Milho: Com suporte da soja, preços sobem nesta 4ª feira em Chicago e consolidam patamar de US$ 4,00/bu

Publicado em 25/05/2016 17:51 e atualizado em 26/05/2016 09:21
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O pregão desta quarta-feira (25) foi positivo aos preços futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições do cereal exibiram ganhos entre 5,75 e 7,25 pontos, com valorizações de mais de 1%. Todos os contratos permanecem acima do patamar de US$ 4,00 por bushel. O julho/16 era cotado a US$ 4,04 por bushel e o dezembro/16 negociado a US$ 4,08 por bushel.

De acordo com informações do site internacional Farm Futures, as cotações do cereal foram alavancadas pelos fortes ganhos registrados nos futuros da soja. Por sua vez, a oleaginosa encerrou o dia com valorizações expressivas em meio às novas previsões de chuvas para os EUA e também pela demanda aquecida pelo farelo de soja, ainda conforme ressaltaram as agências internacionais.

"As previsões mantêm as chuvas no Meio-Oeste dos EUA nos próximos dias, mas as mais pesadas são previstas para o lado ocidental, onde grande parte do cereal já foi cultivado", disse Bob Burgdorfer, do portal Farm Futures. Até o último domingo (22), os produtores norte-americanos já haviam realizado a semeadura em 86% da área projetada para essa temporada, segundo relatório de acompanhamento de safras do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

No período de 28 de maio a 5 de junho, as chuvas no Meio-Oeste, com exceção das Dakotas e Nebraska, deverão acumular entre 50 mm até 125 mm. Inclusive, o estado de Iowa pode receber volumes de precipitações mais intensos. No mesmo período, as temperaturas começam a aumentar e devem variar entre normais e ligeiramente acima do normal, as informações foram reportadas pela corretora Labhoro.

A demanda pelo produto norte-americano também continua sendo observada de perto pelos investidores. Ainda hoje, um relatório da agência Reuters informou que Israel comprou 108 mil toneladas de milho com origem opcional, que pode ser adquirido pelos Estados Unidos. Mais cedo, as especulações a respeito de uma compra de 70 mil toneladas de milho feita pela Coreia do Sul, que ainda adquiriu mais 60 mil toneladas de trigo, também movimentaram os preços.

Mercado interno

No mercado interno, as cotações do milho permanecem firmes. Nesta quarta-feira (25), o preço em Não-me-toque (RS) subiu 1,10% e a saca fechou o dia a R$ 46,00. Em Ponta Grossa (PR), a valorização ficou em 1,92% e a saca a R$ 53,00. No Porto de Paranaguá, a saca para entrega em setembro/16 também subiu 1,35%, com o preço a R$ 37,50. Na contramão desse cenário, em Araçatuba (SP), o valor praticado caiu 8,11%, com a saca a R$ 43,96, em Avaré (SP), a queda foi de 7,85% e a saca encerrou o dia a R$ 45,91 a saca. Nas demais praças pesquisadas pela equipe do Notícias Agrícolas o dia foi de estabilidade.

A oferta restrita permanece como o principal fator de suporte aos preços do cereal no mercado doméstico. Frente a esse quadro, a solução para o outro lado da cadeia tem sido as importações. No acumulado entre janeiro e abril, as importações de milho já totalizam 243,65 mil toneladas, conforme dados divulgados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Do total adquirido, em torno de 123,74 mil toneladas tem como origem o Paraguai e, o restante é da Argentina. Recentemente, o governo brasileiro isentou a taxa de importação de milho de fora do Mercosul para 1 milhão de toneladas. Ainda hoje, o Ciep (Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos) aprovou a venda em balcão de 160 mil toneladas de milho, com o limite mensal de seis toneladas por produtor rural. A medida foi reportada no Diário Oficial da União.

“A venda direta dos estoques públicos do grão vai beneficiar principalmente pequenos criadores das regiões Sul e Nordeste, que usam o milho na alimentação dos animais. A resolução também estabeleceu os preços de liberação de estoques (PLE), no caso do milho, em R$ 17,50 a saca de 60 kg para o estado de Mato Grosso”, informou o Ministério da Agricultura em nota.

Atualmente, os estoques públicos de milho somam pouco mais de 902 mil toneladas, de acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). O volume é bem menor do que o consumo mensal do país, de 4,5 milhões de toneladas, conforme reforçam os analistas.

BM&F Bovespa

As cotações futuras do milho negociadas na BM&F Bovespa fecharam o pregão desta quarta-feira (25) do lado positivo da tabela. As principais posições da commodity exibiram valorizações entre 1,38% e 2,77% no final do pregão. O contrato julho/16 era cotado a R$ 45,51 a saca, enquanto o setembro/16, referência para a safrinha brasileira, era negociado a R$ 43,02 a saca. O janeiro/17 encerrou o dia a R$ 45,71 a saca e ganho de 2,49%.

O mercado voltou a subir após recuar por três sessões consecutivas. Os analistas reforçam que os participantes do mercado já começam a olhar o início da colheita da safrinha de milho no país. Mesmo com a quebra na produção, devido ao clima seco registrado em abril, a perspectiva é que sejam colhidas ao redor de 52,90 milhões de toneladas, conforme as projeções oficiais da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Em importantes estados produtores do cereal na safrinha, como Mato Grosso e o Paraná, os agricultores já iniciaram os trabalhos nos campos. Inclusive, em Mato Grosso, a colheita já chegou a 0,37%, conforme última projeção do Imea (Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária). Normalmente, os agricultores mato-grossenses começam a colheita do milho em meados do mês de junho.

Porém, em algumas regiões como é o caso de Sinop, os trabalhos nos campos têm sido antecipados para que os agricultores consigam aproveitar os valores mais altos praticados no mercado disponível, segundo disse o presidente do Sindicato Rural do município, Antônio Galvan em recente entrevista ao Notícias Agrícolas. Na localidade, a saca do cereal é negociada entre R$ 30,00 a R$ 33,00.

Além dos fundamentos, os bons ganhos registrados na Bolsa de Chicago e no dólar também contribuíram para a sustentação nos preços. Ainda hoje, a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 3,5974 na venda, com ganho de 0,61%. O patamar é o maior desde o dia 7 de abril, quando o câmbio fechou a R$ 3,6937. Conforme dados da agência Reuters, os investidores seguem preocupados com o cenário político e em véspera de feriado, já que nesta quinta-feira (26) é comemorado Corpus Christi no Brasil.

Confira como fecharam os preços nesta quarta-feira:

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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