Chuvas impõem mais atraso ao milho em Mato Grosso

Publicado em 22/02/2011 08:09 297 exibições
A safrinha do milho, em Mato Grosso, como era esperado, vem sofrendo duplamente neste ciclo. E o resultado deverá ser de uma produção inferior ao registrado nos anos anteriores, já que a área plantada deverá ficar cerca de 7% menor em relação à superfície cultivada no ano passado. Conforme dados do boletim semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado ontem (21), baseados no andamento da colheita da soja e na intensidade das chuvas, a área semeada deverá ser de 1,81 milhão de hectares, ante 1,94 milhão da temporada 09/10.

Outro fator agravante ao desenvolvimento do grão nesta safra é a janela ideal de plantio – melhor momento ao plantio da cultura – se fecha no final deste mês. A corrida contra o tempo em Mato Grosso não depende da velocidade das plantadeiras e nem da expertise do produtor, e sim, da trégua que as chuvas darão nesta última semana, reta final à semeadura do grão. “O dia 28 é o limite da janela”, frisa o boletim do Imea.

Conforme o Instituto, a projeção de redução na área plantada vai se concretizando na medida em que a colheita da soja atrasa e assim, a oferta de espaço ao plantio do milho vai ficando abaixo do esperado. A semeadura do milho está 35 pontos percentuais aquém do ritmo registrado há um ano. “Até esta semana foram plantados apenas 636 mil hectares, que representa praticamente metade do que estava plantado no mesmo período de 2010”.

Para esta safrinha, o milho coleciona problemas desde o segundo semestre de 2010. Naquela ocasião, a forte estiagem sobre o Estado retardou o plantio de soja, o que por si só, já representava uma ameaça ao milho. A soja é plantada de forma precoce em Mato Grosso, ou seja, de forma antecipada em relação aos outros estados com o propósito de fazer duas safras. Enquanto se colhe a oleaginosa, simultaneamente se planta o milho. Se não bastasse o atraso no cultivo da soja que reduziu o uso de variedades precoces, o milho sofre com o atraso da colheita da soja em função das chuvas.

Apesar do cenário ora apontado pelo Imea, o Instituto chama à atenção para uma peculiaridade do produtor mato-grossense: “Vale ressaltar que nas duas últimas safras os produtores arriscaram semeando até as primeiras semanas de março e, de certa forma, colheram resultados satisfatórios. Diante do andamento do plantio até o momento, possivelmente o fato se repetirá neste ciclo”, com o cultivo se estendendo para além da ‘janela de plantio’.

SOJA - O descompasso de colheita já chega a 16 pontos percentuais atrás do mesmo período do ano passado, fato este decorrente do atraso no início do plantio e intensificado pelas chuvas neste final de ciclo. “Ainda não foram reportadas perdas expressivas de produtividade, apenas casos frequentes de colheita com grãos úmidos e ardidos. O mais preocupante para esse cenário são as previsões de chuva para os próximos dias, que indicam precipitações de intensidades variadas, porém frequentes em todo o Estado”, frisa o Imea.

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Diário de Cuiabá

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