Milho: Preços no interior do Brasil despencam com dólar abaixo dos R$ 5 e negócios travam no país

Publicado em 14/04/2026 16:39 e atualizado em 14/04/2026 17:47
Nesta 3ª feira, pressão veio o câmbio - abaixo dos R$ 5 - e também de novas baixas na B3

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Enquanto os futuros do milho seguem recuando na B3 e os preços do cereal nos portos seguem pressionados, os negócios no mercado brasileiro também permanecem muito contidos. O dólar operando abaixo dos R$ 5,00 compromete ainda mais a liquidez baixa que já vinha sendo registrada e novos negócios são muito tímidos. 

"O milho não tem mostrado fôlego interno, ele tem estado mais estável, é final de colheita da primeira safra. Ele tem mostrado mais fôlego para frente, mas os compradores não têm formados grandes estoques por conta dos juros, que é de 15% com a Selic. E assim o milho fica caro para segurar por sete, oito meses. Ele teria que se valorizar uns R$ 10 para compensar a formação de estoque", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Neste cenário, ainda de acordo com o especialista, os consumidores têm feito "compras da mão para a boca, trabalhando com o que tem 'em casa' e a B3 fica meio de lado, fragilizada. E outra coisa que a B3 olha é o porto. Com o dólar abaixo de R$ 5,00 e mesmo com Chicago em alta, o porto dá menos de R$ 66 e por isso a B3 está patinando". 

E nesta terça-feira (14), os futuros do cereal registraram um novo pregão de preços em queda no mercado futuro brasileiro. Os fundamentos, combinados com o câmbio desfavorável e a baixa liquidez tiraram, das posições mais negociadas, de 0,2% a 0,8%, com os primeiros contratos ainda abaixo dos R$ 68,00 por saca. 

No interior de Mato Grosso, os preços no físico preocupam ainda mais, marcando até R$ 35,00 por saca em algumas regiões. "Isso impacta não só o produtor, mas também o custo de reposição, maiores custos nas exportações, já que esse dólar baixo aumenta muito os custos de elevação, e fica ruim para todo mundo", afirma o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal.

Além disso, Brandalizze lembra ainda que as exportações estão mais contidas, uma vez que a forte do programa brasileiro de exportações se dá no segundo semestre, também ajudando a limitar o fôlego para os preços no Brasil. 

EM CHICAGO, FECHAMENTO MISTO

Na Bolsa de Chicago, o fechamento foi de preços em campo misto, com os primeiros contratos subindo, e os mais longos, cedendo. Assim, o maio fechou o dia com US$ 4,43 e o setembro com US$ 4,55 por bushel. 

O mercado acompanha os ganhos observados, mais uma vez, no trigo, mas também permanece de olho na soja lateralizada, nos derivados da oleaginosa, e divide suas atenções entre fundamentos e cenários técnicos. 

O clima no Meio-Oeste dos Estados unidos também passa a ser um fator monitorado muito de perto pelos traders, com o plantio da nova sara já em desenvolvimento e alcançando 5% da área até o último domingo (12), de acordo com os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Além disso, ainda nesta sexta-feira, a instituição informou novas vendas do cereal para o México e destinos não revelados, de 436 mil toneladas, com volumes já da safra 2027/28. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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