Milho: Com oferta e Operação Carne Fraca no radar, preços têm nova queda nesta 3ª feira no Brasil

Publicado em 28/03/2017 17:53 e atualizado em 29/03/2017 10:27
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A terça-feira (28) foi de ligeiras perdas aos preços do milho no mercado interno brasileiro. Conforme levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes, o preço caiu 12% em Campo Grande (MS), com a saca do cereal a R$ 22,00. Em Jataí (GO), a perda foi de 8,00%, com a saca a R$ 23,00.

Na região de Luís Eduardo Magalhães (BA), a saca fechou o dia a R$ 32,00, com desvalorização de 3,03%. No Paraná, nas praças de Londrina, Cascavel e Pato Branco, os valores cederam 2,33%, com a saca a R$ 21,00. Já em Palma Sola (SC), o recuo ficou em 2,22%, com a saca R$ 22,00.

Em contrapartida, em Campinas (SP), o valor subiu 1,49%, com a saca a R$ 34,10. No Porto de Paranaguá, o valor futuro registrou valorização de 1,75%, com a saca a R$ 29,00.

"Nós já havíamos comentado que isso iria acontecer. No ano passado, os preços do milho estavam inflados pela falta de oferta, mas agora, em 2017, caminham para o nível de paridade de exportação. Isso estava previsto para acontecer com a chegada da safrinha, mas tivemos uma antecipação com as notícias da Operação Carne Fraca", reforça o consultor de mercado Flávio França Junior, da França Junior Consultoria.

Diante desse cenário, o consultor pondera que os preços ainda podem ceder mais no curto prazo. "Aconteceu um corte momentâneo na demanda com essas informações. Tudo irá depender das negociações que estão acontecendo para a reativação do setor de carnes, para que a demanda interna possa absorver a safra de verão", completa.

Como consequência, o Brasil precisará exportar mais nessa temporada para enxugar o excedente de oferta. Para esse ciclo, as expectativas apontam para exportações dá ordem de 30 milhões de toneladas de milho. Quadro que, para ser consolidado, dependerá do comportamento cambial.

"É preciso reforçar que a safra de inverno foi cultivada boa parte dentro da janela ideal e, se o clima colaborar, poderemos colher acima de 90 milhões de toneladas", afirma o consultor.

BM&F Bovespa

Na BM&F Bovespa, os preços do cereal também cederam no pregão desta terça-feira (28). As principais posições do cereal finalizaram o dia com perdas entre 0,43% e 1,23%. O vencimento maio/17 era cotado a R$ 28,08 a saca e o setembro/17 a R$ 27,64 a saca.

Os preços cederam apesar das ligeiras altas registras na Bolsa de Chicago e no câmbio. A moeda norte-americana avançou 0,31% e finalizou o dia a R$ 3,1390 na venda. Conforme dados da agência Reuters, o mercado ainda espera o reporte do contingenciamento do Orçamento desse ano e do provável aumento de impostos em meio a um cenário externo com menos preocupações com o andamento das políticas de estímulo do presidente dos EUA, Donald Trump.

Bolsa de Chicago

A sessão desta terça-feira (28) foi positiva aos preços do milho praticados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições do cereal encerraram o dia com ganhos entre 1,75 e 2,00 pontos. O vencimento maio/17 era cotado a US$ 3,57 por bushel, enquanto o julho/17 operava a US$ 3,65 por bushel. O setembro/17 finalizou o pregão a US$ 3,73 por bushel.

Segundo informações das agências internacionais, o mercado opera em compasso de espera para o primeiro boletim de intenção de plantio no país. O relatório será reportado na próxima sexta-feira. É consenso entre os investidores de que a área destinada ao cultivo do cereal seja menor nesta temporada.

"Essa queda já foi precificada parcialmente pelo mercado. E essa perspectiva de redução na área destinada ao plantio do cereal faz com que os preços caiam menos. Contudo, ainda é preciso acompanhar, pois o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traga alguma surpresa", reportou o consultor de mercado da França Junior Consultoria, Flávio França.

"Será difícil ver os mercados fazendo muito fora do comum até que tenhamos novos conjuntos de dados do USDA na sexta-feira", destacou Tregg Cronin, da Halo Commodities.

A semeadura do cereal deve se intensificar entre os meses de abril e maio nos Estados Unidos. Inclusive, no Sul do país o cultivo do grão já começou, embora as chuvas poderiam atrasar o progresso a partir de agora, conforme destacado pelo portal internacional Agrimoney.com.

"O plantio de milho em todo o Sul dos EUA fez progressos significativos na semana passada graças a temperaturas bem acima da normal e ao tempo relativamente seco durante a maior parte da semana", disse Kyle Tapley, da MDA Weather Services.

"O clima quente da semana passada também favoreceu a germinação da cultura do milho, com quase um terço da safra já germinando na Louisiana", completa.

Além disso, o mercado ainda dá continuidade à movimentação técnica em meio à falta de novas informações. Por outro lado, a grande safra na América do Sul continua como um fator de queda aos preços do cereal.

Confira como fecharam os preços nesta terça-feira:

>> MILHO

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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