Milho: Com influência do financeiro, mercado recua mais de 9 pts em Chicago e consolida 2ª queda consecutiva

Publicado em 13/09/2016 17:45 e atualizado em 14/09/2016 08:35
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Pelo segundo dia consecutivo, os preços futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o dia em campo negativo. Durante o pregão desta terça-feira (13), as principais posições do cereal ampliaram as quedas e encerraram a sessão com perdas entre 9,25 e 10 pontos, uma desvalorização de mais de 2,5%. O vencimento dezembro/16 era cotado a US$ 3,30 por bushel, enquanto o março/17 era negociado a US$ 3,40 por bushel. O maio/17 encerrou o dia a US$ 3,48 por bushel.

Conforme dados reportados pelas agências internacionais, na sessão de hoje, os contratos do cereal ainda foram influenciados pelos números de oferta e demanda reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira. Especialmente no caso do cereal, o órgão revisou para baixo as projeções de produção e produtividade das lavouras, porém, os ajustes ficaram abaixo do esperado pelos participantes do mercado.

Nesta segunda-feira, o órgão estimou a produção americana na temporada 2016/17 em 383,38 milhões de toneladas. No mês anterior, o número foi projetado em 384,91 milhões de toneladas. Já a produtividade das lavouras ficou em 184,57 sacas por hectare, frente as 185,32 sacas por hectare divulgadas no começo de agosto.

"E ontem, não tivemos um movimento negativo muito expressivo. Hoje, o mercado foi mais influenciado pelos altos rendimentos, que apesar de terem sido revistos, ainda temos a projeção de uma grande produção. Então, o peso dessa oferta toda em algum momento iria contaminar os fundos", explica a analista de mercado da Labhoro Corretora, Andrea Sousa Cordeiro.

Além disso, os investidores também acompanham as informações sobre o início da colheita em algumas regiões do cinturão produtor americano. No final da tarde desta segunda-feira, o USDA informou que cerca de 5% da área plantada nesta temporada já foi colhida até o último domingo (11).

"A colheita daqui para frente irá pressionar os preços do cereal e as previsões climáticas indicam um tempo favorável nos próximos 8 dias, o que deve contribuir para o avanço dos trabalhos nos campos no país", afirma Andrea. "A pressão da colheita começa a se desenvolver, com os produtores indo aos campos essa semana. E a perspectiva é que os trabalhos ganhem velocidade nesta e na próxima semana", reforça o portal Farm Futures.

Para completar o cenário negativo estão as informações vindas do mercado financeiro. "Os mercados mundiais acordaram de mau humor hoje e os fundos ajustaram as posições depois do relatório do USDA com mais intensidade", completa a analista da Labhoro Corretora.

Os preços do petróleo negociados na Bolsa de Nova York recuaram nesta terça-feira. O barril era cotado chegou a US$ 44,95, com queda de 2,89%, segundo informações do site da Investing.com. O acúmulo de estoques e o aumento da oferta, que podem gerar excedente durante os primeiros seis meses de 2017, estão no radar dos participantes do mercado.

“No caso do milho, o petróleo mais barato acaba pressionando os preços do etanol. E nos EUA parte da safra é destinada à produção de etanol. Porém, os preços do cereal já estão baratos, entre US$ 3,30 e US$ 3,40 por bushel, nesses níveis já temos um mercado comprador, não tem espaço para um recuo maior. E também nesses patamares os produtores americanos não irão vender o produto”, destaca o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze.

Já o dólar encerrou o dia em alta frente às principais moedas. O recuo nos preços do petróleo e a discussão sobre a possibilidade de elevação na taxa de juros nos EUA continuam sendo observados. O câmbio fechou o pregão a R$ 3,3168 na venda, com valorização de 2,09%, maior cotação de fechamento desde 7 de julho, quando o dólar encerrou o dia a R$ 3,3659, conforme dados da agência Reuters.

Mercado brasileiro

Apesar das oscilações mais expressivas no mercado internacional, no Brasil, as cotações exibiram leves modificações nesta terça-feira (13). Na BM&F Bovespa, as principais posições do cereal fecharam o dia com ligeiras altas, entre 0,33% e 2,07%. O vencimento novembro/16 era cotado a R$ 42,87 a saca. Apenas o contrato setembro/16, referência para a safrinha, caiu 0,14% e encerrou a sessão a R$ 42,19 a saca.

No mercado doméstico, a cotação subiu 8,57% em Avaré (SP), com a saca a R$ 37,12. Em Mato Grosso, em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, o ganho ficou em 3,70%, com a saca do cereal a R$ 28,00. Na contramão desse cenário, o valor caiu 2,68%, com a saca a R$ 35,17 em Itapeva (SP), já em São Gabriel do Oeste (MS), o recuo foi de 1,64%, com a saca a R$ 30,00.

Em Campinas (SP), a queda foi de 1,16%, com a saca do grão a R$ 42,60. Em Paranaguá, o preço da saca ficou em R$ 36,00. Nas demais praças pesquisadas pela equipe do Notícias Agrícolas o dia foi de estabilidade.

"O mercado de milho está em busca de equilíbrio entre os preços de compradores e vendedores. Enquanto em algumas regiões os valores subiram, na maioria das praças, ainda se verifica queda nas cotações. Segundo pesquisadores do centro, a pressão vem, especialmente, da retração de compradores, que estão atentos às paridades de importação e exportação", informou o Cepea em nota essa semana.

“Os negócios continuam lentos, especialmente na última semana com as informações sobre as importações do cereal da Argentina e do Paraguai, que tem abastecido o mercado brasileiro e afastado os grandes compradores. E também temos a safra de verão sendo plantada nesse momento, então a perspectiva é que em janeiro/17 nós tenhamos milho novo e temos as importações, o produtor deve estar atento a esse quadro. A orientação é que os agricultores participassem do mercado aos poucos”, acredita Brandalizze.

Confira como fecharam os preços nesta terça-feira:

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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