercado está agora em modo de espera para confirmar os rendimentos das lavouras", completa.

Com isso, analistas sinalizam que o vencimento dezembro/14 pode alcançar o patamar de US$ 3,00 por bushel. "E a perspectiva é que a demanda não absorva essa produção maior tanto nos EUA, como no mundo. Então, não vejo possibilidade de alteração neste quadro no curto a médio prazo. Salvo algum problema climático muito sério", destaca o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Milho: Focado no avanço da colheita nos EUA, preços têm nova queda e dez/14 pode alcançar US$ 3,00/bu

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam a sessão desta terça-feira (23) em campo negativo. As principais posições do cereal terminaram o dia com perdas entre 4,25 e 4,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,25 por bushel, queda de 1,44% em relação à última sessão, na qual, o valor do fechamento foi de US$ 3,30 por bushel.

Para o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro, além do avanço da colheita do cereal nos EUA, a perspectiva de safra maior na Europa também pesa sobre o mercado. Na última semana, a Consultoria francesa Strategie Grains revisou para cima a projeção da safra de milho na União Europeia.

Em 2014, a perspectiva é que sejam colhidas 71,3 milhões de toneladas cereal, devido às grandes colheitas estimadas, especialmente na França, Romênia, Hungria e Bulgária. A previsão representa um acréscimo de 3,3 milhões de toneladas em relação ao previsto no mês anterior. E 11% em comparação com o volume colhido em 2013. 

Já a colheita do milho alcança 7% da área cultivada nesta safra, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportados no final da tarde desta segunda-feira. Na semana anterior, o volume foi indicado em 4%. Segundo dados da agência internacional de notícias Bloomberg, o clima nos próximos setes dias deverá favorecer o amadurecimento das culturas e a evolução da colheita.

"A colheita está em pleno andamento, ou logo estará. Estamos um pouco atrás do ritmo normal, mas eu acho que é porque o rendimento está tão bom e levando mais tempo para a colheita", disse James Bower, presidente da Bower Trading Inc., em entrevista à Bloomberg.

Diante desse cenário, o analista destaca que o dezembro/14 pode chegar ao patamar de US$ 3,00 por bushel. Com isso, a perspectiva é que os agricultores norte-americanos segurem às vendas ainda mais, já que até o momento, pouco mais de 20% da safra dos EUA foi negociada. "E podemos perceber no último relatório do USDA, um estoque de passagem da ordem 189,91 milhões de toneladas na safra 2014/15 e, isso tem um peso muito grande na relação entre oferta e demanda", diz Ribeiro.

Em relação à safra 2012/13, o número era de 138,15 milhões de toneladas, um crescimento de 37,47% em apenas dois anos. O analista também destaca que esse é um dos principais indicadores observados pelos grandes players. Já demanda mundial, aumentou no mesmo período somente 11,96%. E cresceu de 865,22 milhões de toneladas em 2012/13, para 968,67 milhões de toneladas em 2014/15.

"Então, a perspectiva é que a demanda não absorva essa produção. Com isso, não vejo possibilidade de alteração neste quadro no curto a médio prazo. Salvo algum problema climático muito sério", sinaliza Ribeiro.

Mercado interno

Nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, os preços o milho mantiveram a estabilidade. Em São Gabriel do Oeste (MS), a cotação subiu 2,65% e a saca fechou o dia cotada a R$ 15,50, em Jataí (GO), a segunda-feira também foi de alta de 0,75%, com a saca cotada a R$ 16,15. Na contramão desse cenário, no Porto de Paranaguá, a queda foi de 0,89%, com preço de R$ 22,30. 

Ainda na visão do analista, o mercado permanece pressionado e sem perspectiva de melhora. "Temos a previsão de um alto estoque de passagem, tanto para a safra 2014/15, como para a 2015/16", relata.

Enquanto isso, as exportações ainda estão ganhando ritmo e somaram 1,817 milhão de toneladas, com média diária de 121,2 mil toneladas até a terceira semana de setembro (15 dias úteis). Em comparação com o mês anterior, a quantidade embarcada representa uma alta de 3,5%, mas em relação ao mesmo período do ano anterior, a queda é de 26,2%. 

"O ritmo de embarques ainda permanece lento, já que precisaríamos baixar os estoques de passagem para próximo de 10 milhões de toneladas. Entretanto, a previsão indica números acima de 17 milhões de toneladas tanto para 2014, quanto para 2015", ressalta Ribeiro.

Consequentemente, o analista também alerta a estratégia de postergar as vendas do milho precisa ser bem avaliada. "Até porque, no início do ano começa a pressão da soja sobre os armazéns e o produtor de milho será colocado em uma situação difícil", completa.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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