Milho: Demanda impulsiona e preços sobem em Chicago; na BM&F dia também é de valorização

Publicado em 27/10/2014 12:37 e atualizado em 27/10/2014 13:41 535 exibições

Durante as negociações do pregão desta segunda-feira (27), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) reverteram as perdas e voltaram a trabalhar em campo positivo. Por volta das 13h01 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam ganhos entre 5,75 e 6,00 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,59 por bushel. 

O mercado é impulsionado pelos números dos embarques semanais. De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o dia 23 de outubro, os embarques totalizaram 702.906 mil toneladas de milho. O número ficou pouco abaixo do reportado na semana anterior, de 717.653 mil toneladas do cereal.

Nas últimas semanas, os bons números reportados pelo departamento norte-americano têm contribuído para sustentar os preços futuros do cereal. Do mesmo modo, as notícias em relação ao clima no país e, o atraso na colheita também ajudou nas valorizações registradas recentemente.

Entretanto, as previsões climáticas indicam que o clima deverá permanecer firme nos próximos dias, até o próximo dia 2 de novembro. Com isso, a perspectiva é que os produtores norte-americanos consigam avançar com os trabalhos nos campos. Na semana anterior, o USDA divulgou que a colheita estava completa em 31% da área cultivada nesta safra.

Para essa segunda-feira, a perspectiva dos participantes do mercado é que o departamento anuncie um número próximo de 46% da área colhida, conforme dados do site internacional Farm Futures. 

"E como a previsão indica tempo melhor essa semana, estamos propensos a ver as colheitas serem retomadas muito rápido também", disse o analista do Rabobank International, Graydon Chong, em entrevista à Bloomberg. "Estamos nos aproximando da marca de meio caminho para a colheita de soja e milho nos EUA, então estamos ficando com um pouco mais de certeza sobre o tamanho da safra", completa.

BM&F

Os vencimentos futuros do milho na BM&F também trabalham do lado positivo da tabela na manhã desta segunda-feira. Por volta das 12h16 (horário de Brasília), as posições registravam valorizações entre 0,10% e 1,69%. O contrato março/15 era cotado a US$ 28,94 a saca.

A preocupação em relação ao atraso do plantio da soja e, consequentemente, a redução da janela ideal de plantio do milho safrinha permanecem dando sustentação aos preços. Em muitas localidades, principalmente, no Centro-Oeste brasileiro, os produtores conseguem, aos poucos, dar continuidade aos trabalhos nos campos devido às chuvas observadas no final de semana.

Ainda assim, na região de Jataí (GO), o atraso está entre 10 a 15 dias no plantio da oleaginosa, conforme destaca o produtor rural do município, Mozart Carvalho de Assis. "Temos atualmente cerca de 50% a 60% da área cultivada, porém, no mesmo período do ano passado, já tínhamos terminado a semeadura do grão. E isso gera uma preocupação para a próxima safrinha de milho", destaca.

Na visão do analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, a oferta menor prevista para o próximo ano deverá dar suporte às cotações do milho. "Com o cenário de preços, em muitas regiões, os produtores reduziram a área destinada ao cereal na primeira safra, especialmente em favor da soja e do feijão preto", explica.

Com isso, a perspectiva do analista é que na primeira safra, os produtores brasileiros colham um número próximo de 25 milhões de toneladas do cereal, caso o clima seja adequado. A projeção está abaixo do volume colhido na safra anterior, de 29 milhões de toneladas do grão. 

"A segunda safra está comprometida, a maioria das lavouras de soja deverão ser colhidas no final de fevereiro e início de março. Consequentemente, boa parte da safrinha será feita fora dessa janela ideal, já chegamos a colher 78 milhões de toneladas, entre safra e safrinha, mas o número deve ficar próximo de 60 a 65 milhões de toneladas. E teremos menos milho para exportar e um quadro de aperto no mercado interno", ressalta Brandalizze.

Em contrapartida, o consultor também destaca que a demanda do setor de carnes também está aquecido. "Nesse momento, o milho só mostra potencial de crescimento", acredita.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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