Milho cai em Chicago e mercado aguarda relatório do USDA e novidades entre EUA-China

Publicado em 27/03/2019 17:19 e atualizado em 28/03/2019 09:36
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A quarta-feira (27) chega ao final com desvalorização nos preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações registraram quedas entre 2,25 e 3,5 pontos. O vencimento maio/19 foi cotado a US$ 3,73, o julho/19 valeu US$ 3,83 e o setembro/19 foi negociado por US$ 3,90.

Segundo análise de Bryce Knorr da Farm Futures, os relatórios governamentais dos Estados Unidos sobre estoques de grãos e plantações não saem até a manhã de sexta-feira, mas os mercados de grãos já estão posicionados em posições à frente do próximo despejo de dados. “Infelizmente para os futuros de milho e soja, essa manobra estava mais focada na venda técnica, o que empurrou os preços para baixo de 1% a 1,5% na sessão de hoje”, diz.

Os analistas esperam que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostre as vendas de milho na semana encerrada em 21 de março, totalizando entre 27,6 milhões e 53,1 milhões de bushels (entre 701.067 e 1,3 milhões de toneladas).

Ao mesmo tempo, os agentes do mercado seguem de olho nas movimentações de negociações entre China e EUA. Representantes do alto escalão dos EUA, incluindo o representante de Comércio, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, estão se dirigindo à China no final desta semana para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

No início desta semana, o Lighthizer disse aos repórteres que "se houver muito a ser obtido, nós conseguiremos. Se não, encontraremos outro plano”. Já o presidente Donald Trump disse aos legisladores republicanos na terça-feira que os EUA vão se contentar com nada menos do que um “excelente negócio”.

As ofertas de base de milho americano foram firmes na quarta-feira, subindo de 2 a 3 centavos em várias localizações do meio-oeste americano, já que as vendas de fazendeiros continuam a cair lentamente.

Mercado Interno

Já no mercado interno, os preços do milho disponível permaneceram sem movimentações em sua maioria, e tiveram resultados misturados nas praças que registraram movimentações. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, a valorização apareceu somente na praça de Campo Novo do Parecis/MT (1,92% e preço de R$ 26,50), Tangará da Serra/MT (3,70% e preço de R$ 28,00) e São Gabriel do Oeste/MS (7,41% e preço de R$ 29,00).

Por outro lado, foram registradas desvalorizações no Oeste da Bahia (0,69% e preço de R$ 36,00), Campinas/SP (1,24% e preço de R$ 39,89) e Porto Paranaguá/PR no agosto/19 (2,78% e preço de R$ 35,00).

Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista de mercado, Vlamir Brandalizze destacou que apesar da alta do dólar nessa quarta-feira ter influenciado bastante no mercado interno da soja, que registrou elevações nos preços dos portos, o mesmo movimento não aconteceu no mercado do milho.

“Os compradores e produtores estão bastante lentos nesse momento. A safrinha de milho se apresenta com excelentes condições com cerca de 12,5 milhões de hectares plantados e um potencial produtivo de 70 milhões de toneladas, o que seria um recorde. Com isso, os compradores internos estão tranquilos aguardando que os preços caiam mais à frente e os produtores também aguardam momentos melhores sem pressão para venda. Sendo assim, não foram registrados novos negócios de exportação nesses últimos dias para o milho”, explica Brandalizze.

A Radar Investimentos também aponta que os negócios no mercado físico ficaram mais travados nos últimos dias em relação à semana passada. As incertezas políticas e os noticiários tocando no assunto de greve dos caminhoneiros ligam um sinal amarelo no mercado.

Outra opinião nesse sentido é da XP Investimentos, que avalia que esse foi mais um dia de poucos negócios confirmados e muita especulação. Nem compradores e nem vendedores se mostram dispostos a ceder nas negociações e, assim, o equilíbrio permanece.

Enquanto as indústrias e granjas possuem estoques robustos e o bom fluxo de milho tributado, os produtores retardando as negociações ainda à espera de boas exportações, alta dos prêmios de porto, Chicago e da taxa de câmbio.

A boa evolução das colheitas em lavouras paulistas e dos plantios de inverno no Sul e Centro-Oeste projetam uma boa disponibilidade futura, embora o excesso de chuva em algumas áreas traga certa preocupação.

Confira como ficaram as cotações nessa quarta-feira:

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Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

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