Milho: Em véspera do relatório do USDA, mercado fecha pregão em alta frente ao atraso da colheita nos EUA

Publicado em 09/10/2014 18:22 221 exibições

Pelo 7º pregão consecutivo, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam do lado positivo da tabela. Ao longo dos negócios desta quinta-feira (9), as principais posições da commodity reverteram as quedas e terminaram a sessão com ganhos entre 0,75 e 1,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,44 por bushel.

Segundo informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, os preços do cereal registraram o rali mais longo dos últimos 8 meses. No pregão de hoje, os futuros do milho foram impulsionados pelos números das vendas para exportação, que subiram 23% de uma semana para outra, conforme dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Até o dia 2 de outubro, as vendas somaram 784,8 mil toneladas de milho. O volume ficou acima das expectativas dos participantes do mercado, de 650 mil toneladas e também é superior ao índice da semana anterior, de 638,1 mil toneladas do grão. 

No acumulado da temporada 2014/15, as vendas do milho somam 15.298,4 milhões de toneladas, frente as 44,450 milhões de toneladas projetadas pelo departamento norte-americano. Com isso, cerca de 34% das exportações já foram comprometidas. 

"As exportações melhoraram e podem dar um impulso ao mercado do milho", disse o presidente da Brugler Marketing & Management, Alan Brugler, em entrevista à Bloomberg. 

Outro fator que também contribuiu para a formação do cenário foi as informações em relação ao clima. Frente às condições climáticas desfavoráveis nesse momento, com excesso de chuvas, os trabalhos nos campos evoluíram pouco em comparação com a semana passada. De acordo com dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo apenas 17% da área cultivada nesta safra havia sido colhida.

Entretanto, apesar da reação, os fundamentos para o mercado permanecem negativos. E, nesse momento, a perspectiva de uma safra maior do que esperado inicialmente pressiona os preços. Nesta sexta-feira (10), o USDA irá divulgar o novo boletim de oferta e demanda e, a expectativa dos participantes do mercado é que haja uma revisão para cima na projeção para a produção de milho dos EUA. 

A perspectiva é que a safra do cereal norte-americano totalize 368,95 milhões de toneladas, um aumento expressivo em relação à última previsão, de 365,65 milhões de toneladas. Ainda assim, alguns investidores apostam que a produção norte-americana nesta temporada pode ficar acima das 370 milhões de toneladas para o milho.

Mercado interno 

Os preços do milho praticados no mercado interno brasileiro permaneceram estáveis nas principais praças pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em São Gabriel do Oeste (MS), o dia foi de valorização de 1,25%, com a saca cotada a R$ 16,20, em Jataí (GO), a alta foi menor, de 0,18% e a saca do milho terminou a quinta-feira negociada a R$ 16,73. Em contrapartida, no Porto de Paranaguá, a saca encerrou o dia cotada a R$ 23,40, com queda de 0,43%.

Nesta quinta-feira, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgou novo boletim de acompanhamento da safra brasileira. Para a safra de verão 2014/15, a companhia destaca que a produção poderá ficar abaixo de 30 milhões de toneladas, em função da redução da área plantada, frente aos preços que permanecem mais baixos e sem expectativas de recuperação no curto prazo. Ao todo, é projetada uma diminuição de até 4,6% na área, em relação ao ano passado. 

Para a próxima safra, há uma perspectiva de aumento no consumo interno cerca de 2%, podendo alcançar 55 milhões de toneladas. O índice mais baixo, segundo a companhia, é decorrente do setor de produção animal que ainda não reflete os embargos da Rússia em relação aos Estados Unidos e a Europa. 

Já os estoques das safras 2013/14 e 2014/15 deverão permanecer elevados, o que deverá influenciar na formação dos preços no mercado interno. E que também poderá refletir na decisão do produtor rural no plantio do milho safrinha no próximo ano.

Exportações de milho

A companhia também fez um balanço das exportações brasileiras de milho. Em setembro deste ano, os embarques somaram 2,7 milhões de toneladas, uma redução de 22,28% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. A expectativa é que sejam exportadas ao redor de 21 milhões de toneladas do grão nesta temporada. 

Veja como fecharam os preços do milho nesta quinta-feira:

>> MILHO

Confira os números das exportações brasileiras de janeiro a setembro:

Veja também os números de consumo, exportações, produção e importação, previstos pela Conab:

 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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