Milho: Após perdas recentes, mercado esboça recuperação nesta 2ª feira

Publicado em 29/09/2014 09:21 343 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam com ligeiros ganhos na sessão desta segunda-feira (29). Por volta das 9h00 (horário de Brasília), os vencimentos exibiam altas entre 1,25 e 1,75 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,24 por bushel, com valorização de 1,50 pontos. 

Depois das perdas recentes, o mercado esboça uma recuperação. Na semana anterior, os futuros do cereal registraram perdas entre 1,99% e 2,12%. Nesse momento, o principal fator de pressão sobre o mercado é a evolução da colheita do grão nos Estados Unidos. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) irá atualizar os números do acompanhamento de safras.

E com o clima favorável, a expectativa dos participantes do mercado é que o número fique entre 15% a 17%. Além disso, outro dado importante que também será reportado hoje são os números dos embarques semanais, importante indicativo da demanda.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Milho: No Brasil, preços mais baixos favorecem os compradores; na CBOT nova queda com foco no avanço da colheita nos EUA

No mercado interno brasileiro, a semana foi de poucos negócios. Segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, nas principais praças pesquisadas, a semana foi de estabilidade nas cotações. Em Cascavel (PR), a perda foi de 1,67%, com a saca do milho cotada a R$ 17,70. Na contramão desse cenário, em São Gabriel do Oeste (MS) a valorização foi de 0,66%, com a saca negociada a R$ 15,20 e em Jataí (GO), a alta foi de 1,68%, com a saca cotada a R$ 16,30. No Porto de Paranaguá, os valores se mantiveram em R$ 22,50. 

Boa parte dos agricultores ainda segura o produto à espera de melhores oportunidades de comercialização. Enquanto isso, as exportações não ganharam ritmo e, até o momento, apenas 7,3 milhões de toneladas do cereal foram embarcadas, contra 11,8 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2013.

Consequentemente, a perspectiva é que as exportações brasileiras não alcancem a projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em torno de 21 milhões de toneladas de milho. Frente a esse cenário, os estoques poderão ficar mais altos do que em anos anteriores e impactar na formação dos preços. 

Na visão do consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, o momento do mercado é favorável aos compradores, que irão utilizar esse período para fazer estoques. “Em contrapartida, o Ministro da Agricultura, Neri Geller, confirmou a continuidade dos leilões de Pepro e o AGF. Com isso, em algumas regiões onde temos uma boa demanda de milho, devido ao mercado de proteína animal, como SP, sul de GO e MG, os preços terão um cenário mais positivo no primeiro trimestre de 2015. Já em outras localidades, com logística travada, a situação é preocupante e é preciso estimular as vendas”, ressalta.

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT)  fecharam o pregão desta sexta-feira (26) do lado negativo da tabela. Os vencimentos da commodity exibiram perdas entre 3,00 e 3,25 pontos. O contrato dezembro/14 era cotado a US$ 3,23 por bushel. Na semana, os preços futuros do cereal acumulam perdas entre 1,99% a 2,12%.

De acordo com informações da agência internacional de notícias Bloomberg, durante as negociações, o dezembro/14 chegou ao patamar de US$ 3,22 por bushel, o mais baixo desde 24 de setembro de 2009. Situação decorrente da evolução da colheita do milho norte-americano. No início desta semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou a colheita em 7% da área cultivada nesta safra.

E a perspectiva é que nos próximo boletim, que será divulgado na segunda-feira (29), o USDA reporte um avanço nos trabalhos nos campos. Os analistas acreditam em número próximo de 15% a 17%. Isso porque, as previsões climáticas ainda apontam para clima favorável nos próximos dias, que se confirmados, deverão contribuir com a colheita do cereal. 

Com isso, é cada vez maior o sentimento dos participantes do mercado que a safra dos EUA, estimada em 365,65 milhões de toneladas pelo USDA, possa ficar acima dessa projeção. E desde o início do plantio, com as primeiras estimativas sobre a produção norte-americana, os preços do cereal recuam no mercado internacional. 

Diante desse cenário, muitos analistas não descartam a possibilidade do dezembro/14 alcançar o patamar de US$ 3,00 por bushel. No entanto, o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, sinaliza que nesse patamar os preços não são competitivos no Brasil, nos EUA e outros lugares do mundo.

Além disso, os preços em patamares mais baixos têm feito com os produtores tanto brasileiros, quanto os estadunidenses reduzissem o interesse vendedor. "E, daqui a um mês, quando a colheita nos EUA chegar a 60% ou 70%, iremos voltar a discussão do que plantar na próxima safra, soja ou milho. Nesse momento, a soja é mais competitiva, mas com a situação, pesquisas preliminares já apontam que no próximo ano, a área de milho norte-americano será menor do que a de soja. E a última vez que isso aconteceu foi há 34 anos", explica.

Ainda na visão do consultor, ainda não é possível saber até quando os preços ficarão mais baixos. "Mas os preços baixos estimulam a demanda e o melhor remédio para cotações baixas são cotações mais baixas, pois, dessa forma, limito a oferta e estimulo a demanda. Acredito que o milho tem pouco a perder", completa Fernandes.

As vendas para exportação da safra 2014/15 foram projetadas em 836,3 mil toneladas, até a semana encerrada no dia 18 de setembro. Na semana anterior, o volume foi de 659,7 mil toneladas, segundo dados do departamento norte-americano. A quantidade ficou dentro da estimativa do mercado, entre 600 até 900 mil toneladas de milho.

E nesta sexta-feira, o USDA reportou a venda de 107.188 mil toneladas de milho para o México. Da quantidade, cerca de 59.309 mil toneladas deverão ser entregues na safra 2014/15 e o restante, em torno de 47.879 mil toneladas na temporada 2015/16.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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