Focado na safra do Brasil, preços do milho consolidam nova queda no mercado doméstico nesta 4ª feira

Publicado em 11/01/2017 17:57 e atualizado em 12/01/2017 09:20
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A quarta-feira (11) foi mais um dia de queda aos preços do milho praticados no mercado interno brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, em Mato Grosso, nas praças de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, recuo foi de 3,70%, com a saca a R$ 26,00. Em Panambi (RS), a queda foi de 3,29%, com a saca a R$ 30,00.

As cotações ainda cederam no estado do Paraná, em Mato Grosso do Sul e São Paulo. Já no Oeste da Bahia, a cotação voltou a subir, com a saca a R$ 39,90 e ganho de 3,64%. Em São Gabriel do Oeste (MS), a alta foi de 1,92%, com a saca a R$ 26,50. No Porto de Paranaguá, o preço futuro ficou em R$ 35,00 a saca.

Na visão do pesquisador do Cepea, Lucílio Alves, o mercado iniciou 2017 mais pessimista em relação aos preços. "O cenário é reflexo do excedente doméstico em relação às estimativas previstas até então, o ritmo satisfatório que favoreceu o desenvolvimento da safra de verão e o otimismo para a segunda safra de milho", destaca.

Com a queda nas exportações previstas para o ciclo 2015/16, inicialmente previsto em 24 milhões de toneladas e, atualmente, em 18,3 milhões de toneladas, os estoques de passagem também foram revistos para cima. "Com isso, ao invés de termos 5 milhões de toneladas de excedente doméstico temos mais de 9 milhões de toneladas de estoque de passagem, o que implica em um mês de consumo", afirma Alves.

No caso da safra de verão, a perspectiva é que sejam colhidas mais de 28,40 milhões de toneladas, segundo números oficiais da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Já a segunda safra deve ficar próxima de 56 milhões de toneladas nesta temporada. "Isso leva a um ambiente diferente, mais favorável aos compradores do que aos vendedores", reforça Alves.

Por outro lado, o consumo interno para a temporada também foi projetado em 56,10 milhões de toneladas. "A previsão para a segunda safra é praticamente a estimativa de consumo doméstico, com isso, a safra de verão é excedente de mercado interno. E para mudar a perspectiva de preços, precisaremos manter um bom ritmo de exportação, acima de 24 milhões de toneladas, ou de algum fator que interfira no tamanho da oferta", explica o pesquisador.

Em meio a esse quadro, os últimos dias foram de ligeiros negócios com o cereal. "Ainda assim, temos nas principais regiões do Brasil preços remuneradores e que superam o custo total de produção. Em regiões como o norte de Mato Grosso e outras regiões de fronteira, o valor já está no limite de equilíbrio em relação ao custo total", pondera Alves.

BM&F Bovespa

As principais posições do milho negociadas na BM&F Bovespa esboçaram uma reação no pregão desta quarta-feira (11). Após as quedas recentes, as principais posições do cereal subiram e exibiram ganhos entre 0,12% e 2,49%. O vencimento janeiro/17 era cotado a R$ 34,60 a saca e o março/17 a R$ 34,00 a saca.

Enquanto isso, a moeda norte-americana caiu 0,22% no pregão desta quarta-feira e encerrou o dia a R$ 3,1916. Segundo a Reuters, a moeda chegou no menor patamar dos últimos dois meses, acompanhando o comportamento da moeda no exterior e com os investidores mais tranquilos após o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações do milho registraram um dia de volatilidade. Depois de apresentar perdas mais fortes ao longo da sessão, as principais posições do cereal reduziram o movimento negativo e finalizaram o dia com quedas entre 1,00 e 1,50 pontos. O vencimento março/17 era cotado a US$ 3,57 por bushel  e o maio/17 a US$ 3,64 por bushel.

Conforme das agências internacionais, o movimento é decorrente da postura dos investidores em ajustar posições antes do relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado nesta quinta-feira (12). "Além da menor produção no país, o governo poderia aumentar o volume de milho destinado à produção de etanol também", destacou o site Farm Futures.

Sem grandes novidades no quadro fundamental, os participantes do mercado ainda observam o desenvolvimento da safra na América do Sul. "Embora o foco tenha sido mais na soja, haverá alguns hectares de milho perdidos na Argentina devido às inundações na Argentina central", disse o consultor da Soybean and Corn Advisor, Michael Cordonnier.

Confira como fecharam os preços nesta quarta-feira:

>> MILHO

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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