Milho: Apesar das altas de mais de 1% na CBOT, mercado no Brasil perde até 13% na semana

Publicado em 02/09/2016 17:22
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A semana foi positiva para os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago e os contratos mais negociados encerraram a semana com altas de mais de 1%. A exceção ficou por conta do setembro/16, que subiu apenas 0,08% para US$ 3,16 por bushel, enquanto o dezembro/17 liderou o avanço - 1,20% - para terminar os negócios com US$ 3,38. O foco permaneceu, durante toda a semana, sobre a nova safra dos Estados Unidos, mas agora com o adicional de inúmeras especulações sobre o seu real tamanho. 

Durante toda a semana e, especialmente nesta sexta-feira (2), o mercado internacional recebeu reportes de consultorias privadas e produtores que indicavam uma produtividade média menor do milho norte-americano do que vem sendo esperado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de 175 bushels por acre - algo acima de 185 sacas por hectare - e os dados serviram como combustível para as cotações. 

A colheita do cereal nos EUA já foi iniciada em alguns pontos de estados como Kansas, Oklahoma, Mississipi, Missouri e Illinois e, em entrevista ao Agriculture.com, o diretor de grãos da Northstar Commodities, Jason Ward, as médias de rendimento recebidas têm sido mais baixas do que o esperado. Dessa forma, ainda de acordo com o executivo, o quadro vem sustentando os preços e permitindo um posicionamento dos fundos de investimentos diante dessas especulações. 

Nesta sexta, a Informa Economics trouxe seu número de produtividade em 174,1 bushels por acre (184,27 sacas por hectare), maior do que os 169,81 (179,72) projetados em julho, porém, ainda ligeiramente menor do que o último número do USDA. 

Saiba mais:

>> Milho: Produtividade média prevista pelo USDA pode não ser alcançada e preços podem voltar aos US$ 4, acredita produtor americano

Ao mesmo tempo, há outros dois movimentos ganhando força e espaço no mercado em Chicago que é a comerciaização travada nos Estados Unidos, com os produtores esperando por melhores oportunidades de comercialização, enquanto a demanda pelo produto norte-americano se mostra forte e crescente. O momento, afinal, é de elevada competitividade desse produto entre os importadores. E esse quadro, como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

"A exportação dos EUA está com 102,4% das projeções do USDA do mês de agosto, que
veio com 48,9 milhões de toneladas (no acumulado). No ano passado, as vendas mostravam 100,1% das 47,36 milhões de toneladas exportadas. O quadro atual está mantendo exportações acima das projeções e isso pode ser favorável à frente, porque o quadro tende a
apertar e resultar em estoques menores nos EUA', diz.

Mercado Brasileiro

Para os preços do milho no mercado brasileiro, a semana foi bem mais intensa e negativa. As referências nas principais praças de comercialização, de acordo com um levantamento do economista André Bittencourt Lopes, do Notícias Agrícolas, perderam de 1,18% a 13,54% e poucas ainda se sustentam acima dos R$ 40,00 por saca. No porto de Paranaguá, queda de 1,54% para R$ 32,00 e estabilidade no terminal de São Francisco nos R$ 32,50. 

Em Londrina e Cascavel, ambas no Paraná, a baixa foi de 8,82% para R$ 31,00 por saca; em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, de 3,45%, para R$ 28,00 e em Avaré, São Paulo, recuo de mais de 13% com o valor da saca do grão caindo de R$ 39,56 para R$ 34,19. Sorriso/MT também tem preço abaixo dos R$ 30,00 e termina a semana com R$ 28,00 por saca. 

"Os negócios seguem pontuais, com os compradores levandos das mãos para a boca o milho", explica Brandalizze. Ainda de acordo com o consultor, os compradores também evitam vir com muita agressividade ao mercado frente às boas condições que os primeiros campos plantados da nova safra de verão sinalizam, indicando a possibilidade de algumas primeiras colheitas ainda em dezembro.

Além disso, o dólar segue como outro fator de pressão sobre as cotações do milho neste momento, inviabilizando também negócios na exportação, portanto, e não estimulando a presença dos vendedores no mercado neste momento. A comercialização, portanto, está travada diante deste quadro. 

Para Ênio Fernandes, consultor de mercado da Terra Agronegócios, essa pressão sobre as cotações é momentânea e o estímulo para os preços deverá vir da situação interna. "Temos um estoque extremamente apertado no Brasil, e não vejo o mercado ficar menos tensionado antes da entrada da safrinha de 2017. Mesmo a safra de verão, tirando alguns estados que terão um pouco importante na área de milho, não vai ser suficiente para jogar os preços muito para baixo", acredita.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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