Impacto limitado no milho: analistas avaliam efeitos da possível negociação entre EUA e China
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A possível reaproximação entre Estados Unidos e China, que voltam a negociar neste sábado, em Genebra na Suíça, em meio à escalada da guerra tarifária, tem gerado expectativa no mercado global e deve ter efeitos variando bastante entre as principais commodities agrícolas.
Enilson Nogueira, Analista da Céleres Consultoria, avalia que, apesar da importância do tema, a guerra tarifária entre os dois países tem influência reduzida sobre o milho. “A China não importa volumes tão relevantes como faz na soja ou no algodão. Uma aproximação ou distanciamento teria, portanto, um efeito pequeno sobre os fundamentos de oferta e demanda e os preços globais do cereal”, afirma.
Por outro lado, Nogueira ressalta que o mercado como um todo pode sentir reflexos indiretos. “Um eventual acordo, com fim das tarifas, seria lido pelo mercado como sinal de menor incerteza, o que tende a reduzir a volatilidade e pode trazer alguma sustentação às cotações agrícolas na CBOT”, observa.
Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, segue na mesma linha e aponta que a preocupação maior está concentrada na soja. “Cerca de um terço das exportações americanas de soja tem como destino a China. No milho, o volume que os chineses compram é pequeno, entre 8 e 10 milhões de toneladas. Isso faz com que a influência no milho seja bem mais limitada”, explica.
Ele destaca ainda que uma possível retomada das exportações americanas de soja para a China poderia gerar impacto nos prêmios pagos no Brasil. “Se os EUA voltarem a exportar mais soja para a China, pode haver ajuste nos prêmios aqui. Mas no milho não se espera muita coisa, já que a China tem pouca participação nesse mercado”, conclui.
Apesar das incertezas, os analistas concordam que a leitura do mercado será cautelosa e dependente de avanços concretos nas negociações entre as duas potências.
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