Milho: Indicador ESALQ/BM&F renova recorde refletindo falta de oferta no Brasil

Publicado em 22/03/2016 16:50

Os preços do milho continuam subindo no Brasil e, no início desta semana, o indicador Esalq/BM&F renovou seu recorde e foi a R$ 49,10 por saca. Na BM&F, a sessão desta terça-feira (22) também foi positiva, apesar de uma nova queda do dólar, com as cotações refletindo imediatamente seus fundamentos. As posições mais negociadas fecharam o dia com ganhos de 0,14% a 2,21%, e o vencimento maio/16 cotado a US$ 45,37 por saca. A exceção ficou por conta do janeiro/17, que foi a R$ 38,58, caindo 0,31%. 

"A transição de estoques baixos com uma safra de verão muito pequena, consolidou esse movimento de recorde de preço no primeiro semestre, em toda a região Centro-Sul", explica Paulo Molinari. 

Segundo explica o o analista da consultoria Safras & Mercado, o avanço das cotações é reflexo de um cenário construído por uma pequena oferta vinda da safra de verão, que ainda teve sua colheita atrasada por conta do excesso de chuvas em algumas áreas produtoras, e pelas exportações fortes do Brasil. Entre janeiro e fevereiro de 2016, somente, as vendas externas brasileiras somaram 7,14 milhões de toneladas, contrariando a sazonalidade dos embarques nacionais. 

E além do forte interesse externo pelo cereal do Brasil, a demanda interna é muito forte e também vem pagando bem por ele, o que dá ainda mais suporte aos preços no interior do país, já que, ainda como explica Molinari, o quadro estimula uma competição pelo produto. "Todo milho que vai entrando gera uma luta muito forte entre todos os consumidores e os preços, mesmo em colheita, não conseguem baixar. A disputa é interna", diz. 

Nessa situação e à espera da oferta da segunda safra - que ainda é uma incógnita, visto que as lavouras poderiam passar por um novo período de estiagem na região Centro-Norte do Brasil, de acordo com as últimas previsões - a possibilidade da importação de milho pelos brasileiros começa a ganhar mais peso e se tornar uma das poucas alternativas para o atendimento do consumo. 

"Essa é a única forma de o mercado interno conseguir amenizar o impacto dessa oferta ajustada e a única forma de garantir o abastecimento antes da chegada da safrinha", afirma o analista da Safras & Mercado. "O grande problema neste momento é que estão colocando informações sobre importações no mercado em uma tentativa de queda, mas não há nada confirmado ainda", completa Molinari. E o analista afirma que até o próximo dia 15 há registro de apenas um navio com 30 mil toneladas saindo da Argentina com destino ao Nordeste brasileiro.

Nesta terça-feira, porém, as cotações do milho registraram um dia de estabilidade nas principais praças de comercialização e no porto de Paranaguá, onde encerrou o dia com R$ 34,00 por saca para o embarque em setembro/16. Já em Ponta Grossa/PR, referência ainda nos R$ 42,00 por saca; em Não-Me-Toque/RS, R$ 37,00; Jataí/GO, R$ 32,00 e no Oeste da Bahia, R$ 39,25 por saca. 

Estabilidade na Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, novamente, os futuros do milho encerraram o pregão com estabilidade. Nesta terça, as posições mais negociadas subiram 0,50 ponto, com o maio/16 terminando o dia cotado a US$ 3,70 por bushel, enquanto o setembro/16 foi a US$ 3,79. O cereal, como explicam analistas internacionais, mais uma vez pegou carona nas ligeiras altas que vem sendo registradas pelo trigo para registrar estes pequenos ganhos. 

Ao lado da movimentação técnica, atenção ainda ao início da safra 2016/17 dos Estados Unidos. "O clima também está em jogo, como a frustração das expectativas de um início rápido dos trabalhos de campo por conta das previsões climáticas indicando para esta semana, na região norte do corredor I-80 (próximo a Illinois)", explica Bryce Knorr, analista sênior do portal Farm Futures. 

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Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • jose renato da silva Uberlândia - MG

    Qual o preço do milho argentino posto no Nordeste?

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