Milho: Bolsa de Chicago fecha 6ªfeira em baixa e acumula mais de 3% de prejuízo na semana

Publicado em 23/08/2019 17:15 e atualizado em 26/08/2019 09:18
684 exibições
Movimentações de China e EUA intensificam Guerra Comercial e influenciam no mercado

LOGO nalogo

A semana chega ao final com desvalorizações para os preços internacionais do milho futuro na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais cotações encerraram a sexta-feira (23) com quedas entre 2,25 e 3,50 pontos.

O vencimento setembro/19 foi cotado à US$ 3,59 com baixa de 3,50 pontos, o dezembro/19 valeu US$ 3,67 com queda de 3,25 pontos, o março/20 foi negociado por US$ 3,80 com desvalorização de 3,00 pontos e o maio/20 teve valor de US$ 3,88 com perda de 2,25 pontos.

Esses índices representaram perdas, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 1,10% para o setembro/19, 1,08% no dezembro/19, 0,78% para o março/20 e 0,51% para o maio/20.

Com relação ao fechamento da última sexta-feira (16), os futuros do milho acumularam desvalorizações de 3,23% no contrato setembro/19, queda de 3,42% no dezembro/19, baixa de 3,06% no março/20 e 3% no maio/20 na comparação dos últimos sete dias.

Segundo informações da Farm Futures, os preços do milho caíram cerca de 1% na sexta-feira em uma rodada de vendas técnicas, motivada por preocupações com as recentes escaladas na atual guerra comercial EUA-China.

“Enquanto a Associação Nacional de Produtores de Milho aplaude a decisão do governo Trump de emitir outra rodada de pagamentos do Programa de Facilitação de Mercado (MFP) este ano, o grupo também observa que a taxa de pagamento de milho é de 14 centavos de dólar por bushel, enquanto calcula as consequências para comércio da guerra comercial em andamento é de cerca de 40 centavos de dólar por bushel”, conta o analista de grãos Ben Potter.

“Enquanto isso, é improvável que o governo Trump revogue qualquer uma das 31 trocas de biocombustíveis que emitiu para as refinarias de petróleo no início deste mês, mas está procurando outras maneiras de atenuar o golpe na demanda por etanol que a mudança poderia criar, segundo fontes próximas ao assunto. Os contratos futuros de etanol em setembro caíram cerca de 2% nesta tarde”, complementa Potter.

De acordo com a Agência Reuters, outro componente da Guerra Comercial que atuou nessas baixas foi a China dizer que iria impor tarifas adicionais aos produtos dos EUA incluindo grãos e soja, intensificando as disputas entre os duas principais economias do mundo.

“Todos os três mercados (milho, soja e trigo) caíram imediatamente depois que a China disse anunciaram tarifas de retaliação contra cerca de US $ 75 bilhões em Bens dos EUA, incluindo produtos agrícolas. Mas o impacto nos grãos foi visto como amplamente psicológico, dado que a China já disse este mês que interrompeu as compras de Produtos agrícolas dos EUA”, aponta Julie Ingwersen da Reuters Chicago.

“O anúncio de hoje foi mais sobre o reforço do sentimento negativo do mercado - o que aconteceu - e sobre a comunicação aos traders de que estamos longe de um acordo com a China”, disse Arlan Suderman, economista-chefe de commodities do INTL FCStone.

Mercado Interno

No mercado físico brasileiro, a sexta-feira registrou cotações permanecendo sem movimentações, em sua maioria. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, a única desvalorização registrada aconteceu em Brasília/DF (5,36% e preço de R$ 26,50).

Já as valorizações foram percebidas apenas nas praças de Assis/SP, Campinas/SP, Pato Branco/PR, Ubiratã/PR, Londrina/PR, Cascavel/PR, Porto Paranaguá/PR (2,70% e preço de R$ 38,00), Sorriso/MT disponível (6,98% e preço de R$ 23,00) e Sorriso/MT balcão (11,11% e preço de R$ 20,00).

A XP Investimentos divulgou nota apontando que, os preços do milho no mercado físico encerram a semana inalterados. “Tanto compradores quanto vendedores estão fora do mercado, apenas testando as cotações. Enquanto produtores seguram suas cargas exigindo preços maiores na exportação, granjas e industrias possuem bons estoques e programação de cargas para receber”.

Sendo assim, os analistas disseram que “os agentes apenas “assistem” o mercado externo e a movimentação da taxa de câmbio. Lá fora, a novidade fica por conta do novo anuncio de tarifação chinesa para com os produtos norte-americanos. Com a medida de retaliação, a China vai impor uma tarifa adicional de 5% sobre a soja dos Estados Unidos e de 10% sobre a carne bovina e suína do país em 1º de setembro. Em 15 de dezembro, entra em vigor uma tarifa adicional de 10% sobre o trigo, o milho e o sorgo dos EUA. Além de causar grande volatilidade nos produtos agrícolas, o fato gera, também, volatilidade nas moedas”.

Veja mais cotações desta sexta-feira.

Relembre outras notícias sobre o milho desta semana:

>> Milho: Queda externa pressiona cotações nos portos brasileiros

>> Média diária de exportações brasileiras de milho em agosto é 191,5% maior do que ano passado

>> Milho safrinha registra novo patamar de produtividade em Cândido Mota/SP e atenção se volta para safra de soja 19/20

>> Imea aponta que colheita do milho se encerrou no Mato Grosso

>> Colheita do milho safrinha avança para 93% no Paraná segundo o Deral

>> Recuo nos preços do milho em agosto

Tags:
Por: Guilherme Dorigatti
Fonte: Notícias Agrícolas

0 comentário