Milho: Em Chicago, mercado opera próximo da estabilidade focado no clima nos EUA

Publicado em 03/10/2014 13:45 241 exibições

Ao longo da sessão desta sexta-feira (3), as principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) permanecem operando com ligeiras perdas, próximos da estabilidade. Por volta das 13h11 (horário de Brasília), os primeiros vencimentos exibiam perdas de 0,50 pontos, os demais estavam estáveis. O contrato dezembro/14 era negociado a US$ 3,22 por bushel, mesmo valor registrado no início pregão.

Frente aos fundamentos negativos, já conhecidos pelo mercado, os participantes se voltam para as previsões climáticas nos Estados Unidos. A perspectiva para os próximos 8 a 14 dias, o tempo deverá ficar úmido e frio. Além disso, há previsão de chuvas forte e até mesmo a ocorrência de geadas.

As projeções, se confirmadas, poderão atrasar a colheita do milho norte-americano. No início dessa semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que cerca de 12% da área cultivada já havia sido cultivada. O departamento irá atualizar os números em novo boletim de acompanhamento de safras na próxima segunda-feira (6).

"Até agora, os mapas climáticos não mostram grandes preocupações para os produtores norte-americanos. Mas o mercado fica nervoso, pois as origens não vendem e a produtividade das lavouras são boas", destaca o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes.

Se na segunda-feira, o USDA apontar um atraso da colheita, mas os mapas indicarem tempo aberto, não haverá mudança nos preços. "Porém, se chegarmos na segunda-feira com colheita normal, mas com previsões de chuvas e até ocorrência de neve mais adiante, nos próximos 15 a 20 dias, o mercado pode puxar um pouco para cima", completa o consultor.

Enquanto isso, as informações da demanda são insuficientes para alavancar os preços. Nesta quinta-feira, o USDA indicou as vendas para exportação em 638,1 mil toneladas, até a semana encerrada no dia 25 de setembro, contra 836,3 mil toneladas divulgadas na semana anterior.

"Diante desse cenário, a expectativa é que o mercado encontre o mínimo tanto para soja como para milho, quando estivermos com mais de 50% colhido. Com isso, o mercado deve encontrar um nível de conforto, com 40 cents para cima ou para baixo", ressalta Fernandes.

Mercado interno

Durante essa semana, os preços do milho praticados no mercado interno apresentaram alguma reação. No Porto de Paranaguá, a saca iniciou a segunda-feira (29) cotada a R$ 22,50 e até ontem, o valor subiu para R$ 23,50. O cenário é decorrente da alta do dólar registrada durante essa semana, a moeda norte-americana tocou o nível de R$ 2,50 e os ganhos na Bolsa de Chicago. Ainda assim, em sua maioria, as cotações ainda estão pressionadas. 

Frente a esse cenário, não houve melhora na comercialização, uma vez que os produtores ainda seguram boa parte da safrinha à espera de melhores oportunidades e, por outro lado, os compradores estão em situação confortável. Em contrapartida, as exportações continuam lentas e somaram nos primeiros 9 meses de 2014, os embarques do cereal somam 11 milhões de toneladas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior. O número representa uma queda de 30% em comparação com o mesmo período de 2013.

Consequentemente, os analistas sinalizam que é possível que o país não consiga exportar o indicado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 21 milhões de toneladas. “Deveremos ter um número próximo de 17 a 18 milhões de toneladas e irá sobrar um estoque importante para o próximo ano. Mas, ainda não há uma garantia de uma boa safra de milho na safra de verão e da safrinha, por enquanto, temos uma incógnita”, diz Fernandes.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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