Milho: Com expectativa de avanço na colheita dos EUA, mercado inicia a semana em queda na CBOT

Publicado em 27/10/2014 09:00 94 exibições

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela no início da sessão desta segunda-feira (27). O mercado dá continuidade ao movimento de perda e, por volta das 9h41 (horário de Brasília) exibiam quedas entre 3,25 e 3,50 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,49 por bushel.

Os preços da commodity são pressionados pelas previsões climáticas nos Estados Unidos, que indicam tempo mais seco nos próximos dias. A perspectiva é que com o clima firme, os produtores norte-americanos consigam avançar com os trabalhos nos campos. Na última semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que a colheita estava completa em 31% da área cultivada nesta safra.

O órgão irá atualizar os números em novo boletim que será divulgado no final desta segunda-feira. De acordo com informações da agência internacional de notícias Bloomberg, a ausência de chuvas no Centro-Oeste do país deverá durar até o dia 2 de novembro.  
"E como a previsão indica tempo melhor essa semana, estamos propensos a ver as colheitas serem retomadas muito rápido também", disse o analista do Rabobank International, Graydon Chong, em entrevista à Bloomberg. "Estamos nos aproximando da marca de meio caminho para a colheita de soja e milho nos EUA, então estamos ficando com um pouco mais de certeza sobre o tamanho da safra", completa.

Outra informação que também deve influenciar as cotações nesta segunda-feira é o relatório de embarques semanais. O boletim é um importante indicativo de demanda e será anunciado pelo USDA.

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Milho: No Brasil, preços sobem impulsionados pela valorização do dólar e altas na CBOT

A semana foi de valorizações aos preços do milho praticados no mercado interno brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, os preços subiram nas principais praças pesquisadas. Em Não-me-toque (RS), os preços subiram para R$ 21,50, com ganho de 2,38%. Em Ubiratã (PR), a saca terminou a semana cotada a R$ 18,00, com alta de 2,86%.

Em Londrina (PR), o ganho foi de 4,65%, com a saca negociada a R$ 18,00. Já em Tangará da Serra (MT), a cotação subiu para R$ 14,50, uma valorização de 3,57%. Em Jataí (GO), a alta foi de 6,59% e a saca cotada a R$ 19,25, no Porto de Paranaguá, os ganhos foram de 6,12% e saca terminou a sexta-feira negociada a R$ 26,00.

Além da alta no dólar nos últimos dias, os ganhos registrados no mercado internacional também influenciam as altas no mercado brasileiro. Nesta sexta-feira, a moeda norte-americana terminou cotada a R$ 2,45, com queda de 2,26%. Conforme dados da Reuters, essa é maior queda no fechamento desde 18 de novembro de 2011. 

Em contrapartida, as vendas mais lentas também contribuem para o suporte nas cotações. Em Chapadão do Sul (MS), os preços subiram entre R$ 1,00 a R$ 1,50 nos últimos dias, para R$ 17,50, mas ainda assim, os produtores não estão negociando o produto.

Frente a essa melhora no quadro, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) cancelou a operação de leilão de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) que seria feito nesta quinta-feira. A entidade iria ofertar cerca de 910 mil toneladas do grão da safra 2013/14 e 2014.

Ainda nesta quinta-feira, o Ministério da Agricultura informou que nas praças em que o valor estiver abaixo do preço mínimo, o produtor poderá procurar a Conab e faz o AGF (Aquisição do Governo Federal).

BM&F

Os futuros do milho na BM&F terminaram a sexta-feira (24) do lado negativo da tabela. As principais posições do cereal fecharam a sessão com perdas entre 0,90% e 1,69%. O contrato março/15 era negociado a R$ 29,15. Ainda assim, em boa parte da semana, os preços subiram e registraram importantes ganhos.

Nos últimos dias, as especulações em relação ao clima no Brasil têm contribuído para dar firmeza e sustentação aos preços do cereal. Diante das chuvas irregulares, em muitas regiões o plantio da soja está parado, situação que afetará a janela ideal de cultivo do milho safrinha. 

Em Chapadão do Sul (MS), até o momento apenas 10% da área foi semeada com a soja, número bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, de 40%. O mesmo acontece em Nova Mutum (MT), sem chuvas há mais de 30 dias, cerca de 15% da área foi plantada, contra a média de 50% observado na safra de 2013.

Inclusive, em algumas regiões, os produtores sinalizam que poderão cancelar as compras das sementes do milho para a safrinha. Na maioria das localidades, os agricultores têm até o dia 28 de fevereiro para finalizar a semeadura do grão, mas com o atraso na soja, a perspectiva é que a oleaginosa seja colhida próximo do dia 20 de fevereiro.

Apesar do cenário, o analista de mercado da Agrinvest, Marcos Araújo, destaca que, ainda há muita coisa para acontecer até a próxima safrinha. "Temos uma redução no plantio da safra de verão, a Conab estima a produção ao redor de 28 milhões de toneladas. Porém, também temos o aumento nos estoques para mais de 18 milhões de toneladas, que é uma pressão negativa aos preços", explica.

Entretanto, o analista ressalta que, caso o clima permaneça adverso, com seca em algumas regiões ou até mesmo a possibilidade de geadas mais adiante, poderemos ter um comprometimento da oferta do cereal no segundo semestre de 2015. Paralelo a essa situação, é preciso destacar que a demanda pelo milho permanece aquecida, especialmente pelo setor de rações e também nos Portos, os prêmio estão US$ 1,00 acima do valor praticado na Bolsa de Chicago.

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta sexta-feira (24) do lado negativo da tabela. Os contratos da commodity exibiram perdas de 6,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,53 por bushel. Apesar da queda de hoje, o saldo da semana foi positivo, com valorizações entre 1,35% e 1,44%. 

De acordo com informações reportadas pela agência internacional de notícias Bloomberg, o mercado foi pressionado pelas especulações de que o clima favorável impulsionará a colheita nos Estados Unidos. As previsões climáticas apontam que o Cinturão Milho terá tempo seco no final de semana. 

Segundo informações do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) até o último domingo, apenas 31% da área havia sido colhida. O número está bem abaixo da média dos últimos cinco anos, que é de 53%. Nesta safra, a perspectiva é que os produtores norte-americanos colham mais de 367 milhões de toneladas. O órgão irá reportar novo boletim na próxima segunda-feira. 

Conforme projeções divulgadas por sites internacionais, a perspectiva é que a produtividade das lavouras norte-americanas alcance entre 169,35 a 201,1sacas por hectare, no Noroeste de Iowa. Em Indiana, o rendimento das plantações poderá ficar entre 277,82 e 289,17 sacas por hectare.

Outro fator que também ajudou alavancar os preços do cereal durante essa semana foi as informações do lado da demanda. Os números dos embarques e das vendas semanais também contribuíram para a firmeza do mercado. Ainda ontem, o órgão informou as vendas em 1.031,22 milhão de toneladas até o dia 16 de outubro. Até o momento, cerca de 41% do volume projetado para a exportação nesse ano safra já foi comprometido. Ainda hoje, o USDA reportou a venda de 101.600 mil toneladas do grão para destinos não revelados.

"O movimento de alta dos preços foi impulsionado pelo anúncio de ontem de exportações, que inesperadamente vieram mais firmes nos Estados Unidos", disse a analista do Commerzbank AG, Michaela Kuhl, em entrevista à Bloomberg. "As vendas de ambas as commodities, soja e milho, foram maiores do que o mercado esperava", completa. 

Ainda de acordo com informações da agência, somente em 2014, os preços da commodity recuaram 14%. Situação decorrente da expectativa de safra recorde nos EUA nesta temporada.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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