Milho: Rumo incerto para os preços em Chicago

Publicado em 18/10/2010 12:42 e atualizado em 18/10/2010 15:26
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Desde que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ajustou para baixo a produção, a produtividade e os estoques norte-americanos de milho, as cotações subiram, aproximadamente, 13%. No entanto, nas últimas sessões o cereal aparenta não ter fôlego suficiente para chegar ao esperado patamar dos US$6 por bushel.

De acordo com alguns analistas, essa valorização dos preços pode ser pode estar causando um esfriamento da demanda e, consequentemente, uma pressão nos preços. No último relatório de exportações semanais, o USDA trouxe números abaixo do esperado pelo mercado para o milho. Enquanto a aposta era de algo entre 1,4 e 2 milhões de toneladas, o departamento regitrou vendas externas da semana em 1,2 milhão de toneladas.

Além disso, os traders também dão atenção à movimentação do dólar e ao relatório de acompanhamento de safra que o USDA divulga nesta segunda-feira. Diante de todos estes fatores, esta deverá ser uma semana de definição para um direcionamento do mercado do milho.

A soja também deverá sentir o impacto da direção tomada, já que ambos brigam por área nos EUA. "O milho tem mais resistência para chegar a US$ 6 que a soja a US$ 12", comentou Vinícius Ito, da Newedge. Ele lembrou que, enquanto a soja tem tido demanda garantida, pela China primordialmente, o milho ainda não tem essa certeza, embora nas contas do USDA vá sobrar menos milho que soja ao final da safra 2010/11. Confirmadas as estimativas, o país terá grão suficiente para menos de um mês de consumo.

Ito considerou aina que, no médio prazo, a forte demanda por ração no mundo deve manter sustentados os preços dos três grãos negociados em Chicago. Mike Krueger, presidente da corretora The Money Farm, acredita que o contrato dezembro chegará a US$ 6. "Não se raciona a demanda em uma semana", argumentou.

As cotações do trigo ainda se mantêm na casa dos  US$ 7 por bushel, mesmo depois da queda de 16% desde a máxima atingida em agosto, depois que a Rússia suspendeu as exportações. Agora são os Estados UNidos que enfrentam problemas climáticos que possam oferecer suporte às cotações do cereal. Áreas do Meio-Oeste e das Grandes Planícies precisam de chuvas para desenvolver as lavouras de inverno antes que o tempo fique frio demais. Mas não há chuvas significativas previstas para esta semana. "As principais áreas estão muito mais secas do que deveriam nesta época do ano", disse Mike Palmerino, meteorologista da Telvent DTN. "O tempo para desenvolver uma boa safra está se esgotando".
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Fonte: Redação NA

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